Política Marques Mendes: "José Sócrates pode ter a vertigem de ser candidato presidencial"

Marques Mendes: "José Sócrates pode ter a vertigem de ser candidato presidencial"

O comentador político e ex-dirigente do PSD Luís Marques Mendes disse esta noite na SIC que o PS corre o risco de ter uma surpresa desagradável, a propósito de possíveis candidatos do partido à Presidência: a corrida de José Sócrates ao lugar.
Marques Mendes: "José Sócrates pode ter a vertigem de ser candidato presidencial"
Negócios 28 de janeiro de 2018 às 21:03

No seu habitual espaço de comentário na SIC, o antigo líder do PSD falou este domingo sobre os dois anos de mandato do presidente Marcelo Rebelo de Sousa, considerando-o um "factor de equilíbrio e de estabilidade, no primeiro ano agradando mais à esquerda, no segundo mais ao centro e à direita".

 

No entender de Luís Marques Mendes, Marcelo Rebelo de Sousa "reabilitou a função presidencial, que estava debilitada, pela capacidade de intervenção; pela proximidade com as pessoas; e pelo poder da palavra".

 

O antigo líder do PSD abordou também, a este propósito, as próximas eleições presidenciais, considerando que Marcelo Rebelo de Sousa se vai recandidatar. "O mais provável é que sim. Essa é a cultura presidencial em Portugal e o calendário que o próprio indiciou reforça essa ideia. Ao dizer que só toma uma decisão no Verão de 2020 (ou seja, a 3, 4 meses da eleição), indicia que a decisão só pode ser a de se recandidatar".


Luís Marques Mendes aborda ainda a eventualidade de o PS poder apoiar Marcelo Rebelo de Sousa ou apresentar um candidato próprio - o que, a acontecer, pode colocar três riscos, na sua opinião. Um deles, "desagradável", estará no facto de José Sócrates poder querer concorrer.

 

"Eu diria, como Pedro Nuno Santos [secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares], em entrevista ao Expresso: em teoria, o PS terá um candidato. Na prática, temos de aguardar para ver", comentou Marques Mendes.

 

Para o antigo presidente do PSD, o PS corre vários riscos nas presidenciais. O primeiro deles está no próprio risco de falar de presidenciais de forma prematura. "Uma das armas de António Costa para as eleições legislativas é a ideia de que ele e Marcelo se entendem bem. O país aprecia a dupla Marcelo/Costa. Este Bloco Central institucional. Se o PS começa a falar de ter um candidato próprio, perde esta arma. Deita fora uma vantagem que tem".

 

O segundo risco é o de "apoiar um candidato que possa ter um resultado humilhante". "Admitamos que há um candidato que se sujeite a esse sacrifício, por exemplo, Sampaio da Nóvoa. Há 2 anos, Sampaio da Nóvoa teve cerca de 22%. Se for novamente candidato, corre o sério risco de ter um resultado inferior. Ora, isso enfraquece muito António Costa. E se não tiver um Governo de maioria, então ainda o enfraquece mais", sublinhou.

 

Quanto ao terceiro risco, Marques Mendes diz que se trata do "risco de o PS ter uma surpresa desagradável". "E qual pode ser essa surpresa? Uma eventual candidatura presidencial de José Sócrates", apontou.

 

"José Sócrates pode ter a vertigem de ser candidato presidencial. É um acto de desespero mas pode suceder. Na cabeça dele, isto não é impossível. Pode fazer parte da sua estratégia de defesa no processo judicial que está em curso. E, quanto mais o seu julgamento se atrasar, mais esta hipótese pode ganhar força na sua cabeça", referiu o comentador da SIC.

 

Na opinião de Marques Mendes, "se isto suceder, é um monumental problema para o PS". E porquê? Porque "não apoiar a candidatura gera divisões internas. Apoiá-la é suicídio político".




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