Orçamento do Estado Marcelo pede "bom senso" no uso de défice "muito bom"

Marcelo pede "bom senso" no uso de défice "muito bom"

O Presidente da República desvaloriza um eventual impacto da recapitalização da CGD no défice, mas deixa avisos para o Orçamento para 2018. Os números do INE devem ser encarados "nem com pessimismo nem com euforia".
Marcelo pede "bom senso" no uso de défice "muito bom"
Cofina Media
Marta Moitinho Oliveira 22 de setembro de 2017 às 16:20

O Presidente da República defendeu esta sexta-feira, 22 de Setembro, que os números do défice divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) devem ser encarados "nem com pessimismo nem com euforia" na hora de fazer Orçamento do Estado para 2018. 

"A notícia do défice é muito boa", disse Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas à margem de visita no Porto, referindo-se aos dados publicados hoje pelo INE que indicam que o défice recuou para 1,9% no primeiro semestre. Isto significa que "de 3,1% passámos para 1,9% em vez de 2% como tivemos no ano passado", explicou o Presidente da República. 

O chefe de Estado mostrou-se depois confiante que o Governo consiga atingir a meta traçada para este ano. "Podemos ter [um défice] 1,5%, à volta de 1,5%, não sei se um bocadinho menos", afirmou, admitindo até a possibilidade de o défice ficar abaixo do objectivo traçado por Mário Centeno.

Ao mesmo tempo, Marcelo Rebelo de Sousa desvalorizou o impacto que poderá ter para Portugal uma eventual decisão da Comissão Europeia pelo registo da recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD) no défice deste ano. "Há uma coisa que me parece pacífica é que não conta para o Procedimento por Défices Excessivos", disse o Presidente. "É uma mera soma aritmética" e a parte que excede os 3% "não conta para o défice excessivo", frisou. 

A ideia da desvalorização de uma eventual decisão de Bruxelas de incluir a injecção de capital da CGD - avaliada em 2,1% do PIB - foi também defendida hoje por António Costa e Mário Centeno. O INE reportou esta sexta-feira a Bruxelas um défice de 1,5% para este ano, sem incluir nas contas a operação da Caixa.   


Apesar da satisfação com os números, Marcelo pediu "bom senso" na utilização que deles vier a ser feita. Questionado sobre que impacto estes dados podem ter nas negociações do Orçamento do Estado para 2018, o Presidente da República afirmou que "os dados devem ser encarados com bom senso. Nem com pessimismo, nem com euforia". 

Admitindo que existe quem tenha a "mania" para o pessimismo - que na descrição do Presidente são os que consideram que os bons resultados vêm de fora, sem que haja mérito interno, e que "isto vai piorar" - ou para a euforia - que segundo Marcelo são os que vêem mais dinheiro e pensam em "fazer mais despesa" -, o chefe de Estado defende que é preciso encontrar uma posição de "equilíbrio". 

É necessário "encontrar o meio termo entre o não estar sempre a profetizar tragédias e o não estar sempre à espera de euforias para depois dormir à sombra da bananeira", afirmou.


(Notícia actualizada às 16:49)




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