Medina Carreira: O conceito de excesso da austeridade é uma tontice à portuguesa
02 Maio 2012, 21:38 por Lusa
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O fiscalista criticou os discursos como os do secretário-geral do Partido Socialista, António José Seguro, que "mostram a austeridade como um papão", quando, com este acordo de assistência financeira, "a 'troika' está apenas a dizer que Portugal tem de gastar apenas o que tem".
O antigo ministro das Finanças Medina Carreira disse hoje que a ideia de "excesso de austeridade é uma tontice à portuguesa" e sustentou que falta uma "agenda do crescimento" num país que ignora como aumentar consumo e investimento.

O fiscalista criticou os discursos como os do secretário-geral do Partido Socialista, António José Seguro, que "mostram a austeridade como um papão", quando, com este acordo de assistência financeira, "a 'troika' está apenas a dizer que Portugal tem de gastar apenas o que tem".

Em Leiria, durante uma conversa com o empresário Henrique Neto promovida por uma livraria, Medina Carreira explicou que "a austeridade é uma fatalidade porque não há dinheiro", mas defendeu que Portugal "precisa de uma agenda de crescimento, de uma política que faça consumir mais, vender mais, exportar mais e importar menos".

O problema, contudo, é que ninguém em Portugal e na Europa "sabe o que fazer".

O ex-governante criticou ainda "as grandes personalidades que têm a tendência para fazerem de treinadores, a começar pelo Presidente da República, com o discurso de que é preciso ter ânimo, mas que só criam balneário", quando o que as pessoas "querem é saber como vão ganhar dinheiro".

É precisamente "no investimento que está o grande busílis e sem ele nem o desemprego nem a pobreza diminuem", sustentou.

Henrique Neto concordou com Medina Carreira, afirmando que "com estes políticos e esta política não se podem esperar melhorias", mas preferiu apontar o distrito de Leiria como um exemplo a seguir no país e que devia ser alvo de estudo, em especial em tempo de crise.

"Apesar do desemprego e das falências, apesar de tudo, o distrito de Leiria está numa situação mais favorável", destacando o facto de "as exportações estarem a crescer ao dobro da média nacional".

O empresário revelou que só no início deste ano as exportações da indústria das conservas em Peniche cresceram 169%.

Por outro lado, destacou o facto de o número de empresas criadas em Leiria ser superior às que encerram. Em 2010 fecharam 862 e em 2011 desapareceram 819. Mas em 2011 foram criadas 1.351, mais 119 que no ano anterior", precisou.

O ex-dirigente socialista disse que este sucesso deveria ser alvo de estudo e de interesse, mas avançou com uma explicação central: "A economia de Leiria não depende do Estado".

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