Europa Merkel e Schulz começam negociações para eventual nova grande coligação

Merkel e Schulz começam negociações para eventual nova grande coligação

Democratas-cristãos e social-democratas iniciam na noite desta quarta-feira as negociações com vista à formação de uma possível nova grande coligação. Eventual governo não chegará antes de Março.
Merkel e Schulz começam negociações para eventual nova grande coligação
David Santiago 13 de dezembro de 2017 às 16:19

À segunda será de vez? A resposta final a esta pergunta vai demorar várias semanas a chegar, mas começará a ser respondida a partir da noite desta quarta-feira, 13 de Dezembro, dia em que começam as conversações entre os líderes da aliança democrata-cristã (CDU e CSU) e o social-democratas (SPD) para a reedição de uma eventual grande coligação.

 

Esta noite, os líderes da CDU (Angela Merkel), da CSU (Horst Seehofer) e do SPD (Martin Schulz) começam a dialogar para tentar ultrapassar o bloqueio político que ainda não permitiu à Alemanha formar um governo saído do resultado das eleições federais de Setembro último. A possibilitar o início destas negociações está o apoio assegurado, na semana passada, por Martin Schulz por parte dos militantes do SPD.

 

Porém, a tarefa afigura-se ainda complexa, mantendo real o perigo de, pela primeira vez, a Alemanha ter de realizar eleições após incapacidade dos partidos acordarem uma solução de governo. Tudo indica que ou há um governo de coligação entre conservadores e social-democratas ou novas eleições.

 

É que nos últimos dias vários elementos do SPD, incluindo Schulz, sinalizaram a possibilidade de um novo modelo de governação – denominado de "acordo de cooperação -, em que os partidos acordariam um conjunto comum de políticas que garantiriam a estabilidade necessária para completar a legislatura, embora permitisse às diferentes forças manterem posições díspares nas matérias não consensualizadas.  

 

Contudo, já esta quarta-feira o líder da CSU rejeitou negociar um "acordo de cooperação". Horst Seehofer, citado pelo Politico, considera que este modelo "não resultaria" porque não se "pode governar parcialmente e estar na oposição em simultâneo".

 

Antes, ainda durante as negociações, entretanto fracassadas, com liberais (FDP) e Verdes para formar a coligação Jamaica, a chanceler Merkel afiançou que prefere ir a novas eleições do que chefiar um governo minoritário.

 

Grande coligação poderá demorar até Maio

 

Apesar de após as últimas eleições Merkel ter mostrado confiança na formação de um governo até ao final deste ano, tal hipótese está definitivamente arredada.

 

Segundo um mapa publicado hoje pelo jornal alemão Deutsche Welle (DW), a concretizar-se uma nova grande coligação esta não chegará antes de Março, e poderá mesmo demorar até Abril ou Maio. O itinerário é longo e depende em grande medida do SPD, partido que em Setembro rejeitou encetar negociações com Merkel optando por assumir o papel de maior partido da oposição após ter registado o pior resultado eleitoral desde a Segunda Guerra.

 

O DW escreve que depois do primeiro diálogo com Merkel e Seehofer, Martin Schulz reúne-se dia 15 de Dezembro com os restantes membros da direcção do partido, que terão de dar luz verde, ou não, para que as negociações prossigam.

 

Se houver via aberta à continuação das conversações, as conversas exploratórias para encontrar uma solução governativa começarão no início do próximo ano. Se o diálogo exploratório chegar a bom porto, entre meados e finais de Janeiro o SPD realiza uma nova convenção que terá a responsabilidade de viabilizar o início de negociações formais.

 

A aprovação final de um acordo entre a aliança conversadora CDU/CSU e o SPD não chegará antes de Março, embora o DW avise que as negociações poderão mesmo arrastar-se e atirar para Abril ou Maio uma solução final. Até lá, a grande coligação continuará a governar com base num executivo de gestão, de acordo com a Constituição germânica, assegura o essencial da governação.




A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
pub