Marcelo: "Relvas é o berbicacho número um do Governo"
27 Maio 2012, 01:31 por Jornal de Negócios Online | negocios@negocios.pt
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Comentador avaliou hoje o primeiro ano de governo do Executivo de Passos Coelho, arrasando o ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares. Mesmo que Relvas não saia do Governo, Marcelo Rebelo de Sousa diz que ficará em estado semi-morto .
Marcelo Rebelo de Sousa considera que o Governo, o primeiro-ministro e o ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares tiveram uma “semana negra”, tendo reiterado que Miguel Relvas terá que se demitir, ou ser convidado a sair do Governo, se se confirmar que falou sobre a vida privada da jornalista do Público, ou se for revelado que conhecia mais sobre Silva Carvalho do que disse no Parlamento.

Miguel Relvas “continua num estado de grande fragilidade, não chega a ser semi-morto mas fica próximo disso”, disse Marcelo no habitual espaço de comentário semanal na TVI, acrescentando que Relvas está num estado de “fragilização terrível”.

Depois de fazer a avaliação do primeiro ano do Executivo de Passos Coelho, o professor considerou mesmo que Relvas é o “o berbicacho número um do governo”. Retirar Relvas do Governo “tem um custo monumental”, mas não o fazer também “tem um custo enorme”, pois será “mante-lo morto”.

Afirmando que nenhum primeiro-ministro gosta de fazer remodelações, Marcelo prevê que Passos Coelho vai tentar gerir este assunto “depreciando o caso a ver se ele se esquece”.

Marcelo confessou-se “surpreendido pelo grau de desgaste [de Relvas] num ano de governo”, pois “não esperava que pagasse um preço tão elevado pelos casos” em que se viu envolvido

Governo com “imagem muito desgastada”

Na avaliação geral que faz ao Governo no primeiro ano em funções, Marcelo destaca a consolidação orçamental pela positiva, enquanto o “pior” está nas reformas estruturais, que “estão muito atrasadas”.

O “Governo ficou muito condicionado pela orientação alemã” e tinha uma tarefa muito difícil, pelo que Marcelo considera que “tem uma prestação positiva”, mas está “muito desgastado. Não se diria que é um governo com um ano, com uma imagem muito desgastada”, acrescentou.

Quanto ao primeiro-ministro, Marcelo considera que “mantém quotas de confiabilidade muito razoáveis. Às vezes é analítico em excesso”, mas “mostrou ser honesto, inteligente e com sentido de missão”.

O professor dividiu depois os ministros em vários lotes, começando pelos que considera ter nota mais positiva: Paulo Portas, Vítor Gaspar, Paulo Macedo e Nuno Crato.

Paulo Portas é o “único político profissional deste governo” e o que merece a apreciação mais positiva. Depois surge o ministro das Finanças, que é “competente e honesto”.

Se Vítor Gaspar é “um tecnocrata que está a adorar ser político”, já Paulo Macedo é um “tecnocrata que gosta de ser tecnocrata”. “Resta saber quando tiver que fazer uma opção política” no Serviço Nacional de Saúde, questionou Marcelo, afirmando que o ministro da Educação é um “homem de esquerda que adora governar à direita”.

O lote seguinte de ministros são os que não dão nas vistas. O ministro da Defesa, Aguiar Branco, “consegue fazer o seu papel na base da não exposição”, o ministro da Segurança Social adopta a estratégia do “toca e foge”, pois só aparece para “dar notícias boas”, enquanto Miguel Macedo tem o “talento de não existir”.

Marcelo avalia depois as duas mulheres do Executivo de Passos Coelho, considerando que Assunção Cristas “demorou tempo a perceber” as pastas que tem a cargo, enquanto a ministra da Justiça “tem peso político, mas é uma incógnita”, pois as reformas no sector ainda não foram implementadas.

Para o fim ficou o ministro da Economia e Miguel Relvas. Marcelo considera que Álvaro Santos pereira “teve um ano para descobrir o seu próprio país”, mas acredita que “quando chegar a conhecer o país sai. É substituído”.

No comentário na TVI, o professor falou ainda do relatório sobre Pinto Balsemão, efectuado por Silva Carvalho, considerando-o “um acervo de disparates, sem um mínimo de fundamento”.

Acrescentou que é “grave” e “uma coisa do outro mundo” que haja “alguém que trabalha para uma empresa privada, a Ongoing, socorrendo-se de pessoas dos serviços secretos”, para investigar privados.
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