União Europeia Merkel diz que jovens europeus desempregados devem estar dispostos a viver noutro lado

Merkel diz que jovens europeus desempregados devem estar dispostos a viver noutro lado

A chanceler alemã considera, em entrevista à BBC, que deve haver mais mobilidade na Europa.
Merkel diz que jovens europeus desempregados devem estar dispostos a viver noutro lado
Bloomberg
Negócios 14 de junho de 2013 às 17:14

O nível de desemprego jovem na UE constitui uma “enorme crise”, comentou Angela Merkel em entrevista dada esta sexta-feira à BBC News, sublinhando que os jovens europeus sem trabalho devem estar dispostos a “mover-se”.

 

E deu um exemplo que conhece bem: quando a taxa de desemprego disparou entre os jovens na Alemanha de Leste, “muitos deles (…) só arranjaram emprego porque se moveram para sul”. “Tem de haver mais mobilidade”, defendeu.

 

“Acho que é injusto especialmente os jovens terem de pagar a factura por algo que não fizeram, mas não há outro caminho. Temos de fabricar produtos e oferecer serviços na Europa que possamos vender”, acrescentou Merkel à BBC.

 

O desemprego jovem atinge 5,627 milhões de pessoas na União Europeia, o que corresponde a uma taxa de desemprego de 23,5%, de acordo com os dados divulgados no final de Maio pelo Eurostat. Dos 27 países que compõem a União Europeia, 11 registam taxas de desemprego jovem superiores a 25%, sendo que a taxa mais baixa pertence à Alemanha, onde o desemprego atinge 7,5% da população jovem, enquanto a mais elevada pertence à Grécia, cujo último dado se refere a Fevereiro e aponta para uma taxa de 62,5%.

 

Já Portugal regista uma taxa de desemprego jovem de 42,5%, o que corresponde a um aumento face aos 41,2% verificados em Março, e representa a terceira taxa mais elevada, só superada pela Grécia e por Espanha (56,4%).

 

Questionada sobre o que sente quando vê manifestações contra a Alemanha, Merkel respondeu que no seu próprio país também as há. "Temos manifestações não só lá fora mas também na Alemanha. Como governo, como políticos, temos de aceitar isso. Desejo que estes países recuperem depressa".

 

Sobre as medidas de austeridade, a chanceler foi peremptória: não foi uma ideia sua, mas sim uma política acordada pela troika. Recorde-se que ontem o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, referiu que as decisões tomadas nos programas de ajuda externa são da responsabilidade dos Estados-membros. A Comissão, o BCE e o FMI [a troika] só implementam o que lhes dizem, não tomam decisões, salientou Barroso.

 

Merkel comentou ainda a questão da consolidação dos orçamentos soberanos dos Estados-membros, referindo que as políticas têm sido aplicadas de forma flexível. "Sabe tão bem como eu que todos os países que aprovaram o Pacto de Estabilidade e Crescimento. (...) No entanto, demos a muitos países a possibilidade de terem défices acima dos 3%. França, por exemplo, mas também Espanha e Portugal", disse a chanceler ao jornalista da BBC Stephen Evans, em Berlim.

 


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mais votado Anónimo 14.06.2013

Pontos centrais da estrategia Alema para (re)conquistar a Europa: 1. Baixar os salarios na Alemanha e assim ganhar competitividade face aos outros paises; 2. Usar os excedentes para se colocar na posicao de credor; dividir os paises devedores para reinar; 3. Atrair a jovem nata dos outros paises; 4. Nos paises endividados ficam os velhos; os sistemas de seguranca social sao nacionais; os paises endividados ficam ainda mais endividados; i.e. ainda mais dependentes da Alemanha; Poderia ser uma estrategia brilhante nao fosse miopica. Os jovens da Periferia nao querem ser Alemaes; Assim, vao revoltar-se. E a Alemanha nao vai receber o que emprestou. A Uniao Europeia vai ser cada vez menos uma Uniao. E assim acaba um belo sonho Europeu...

comentários mais recentes
nonsense 17.06.2013

Mão de obra barata na Alemanha ! Que vergonha de comentários... São verdes nem as posso tragar...estes anónimos estúpidos não conseguem ir para aAlemanha nem para lado nenhum porque não têm qualificações ,mais nada ...o resto é inveja...muitos portugueses vão e ainda bem para eles...

O castiço do Mario Lino, ex Director LNEC , é que dizia que aqueles baldios para o lado de ALCOCHETE eram 1 deserto. Porreiro, pá! 16.06.2013

-Oh Maria vai andando e leva a chave pra abrir o Escritoro.- Oh Se Manel , não se diz Escritoro, diz-se ESCRITÓRIO. A cena repetiu-se dezenas de vezes, até que o Ti Manel se chateou e disse: - Tá bem , tu falas muito bem , mas EU É QUE TENHO A MASSA! Os Portugueses têm que perceber , que sem massa , qualquer País,Estado, Empresa, Família não vai a lado nenhum.Este País já não acaba em Vilar Formoso e Valença do Minho. O Escudo acabou.A Somague exportava as maiores e melhores gruas de portos do Mundo.O Prof Dr Eng Edgar Cardoso era um cientista do Mundo, em Pontes de Betão. O LNEC era reconhecido Mundialmente. A Engenharia Hidráulica portuguesa era das melhores do MUNDO.Agora, orgulhosamente SÓS, somos o País único do MUNDO com as melhores AUTO ESTRADAS SEM CARROS. PORREIRO, pá! Falidos. A culpa é da MERKEL, já se vê!

francisco tavares 16.06.2013

A senhora Merkel quer empobrecer Portugal, torná-lo num deserto? Se não é bem o parece. A falta de cultura política da senhora brada aos céus. E notoriamente, os seus conselheiros e acessores nada a ajudam. Nada sabem sobre Europa, como se pode concluir dos seus discursos. Seria uma benção para toda a Europa, e principalmente para a Alemanha, que Angela Merkel perdesse as eleições de Setembro próximo. Dada a sua dimensão, a Alemanha é quem mais ganha com a UE. Mas para manter a união de todos, a Alemanha tem que saber dosear as receitas de austeridade. Ela não pode comportar-se como se as capacidades da economia alemã fossem semelhantes às dos outros países. Porque ou nos toma por néscios ou não tem a noção de questões verdadeiramente elementares, isto é, não tem competência para exercer o cargo que exerce.

político 16.06.2013

Será legítimo deste discurso da Sra. Merkel eu poder tirar a seguinte ilação ? A Europa está com excesso populacional e assim : os jovens têm de emigrar e os velhos. ? . ? . ?....não restará mais que. ?. ? não quero dizer o que estão pensando.

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