Economia Maria Luís Albuquerque: Pior que pode acontecer a Portugal é precisar de outro resgate e não o ter

Maria Luís Albuquerque: Pior que pode acontecer a Portugal é precisar de outro resgate e não o ter

A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, afirmou esta quinta-feira à noite em Lisboa que "o pior" que pode acontecer ao país é não ter outro resgate se for necessário, considerando que esse cenário "não é totalmente inconcebível".
Maria Luís Albuquerque: Pior que pode acontecer a Portugal é precisar de outro resgate e não o ter
Miguel Baltazar/Negócios
Lusa 31 de outubro de 2014 às 01:21

"Frequentemente, quando se coloca no debate público o tema das grandes ameaças e [se questiona sobre] qual é o pior cenário que nos pode acontecer, ouvimos que o pior que nos pode acontecer é termos um outro resgate. O pior que nos pode acontecer provavelmente é não termos um outro resgate se precisarmos", disse a governante.

 

Para Maria Luís Albuquerque, que falava na abertura de um jantar-debate organizado esta quinta-feira, 30 de Outubro, em Lisboa pelo Clube Português da Imprensa, pelo Grémio Literário e pelo Centro Nacional de Cultura, este é "um cenário que aparentemente é considerado inconcebível mas que não parece tão inconcebível assim".

 

A ministra defendeu que, "se [Portugal] voltar a precisar de pedir ajuda, não deve assumir que essa ajuda estará sempre e necessariamente disponível".

 

"Cabe-nos a todos garantir que esse cenário não se volta a colocar e, por isso, temos de reflectir sobre aquilo que podemos fazer para evitar que o país volte a encontrar-se na situação em que se encontrou", reiterou.

Durante a sua intervenção, que demorou cerca de meia hora, Maria Luís Albuquerque disse ter "uma enorme confiança" no país, mas alertou para os desafios que persistem e que têm de ser debatidos e atacados.

 

Entre os desafios apontados pela ministra das Finanças estão o envelhecimento do país, as competências e as qualificações da população e a "crónica falta de capital das empresas", sejam elas grandes ou pequenas, públicas ou privadas.

 

A respeito da "subcapitalização" as empresas portuguesas, Maria Luís Albuquerque afirmou que os bancos, que agora estão capitalizados e que existem para conceder crédito ao sector não financeiro, enfrentam actualmente "um dilema impossível".

 

"Ou emprestam às empresas que não têm capital e consomem o seu capital por terem mais risco ou não emprestam e consomem o seu capital por não terem rentabilidade", resumiu a governante, defendendo que, "se não existir capital no país", Portugal deve ir "buscar o capital lá fora", sem ter "problemas ou complexos com isso".

 

Maria Luís Albuquerque concluiu o seu discurso com uma nota positiva, respondendo às três perguntas que serviram de mote ao debate: "que moeda, que economia e que futuro?".

 

"A moeda claramente o euro, a economia assente na iniciativa privada, nos sectores transaccionáveis, sem rendas e sem sustentar artificialmente aquilo que não tem viabilidade económica porque a prazo sai sempre mais caro. O futuro? Duro no imediato, mas sem nenhuma razão objectiva para que não possa ser melhor a médio prazo e o médio prazo chega num instante", concluiu.




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mais votado fmelosousa 31.10.2014

A ministra tem razão: é provável que a bancarrota regresse, com o Costa no poder. E dessa vez o FMI não coloca cá nem um tostão. Quem é louco para emprestar dinheiro a povo que continua a eleger socialistas? É pena que os portugueses não tenham tomado gosto à bancarrota sem resgate no verão de 2011. Teria sido largos meses de salários em atraso. Então dariam valor ao dinheiro do FMI.

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desiludido 31.10.2014

Cara maria inteligente, O ÚNICO RESGATE QUE PORTUGAL PRECISA. é por a Industria, a Agricultura e as Pescas a trabalhar para o consumo interno, não é preciso ser muito inteligente para entender isso, mas parece que você está muito atrasada na escolaridade.

Anónimo 31.10.2014

Difícil encontrar mentes tão brilhantes quanto esta, Não acham?

Anónimo 31.10.2014

Já está a pensar noutro resgate ? Não acha que ê uma parvoíce?
Depois de tudo o que passamos dá mesmo a ideia que os nossos governantes são mesmo medíocres. Era preciso uma nova revolução e afastar está canalha que passa a vida a meterem-nos medo

Anónimo 31.10.2014

A FP existe para MELHORAR a vida do Povão. Em portugal é o contrario, o Povão é , em vez disso Sacrificado, para melhorar a vida do FP. São os xuxalismos. E Ainda há gente do Povão que votam no Partido da FP

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