Política Medina concorda com críticas ao jantar no Panteão

Medina concorda com críticas ao jantar no Panteão

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, afirmou hoje concordar com a posição crítica do Governo sobre o uso do Panteão para jantares, como aconteceu na sexta-feira, no âmbito da Web Summit.
Medina concorda com críticas ao jantar no Panteão
Bruno Colaço
Lusa 13 de novembro de 2017 às 15:31
"Concordo com a posição do Governo. Acho que o Panteão não deve ter essa utilização, o Governo vai tomar medidas, concordo com elas", afirmou o autarca, à margem da comemoração dos 75 anos do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa.

Questionado sobre se sabia do jantar de sexta-feira, Medina referiu não gerir o Panteão, acrescentou que não sabia e devolveu a pergunta aos jornalistas sobre se o presidente da câmara devia saber tudo o que se passa na cidade.

A polémica sobre este assunto surgiu após a divulgação de informações nas redes sociais sobre um jantar exclusivo com convidados da Web Summit na nave central do Panteão Nacional, em Lisboa.

Denominado 'Founders Summit', o evento decorreu na sexta-feira, um dia depois do encerramento da cimeira tecnológica e de inovação, cuja realização continuará em 2018, com a possibilidade de mais dois anos.

A realização do jantar no monumento funerário de destacadas personalidades nacionais resultou, durante o fim de semana, em diversas reacções, incluindo do próprio fundador da Web Summit, o irlandês Paddy Cosgrave, que pediu desculpas "por qualquer ofensa causada", garantindo num breve depoimento escrito que o evento, "conduzido com respeito", respeitou as regras do local.

O Governo, através do gabinete do primeiro-ministro, classificou, no sábado, a utilização do espaço do Panteão Nacional para a realização do referido jantar como "absolutamente indigna", referindo que tal utilização estava enquadrada legalmente através de um despacho proferido pelo anterior executivo PSD/CDS-PP.

O Correio da Manhã noticiou hoje a realização de uma festa no Panteão pela Associação de Turismo de Lisboa (ATL), "tutelada por [António] Costa", com o director-geral da entidade a confirmar hoje que, em 2013, houve um evento dentro do Panteão, "que estava no mercado" e foi pago o aluguer.

Também questionado à margem do aniversário do aeroporto, Vítor Costa, manifestou-se surpreendido pela "leitura política que estavam a fazer", ao envolverem o primeiro-ministro enquanto presidente não executivo da ATL.

Segundo o responsável, "é completamente falso" que António Costa tenha tido conhecimento da utilização do Panteão em 2013, por nem sequer ter como função saber do evento.

O dirigente frisou que "não é a direcção não executiva e muito menos o presidente da Câmara, que tem sido o presidente [da ATL] por inerência, que decide menus de jantares ou localizações".

Essas decisões são da "exclusiva responsabilidade dos serviços da ATL", sublinhou.

"O juízo sobre a utilização desse espaço [Panteão] para fins laterais ou complementares ao património é da responsabilidade de quem o gere", afirmou Vítor Costa, acrescentando que as "questões, a filosofia geral, os princípios, a dignidade ou a menor dignidade tem que ser feita por quem disponibiliza os monumentos" e que a ATL neste processo é cliente.

A associação "realiza, por vezes, centenas ou milhares de acções promocionais por ano, e utiliza monumentos, alugando-os normalmente e para promover o próprio monumento, muitas vezes, e também a cidade".

No fim de semana, o Governo também anunciou que iria proceder à alteração da lei "para que situações semelhantes não voltem a repetir-se, violando a história, a memória colectiva e os símbolos nacionais".

Opção que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou ser "muito sensata".

Os vários partidos com assento parlamentar também reagiram à polémica.



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comentários mais recentes
pertinaz 14.11.2017

MEDINA... MAIS UM FARSOLAS IGUAL AO ESTUPOR DO CHEFE DA ESCUMALHA QUE NOS DESGOVERNA...!!!

JARANES 13.11.2017

ISTO RETRATA COM FIDELIDADE OS VALORES DESTE SISTEMA
Depois da vulgarização na escolha das figuras que, por reconhecimento merecido e para memória da Nação, ali devam repousar, segue-se a javardice só comparável à javardice dos dignatários deste sistema politico.
Pessoalmente dou graças a Deus pelo facto de para ali não terem sido transladados os restos mortais de sua Ex. o Sr. Presidente do Conselho Sr. Professor Doutor António de Oliveira Salazar.
Quanto mais não vale a singeleza e honradez de uma campa rasa no cemitério de Vimieiro.

Anónimo 13.11.2017

Mais uma deste governo para o Tuga pagar. Vendam o edifício e voltem a colocar os restos mortais no seu devido lugar, vulgo cemitério ou crematório.

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