Economia Marcelo quer mar como "urgência das escolhas inadiáveis" em Portugal

Marcelo quer mar como "urgência das escolhas inadiáveis" em Portugal

O Presidente da República defendeu esta terça-feira que o mar tem de ter a "urgência das escolhas inadiáveis" para Portugal em termos geopolíticos, económicos, ecológicos, sociais e culturais, ao ser distinguido honorificamente pela Academia de Marinha, em Lisboa.
Marcelo quer mar como "urgência das escolhas inadiáveis" em Portugal
Lusa
Lusa 23 de janeiro de 2018 às 19:40

Numa sessão solene, Marcelo Rebelo de Sousa recebeu o colar-insígnia de presidente de honra daquela instituição, fundada em 1978 e que visa promover e desenvolver "estudos, artes e letras e as ciências" relacionadas com os oceanos e das actividades marítimas, na presença do chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Silva Ribeiro, do presidente da Academia de Marinha, Vidal Abreu, e muitas outras individualidades.

 

"Havendo um consenso natural em torno da estratégia nacional quanto ao mar, só nos falta o mais importante: explicitá-la e fazê-la partilhar permanentemente com os portugueses. Transformá-la em realidade viva e conferir-lhe a urgência das escolhas inadiáveis", afirmou o chefe de Estado.

 

Marcelo Rebelo de Sousa declarou ser preciso "levar muito mais longe a concretização dos trunfos geoestratégicos" lusos, "mais próximos ou mais longínquos" e "ainda maior empenhamento nas vertentes ecológica, económica, social e cultural dos oceanos".

 

"Temo sim que, também desta feita, partamos um pouco tarde de mais, e desaproveitemos ensejos únicos e deixando a outros a primazia onde ela devia ser nossa. A geopolítica, como a económica ou a ecologia, não conhece vazios. Haverá sempre quem preencha a lacuna criada por outrem. É tempo de não perdermos tempo", alertou.

 

Antes, o Presidente da República tinha efectuado uma extensa resenha histórica sobre a ligação eterna entre o país e o mar, desde a sua fundação, passando pelo regime monárquico, a epopeia dos Descobrimentos e a República, destacando contributos de predecessores nas funções, "em especial" Mário Soares e Cavaco Silva.

 

Segundo o chefe de Estado, os assuntos relacionados com os oceanos quase sempre incluíram atenção na orgânica político-administrativa, através de secretarias de Estado ou mesmo ministérios, como actualmente, embora observando que "a democracia de Abril tem oscilado neste domínio".

 

"No nosso conceito estratégico de defesa nacional, indissociável da nossa própria identidade e carecido de adicionais reflexões nestes tempos desafiantes, o mar tem sempre de ocupar posição central na educação, na formação, na pedagogia cívica, na assunção generalizada pelos portugueses e, em especial pelas gerações mais jovens", continuou.

 

Rebelo de Sousa frisou que o mar confere a Portugal a sua universalização e multilateralismo e precisou a atenção que deve ser dada ao "flanco sul da União Europeia e da Aliança Atlântica, ao Mediterrâneo, ao próximo Oriente, ao norte de África, além da natural complementaridade euro-africana e o transatlantismo.

 

O Presidente da República destacou ainda que Portugal é um dos 25 estados com maior Zona Económica Exclusiva do mundo, que os seus fundos sob jurisdicionais poderão atingir mais de 3,8 milhões de km2 e as áreas de busca e salvamento são 62 vezes o seu território, além de 60% das trocas comerciais e 75% das importações se fazerem através do mar.




A sua opinião3
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
Anónimo Há 3 semanas

O sr Presidente da República não estará a virar a atenção para a exploração do mar enquanto recurso turístico?
No Algarve trabalham pessoas o ano todo e a grande maioria não pode comprar habitação própria. Nos últimos anos o mercado e agora não há casas p/ arrendar ao ano. SOCORRO SR. PRESIDENTE

quanto ? Há 3 semanas

quantos dos nossos universitários esperam ansiosos par utilizarem os seus conhecimentos dentro e fora dos Oceanos ? quantos anos de estudos não chegaram ao mar ? quantos alunos pagos com o esforço dos pais e do País emigraram ? quantos políticos nos puseram a ver navios ?

nós Portugueses Há 3 semanas

POis quase todos os Portugueses estão a espera que se faça alguma coisa com o mar . ´só que não é um desígnio nacional dos políticos que passam pelos governos pelo menos desde o 25 de Abril. Com alguns subsídios
talvez possamos comprar uns barcos a remos fabricados fora de Portugal .haja fé

pub