Política Marcelo opta pelo "silêncio" sobre Centeno

Marcelo opta pelo "silêncio" sobre Centeno

O presidente da República diz que não é a altura de se pronunciar sobre a posição do ministro relativamente à polémica da entrega de declarações de António Domingues.
Marcelo opta pelo "silêncio" sobre Centeno
Bruno Simão
Nuno Carregueiro 13 de fevereiro de 2017 às 20:30

Depois de ter defendido o ministro das Finanças no final da semana passada, o Presidente da República optou hoje por não reagir à conferência de imprensa desta segunda-feira de Mário Centeno.

 

Instado pelos jornalistas a comentar as declarações do ministro das Finanças, Marcelo Rebelou de Sousa optou pelo silêncio. "Não me pronuncio sobre isso", respondeu, acrescentando que "quando me quiser pronunciar, pronuncio".

 

O silêncio de Marcelo sobre esta questão surge depois de o Presidente da República ter recebido o ministro das Finanças em Belém, numa reunião onde Mário Centeno actualizou os desenvolvimentos sobre a entrega de declaração de rendimentos dos ex-gestores da Caixa Geral de Depósitos.

 

Em conferência de imprensa esta tarde, Centeno afirmou que, por sugestão do primeiro-ministro, pediu uma audiência ao "senhor Presidente da República", a quem explicou "detalhadamente o processo". Na conferência, o ministro tinha garantido que nunca existiu um compromisso com António Domingues a dispensá-lo da entrega da declaração de património e rendimentos no Tribunal Constitucional. E tinha revelado também que tinha reiterado ao "primeiro-ministro que o meu lugar está naturalmente à sua disposição desde que iniciei funções".

 

Depois das declarações de Centeno, o primeiro-ministro emitiu uma nota onde reiterou a confiança no seu ministro das Finanças.

 

Marcelo Rebelo de Sousa, na semana passada, defendeu o ministro das Finanças perante os pedidos de demissão formulados pela oposição, depois de ter sido conhecida a correspondência que o antigo presidente da CGD enviou a Mário Centeno. Nas missivas, divulgadas pelo Eco, Domingues recordava que as alterações ao Estatuto do Gestor Público aprovadas pelo Governo, que retiravam o banco das obrigações definidas neste diploma, visavam, entre outros objectivos, eliminar a obrigação de entrega das declarações de património.

 

"Até encontrar alguma coisa assinada pelo ministro das Finanças que diga uma coisa diferente, para mim o ministro das Finanças pensa o mesmo que o primeiro-ministro", ou seja, que António Domingues tinha que entregar as declarações de rendimentos, disse Marcelo a 9 de Fevereiro.

 

CDS e PSD têm acusado o ministro de ter mentido na comissão parlamentar de inquérito à gestão da Caixa, quando disse não ter assumido qualquer compromisso com Domingues para isentar os administradores da instituição de escrutínio junto do Tribunal Constitucional.

 

Na carta divulgada pelo Eco, de 15 de Novembro, Domingues mostrava "grande surpresa" com a necessidade de apresentar as declarações de rendimento ao Tribunal Constitucional. Essa "foi uma das condições acordadas para aceitar o desafio de liderar a gestão da CGD e do mandato para convidar os restantes membros dos órgãos sociais, como de resto o Ministério das Finanças confirmou", lê-se na missiva.

 


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comentários mais recentes
DJ viajante 13.02.2017

estamos perante uma quadrilha de mentirosos. Pobre pais.

Anónimo 13.02.2017

É escusado. O homem não fica calado por mais de 5 minutos.

cor de rosa 13.02.2017

Um dia vao ver o Marcelo numa praca qualquer em Portugal a oferecer abracos gratis...

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