Mundo Marques Mendes diz que Portugal não será alvo de retaliações económicas e diplomáticas de Angola

Marques Mendes diz que Portugal não será alvo de retaliações económicas e diplomáticas de Angola

O comentador político considera que Angola e Portugal estão "condenados a entenderem-se" e que no futuro "tudo se ajustará".
Marques Mendes diz que Portugal não será alvo de retaliações económicas e diplomáticas de Angola
Miguel Baltazar/Negócios
Negócios 21 de janeiro de 2018 às 21:11

Luís Marques Mendes avançou este domingo, 21 de Janeiro, que Portugal não será alvo de retaliações económicas e diplomáticas por parte de Angola, devido ao julgamento da Operação Fizz, que terá início amanhã.

"No imediato, há uma tensão forte no ar. Mas, ao que apurei, não haverá da parte de Angola retaliações económicas e diplomáticas. Apenas suspensão de visitas ao alto nível a Portugal e a Angola dos respectivos Chefes de Estado e Primeiros-Ministros", afirmou o antigo dirigente do PSD no espaço semanal de comentário político na SIC.

Marques Mendes acredita mesmo que no futuro, "tudo se ajustará". "Angola e Portugal estão ‘condenados a entender-se’. Precisam um do outro", concluiu.

Sobre o julgamento, Marques Mendes defende que amanhã acontecerá uma de duas hipóteses: "ou o julgamento é suspenso até que o Tribunal da Relação decida" – sobre o recurso da defesa da decisão de realizar o julgamento em Portugal – ou haverá uma separação de processos, "fazendo com que o julgamento se inicie em relação a vários arguidos e fique em banho maria em relação a Manuel Vicente".

"Juridicamente a questão é controversa. Em princípio, o julgamento deveria ser feito em Angola, de acordo com uma Convenção Judiciária celebrada em 1997 entre Portugal e Angola. Só que o MP alega que lá, em Angola, não haverá julgamento porque os crimes de que Manuel Vicente está acusado estariam amnistiados", justifica o comentador.

Na Operação Fizz, o ex-vice-presidente angolano, Manuel Vicente é acusado de corrupção activa em co-autoria com o advogado Paulo Blanco e Armindo Pires, branqueamento de capitais, em co-autoria com Paulo Blanco, Armindo Pires e Orlando Figueira e falsificação de documento, com os mesmos arguidos.


A Procuradoria-Geral da República recusou transferir o processo para Angola, ao abrigo de convenções judiciárias com a CPLP, o que levou o Presidente angolano, João Lourenço, a classificar como "uma ofensa" a atitude da Justiça portuguesa, advertindo que as relações entre os dois países vão "depender muito" da resolução do caso.




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