Zona Euro Merkel elogia Macron mas diz que reforma do euro não é para já

Merkel elogia Macron mas diz que reforma do euro não é para já

Apesar de elogiar a actuação e as propostas do presidente francês, a chanceler alemã pôs um travão à intenção de Macron de reforma da Zona Euro. Merkel diz que para já não é essa a prioridade.
Merkel elogia Macron mas diz que reforma do euro não é para já
Reuters
David Santiago 29 de setembro de 2017 às 22:08

As propostas de Emmanuel Macron para a reconstrução da União Europeia e reforma da Zona Euro representam "uma boa base para a discussão", assumiu a chanceler Angela Merkel no jantar de líderes europeus que decorreu na quinta-feira em Tallin, Estónia.

 

Na antecâmara da cimeira digital que teve lugar esta sexta-feira, 29 de Junho, na capital estónia e que contou com 28 líderes da UE (desta vez a primeira-ministra britânica Theresa May esteve presente mas o seu homólogo espanhol, Mariano Rajoy, faltou devido à crise na Catalunha), Angela Merkel elogiou o arrojo presente nas propostas feitas esta semana por Macron, mas deixou um aviso.

 

A chanceler germânica, segundo escreve a agênciaReuters, travou o ímpeto do presidente francês no que concerne às propostas de reforma da Zona Euro. Esta sexta-feira, Merkel disse aos jornalistas que nesta altura há prioridades mais prementes como é o caso da necessidade de ser alcançado um acordo sobre uma nova política de asilo comum, declaração feita numa altura em que está a crescer o número de chegadas de requerentes de asilo à Grécia.

Em concreto sobre o euro, a governante alemã sustentou que será difícil e demorará tempo convencer os 19 países que integram a Zona Euro a aceitar as propostas de Macron. "Agora estou preocupada em trazer para esta discussão quantos Estados-membros da Zona Euro for possível", declarou.

Macron defende um ministro das Finanças, a constituição de um orçamento comum no seio do bloco do euro (esta proposta já merecera anteriormente parcial anuência de Merkel) e ainda o estabelecimento de um parlamento para a União Monetária. No discurso feito esta semana na Sorbonne, o inquilino do Eliseu apresentou propostas tendentes a uma União a várias velocidades cujo núcleo duro (Estados-membros da moeda única) deve avançar para uma maior integração, das Finanças à Defesa.

 

Angela Merkel estará ainda concentrada nas discussões que terá de enfrentar, ao nível interno, para a negociação de uma coligação governativa com liberais (FDP) e Verdes. Sendo certo, por exemplo, que o FDP rejeita a criação de um orçamento comum capaz de corrigir riscos assimétricos em caso de crises, é natural que a composição e o tipo de acordo que vier a ser alcançado em Berlim será determinante para o futuro da Europa. Tanto os liberais como a CSU (partido-irmão bávaro da CDU de Merkel) vêem com alguma desconfiança a crescente integração europeia.

O que significa que, para já, muitas das propostas de Macron terão de ficar em suspenso, até porque não é expectável que haja um novo governo alemão muitos antes do Natal (talvez até demore mais do que três meses).

António Costa, que esteve presente na cimeira informal de quinta-feira mas que hoje se ausentou para participar no último dia de campanha para as autárquicas, está em consonância com o presidente francês. O primeiro-ministro português, que em Julho também defendeu a reforma do euro e a criação de um orçamento capaz de promover o crescimento económico e corrigir as assimetrias na União Monetária, mostrou-se optimista de que o próximo executivo germânico não será um travão às reformas necessárias na Europa.

Já na Estónia, Angela Merkel garantiu existir um "grande entendimento entre a Alemanha e a França sobre o caminho a seguir", com a chanceler a assegurar que o futuro governo alemão não será um obstáculo aos avanços e reformas que a Europa tem de fazer. Resta saber os "timings" e amplitude que poderão assumir essas reformas, e se as mesmas corresponderão às intenções apresentadas por Macron.




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