Economia Marcelo: Mário Soares foi "lutador da liberdade" e combateremos pelo seu legado  

Marcelo: Mário Soares foi "lutador da liberdade" e combateremos pelo seu legado  

O Presidente da República recordou hoje o antigo chefe de Estado Mário Soares, acima de tudo, como um "lutador da liberdade" e defendeu que Portugal tem o dever de combater pela "imortalidade do seu legado".
Marcelo: Mário Soares foi "lutador da liberdade" e combateremos pelo seu legado  
Bruno Simão/Negócios
Lusa 07 de Janeiro de 2017 às 17:25

Numa declaração de cerca de quatro minutos, lida na Sala das Bicas do Palácio de Belém, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que "Mário Soares nasceu e formou-se para ser um lutador e para ter uma causa para a sua luta: a liberdade", e considerou que esse foi "o penúltimo combate" que travou.

 

"Resta a Mário Soares, como inspirador, travar o derradeiro combate, aquele em que estamos e estaremos todos com ele: o combate pela duradoura liberdade com justiça na nossa pátria comum, que o mesmo é dizer, o combate da imortalidade do seu legado, um combate que iremos vencer, porque dele nunca desistiremos, tal como Mário Soares nunca desistiu de um Portugal livre, de uma Europa livre, de um mundo livre. E, no que era decisivo, ele foi sempre vencedor", acrescentou.

Mário Soares morreu hoje, aos 92 anos, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, onde se encontrava internado desde o dia 13 de dezembro.

 

"Travado o seu penúltimo combate, partiu do nosso convívio de todos os dias o Presidente Mário Soares", declarou Marcelo Rebelo de Sousa, no início da sua intervenção.

 

De gravata preta, o Presidente da República relembrou momentos marcantes da vida política de Mário Soares, dizendo que, "como toda a personalidade de eleição, conheceu a glória e o revés, os amores e os desamores de cada instante", e lembrando também que teve ao seu lado "Maria de Jesus Barroso, sua mulher e sua companheira de luta", que morreu em 2015.

 

"Há imagens únicas que ninguém esquecerá: a presença corajosa ao lado de Humberto Delgado, a resistência a partir do exílio, a chegada a Santa Apolónia, o discurso na Fonte Luminosa, o debate com Álvaro Cunhal, a disponibilidade para servir como primeiro-ministro em duas crises financeiras graves, a tenacidade no termo da primeira volta das presidenciais de 86, o calor irrepetível no encontro com os portugueses nas presidências abertas, a alegria no diálogo com as gentes da cultura, o sonho de um Timor-Leste independente, a presença na manifestação contra intervenção no Iraque", referiu.

 

Marcelo Rebelo de Sousa recordou, acima de tudo, o antigo chefe de Estado, como um lutador pela liberdade, em Portugal, na Europa e no mundo: "Foi em homenagem à liberdade que se viu perseguido, preso e deportado, e viveu no exílio até 1974. Que por ela se bateu durante os conturbados anos da revolução. Que liderou um partido, fez ouvir a sua voz nos parlamentos, português e europeu, chefiou vários governos, presidiu aos destinos da pátria".

 

"Mas foi sobretudo como lutador da liberdade que se revelou determinante a criar a nossa democracia, a votar a nossa Constituição, a ver a lusofonia como comunidade de Estados soberanos e irmãos, a pedir a adesão às Comunidades Europeias e a subscrevê-las, sonhando com uma Europa das pessoas e da solidariedade. A abrir a nossa diplomacia ao mundo, a condenar as violações dos direitos humanos e as intolerâncias internacionais. A defender a igualdade que permitisse a verdadeira liberdade, num quadro de um socialismo democrático", completou.




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comentários mais recentes
JARANES Há 1 semana

Consciente de que á riqueza só se chega por empreendedorismo, com a concomitante assumpçao do risco de perda dos capitais próprios, ou através do poder ( do seu abuso ou exercício ilícito em proveito próprio), e que deter o poder é, também, controlar e mesmo dispor do poder de, de forma frontal ou sonegada chantagear quem empreendeu e teve, por mérito próprio, sucesso, este personagem desde cedo se apercebeu que, faltando-lhe a coragem de empreender e sobretudo de arriscar o que era seu, o melhor seria enveredar pela conquista do poder.
Porém, excluído pela forma de acesso ao poder institucionalizada no anterior regime (caracterizado pelo crivo da honestidade de Sua Ex.a o Sr. Prof. Dr. Oliveira Salazar, que afastava todos os que tinham a descrita visão do poder) o sujeito dedicou-se a lutar por alterar as regras de acesso, vendo na democracia o meio que melhor servia as suas potencialidades, baseadas na retórica e no ilusionismo.
E nisto iniciou uma escola que perdura.

Anónimo Há 1 semana

OS PORTUGUESES NÃO ACEITAM OS TRAIDORES NO LUGAR DOS SEUS HERÓIS.

Anónimo Há 1 semana

O antigo regime ditatorial fez mal, por não ter feito aberturas políticas a pensamentos de pessoas como Mário Soares e Marcelo Rebelo de Sousa.

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