Saúde Médicos que acabam especialidade são o triplo do que os que se reformam

Médicos que acabam especialidade são o triplo do que os que se reformam

Lembrando que em Portugal o que há é falta de dinheiro para contratar mais profissionais e não falta de médicos, o bastonário da Ordem considera imprescindível regular o acesso aos cursos superiores de Medicina.
Médicos que acabam especialidade são o triplo do que os que se reformam
Ricardo Castelo/Negócios
Lusa 15 de janeiro de 2017 às 17:28

Os médicos que acabam a especialidade em Portugal são mais do triplo do que aqueles que se reformam, o que constitui o excesso de formação de profissionais que preocupa a Ordem.

 

O bastonário José Manuel Silva considera precisamente que a manutenção da qualidade da formação médica é um dos principais desafios do próximo responsável da Ordem dos Médicos, que na quinta-feira será escolhido através de eleições.

 

Em 2015 e 2016 reformaram-se 672 médicos, enquanto terminaram a especialidade cerca de 2.300. A iniciar a especialidade contaram-se 3.200 médicos, quatro vezes e meia mais do que os que se aposentaram.

 

"Dentro de um ano e pouco teremos todos os portugueses com médico de família e a partir daí estamos a formar médicos de medicina familiar a mais. Não teremos desemprego médico, porque os médicos portugueses emigram com facilidade", afirmou o bastonário em entrevista à agência Lusa.

 

Além de a qualidade da formação em Portugal os tornar alvos procurados por outros países, os médicos emigram para locais onde trabalham menos, ganham muito mais e têm melhores condições de trabalho, segundo José Manuel Silva.

 

Lembrando que em Portugal o que há é falta de dinheiro para contratar mais profissionais e não falta de médicos, o bastonário considera imprescindível regular o acesso aos cursos superiores de Medicina.

 

"Eu não quero pôr um travão nos 'numerus clausus'. O que eu quero é que seja definido [em Medicina] o mesmo critério que nos outros cursos", defendeu o bastonário, aludindo ao facto de os cursos de Medicina terem um número de vagas fixado politicamente.

 

"Se perguntarmos aos directores dos cursos de Medicina, todos dizem que têm alunos a mais", acrescentou.

 

Também a Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM) já propôs ao Governo reduzir, em cinco anos, de 1.800 para cerca de 1.300 o número de estudantes de medicina por ano.

 

O que se pretende é uma salvaguarda da qualidade da formação médica, pré e pós-graduada, que pode repercutir-se na qualidade dos serviços de saúde.




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Anónimo Há 1 semana

O problema não é médicos a mais ou a menos: o verdadeiro problema é o corporativismo médico que manipula e controla tudo. Vejamos a definição de acto médico, controlo do medicamento/receita médica, declarações médicas atestados médicos, pedidos de MCDT, organiz dos cuidados... etc...

Anónimo Há 1 semana

Penso q o mal portugues nao esta na falta de medicos,mas na maneira como as coisas sao feitas,nao entendo como e q freguesias consideradas nao tem posto med,e se nao erro tambem nao tem farmacias.ESPANTO-ME quando ouco dizer q as gripes intopem os hospitais.100 euros de cada vez sem necessi.hospital

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