Justiça Marques Vidal: "Nós não inventamos processos"

Marques Vidal: "Nós não inventamos processos"

A dimensão e o tempo que durou - e ainda vai durar - o processo devem-se à própria natureza da Operação Marquês, justificou Joana Marques Vidal. Só no final se verá se foi moroso, avisou.
Marques Vidal: "Nós não inventamos processos"
Bruno Simão/Negócios
Paulo Zacarias Gomes 12 de outubro de 2017 às 16:51
A procuradora-geral da República assegura que a justiça portuguesa não está a tratar a Operação Marquês – em que o antigo primeiro-ministro José Sócrates é um dos acusados de forma diferente de outros processos e assegurou que o Ministério Público não "inventa processos" - é a justiça que actua de acordo com as solicitações.

"Não há diferenças relativamente a qualquer outro processo. (…) Nós não inventamos os processos. Não andamos à procura ou a inventar processos, seja em que situação for," afirmou Joana Marques Vidal esta quinta-feira, 12 de Outubro, na Figueira da Foz à margem do XI Congresso dos Juízes, em declarações transmitidas pela TVI 24.

Nesta que é a primeira vez que a procuradora-geral da República fala depois de ser conhecida a acusação de 18 pessoas que envolve também Ricardo Salgado, Armando Vara ou Helder Bataglia, tendo por base alegados crimes como corrupção, branqueamento de capitais ou fraude fiscal, Joana Marques Vidal relativizou o facto de haver um primeiro-ministro envolvido neste processo.

"Já aconteceu em muitos países, até com Presidentes da República. Os sistemas de justiça actuam e respondem de acordo com aquilo que são as solicitações," afirmou, contornando quando perguntada se o caso põe à prova a justiça portuguesa. A essa pergunta dos jornalistas, respondeu com a "capacidade de investigação de todos os factos, a independência, a autonomia" e o respeito pela "legalidade" e "qualidade".

Sobre a dimensão do processo e o tempo envolvido até se chegar à acusação – quase três anos depois da prisão preventiva de José Sócrates – a procuradora defendeu que o tempo decorrido foi o necessário para apurar um "conjunto intrincado de factos e movimentos financeiros". E que o êxito do processo e a dedução da acusação exigiam uma prévia investigação prolongada.

"Há um determinado tipo de factos criminais que nos obrigam a construir megaprocessos. Não podiam deixar de dar origem a um megaprocesso, sob pena de não se descobrir nada. Os processos são mega quando há necessidades de serem mega," respondeu quando questionada sobre a dimensão da investigação, recusando ainda "reagir publicamente" quando instada a comentar o pedido feito pela defesa de José Sócrates para o afastamento do juiz Carlos Alexandre do processo.

Joana Marques Vidal disse ainda confiar na solidez da acusação, "como em todas as que o Ministério público emite," e que será o chamado "tempo útil" a definir quanto tempo mais demorará o processo até transitar em julgado.
"Só quando chegarmos ao final consideremos avaliar se foi ou não moroso," concluiu.



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