Europa Merkel recusa excluir coligação com o SPD mas já pensa na Jamaica

Merkel recusa excluir coligação com o SPD mas já pensa na Jamaica

A chanceler alemã considera que depois dos resultados deste domingo "teremos de fazer uma análise sobre tudo isto". Apesar de o SPD ter anunciado que acabou a aliança com a CDU e que o partido vai para a oposição, Merkel insiste em manter conversações não só com o FDP e os Verdes mas também com os social-democratas.
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David Santiago 25 de setembro de 2017 às 13:00

O pior resultado em quatro eleições federais disputadas por Angela Merkel, assim como uma quebra eleitoral do centro político acompanhada do irromper da extrema-direita, levam a chanceler germânica a admitir que "teremos de fazer uma análise sobre tudo isto".

 

Numa conferência de imprensa realizada ao final desta manhã desta segunda-feira, 25 de Setembro, em Berlim, a líder dos democratas-cristãos (CDU) disse ver nos resultados das eleições deste domingo a necessidade de "reflectir sobre como agir no futuro". 

Apesar de os números finais e as reacções iniciais - uma aliança entre a CDU e liberais (FDP) não permite chegar à maioria absoluta e Martin Schulz, líder do SPD, excluiu reeditar a "grande coligação" com os democratas-cristãos - terem deixado Merkel reduzida à possibilidade de se aliar ao FDP e aos Verdes (coligação Jamaica), a chanceler reiterou que não vai deixar de parte os social-democratas nas conversações para a formação de um governo maioritário.

 

"Procuraremos conversações com o FDP e os Verdes, mas também com o SPD", atirou Merkel acrescentando que "esta não só é a minha posição como é também a dos outros membros do partido". 

Ainda na noite de ontem, num debate entre os líderes dos seis partidos que garantiram entrada no Bundestag – nunca a câmara baixa do parlamento alemão teve tantas forças representadas -, Merkel insistia perante a intenção de Schulz de afirmar o SPD como maior partido da oposição dizendo que "aritmeticamente" ainda era possível formalizar uma coligação com os social-democratas.

 

Já sobre eventuais contradições numa coligação entre a aliança entre a CDU e a CSU (partido-irmão bávaro dos democratas-cristãos mas posicionado mais à direita) e os Verdes, Angela Merkel mostrou-se optimista na robustez da aliança com os bávaros.

 

 "Obviamente irei tentar negociar com a CSU e estou optimista de que encontraremos soluções. Iremos actuar em conjunto, isso não está em causa", afiançou para depois assegurar haver uma coincidência de interesses entre a CDU e a CSU.

 

"Partilhamos a mesma opinião e há partidos que são opções viáveis para uma coligação e para termos uma coligação estável", adiantou já numa aparente referência à viabilidade da coligação Jamaica, que terá de conciliar programas distintos de Verdes e liberais, designadamente no que concerne à integração europeia.

Recuperar votos da extrema-direita
 

Depois de ontem Merkel ter sinalizado como objectivo primordial da próxima legislatura conter a ameaça representada pela extrema-direita (AfD, Alternativa para a Alemanha, que se estreia no Bundestag), a chanceler disse esta manhã que quer recuperar os votos perdidos para aquela força.


"Cerca de 1 milhão de eleitores da CDU/CSU foram para o AfD e procuraremos recuperar estes eleitores com boas políticas e solucionando problemas", avisando desde já que serão necessárias "medidas sobre a questão dos refugiados".

 

Já falando para o líder da CSU, que ontem criticou indirectamente Merkel por com a sua política de abertura aos refugiados ter aberto o flanco à direita para o crescimento do AfD, a líder da CDU notou que "em relação ao flanco, à ala direita, do meu ponto de vista eu diria que onde existam problemas teremos de os solucionar".

 

Merkel foi já apontando "questões de integração, de imigração ilegal mas também dos cuidados médicos nas zonas rurais", como áreas onde é preciso fazer mais para impedir o avanço do populismo de extrema-direita.

 

Por fim e tendo em conta que sendo Jamaica a mais provável coligação, o que poderá colocar entraves ao intentos de reforma da Zona Euro pretendidos pelo presidente francês, Emmanuel Macron – que discursa esta terça-feira sobre as suas propostas para a União Europeia, numa clara intenção de condicionar as negociações para encontrar uma solução governativa na Alemanha – Merkel frisou que "obviamente nas conversações que teremos com os diversos partidos a Europa terá um papel importante".

 

A Europa está numa fase em que teremos de abordar outras opções programáticas. Na terça-feira teremos o discurso do presidente francês. Não há uma linha vermelha", concedeu. Porém, a chanceler vai avisando que "temos de ter mais Europa mas também temos de ter mais concorrência e mais postos de trabalho", o que significa que as reformas no seio da UE terão de continuar a ser acompanhadas pelas famosas "reformas estruturais".


(Notícia actualizada às 13:25)




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comentários mais recentes
Anónimo Há 3 semanas

A classe média vai conhecendo a teoria neo-liberal do capital sobre o trabalho... e nas urnas exerce o seu voto dando mais relevância aos que defendem o progresso equilibrado e com justiça social. Claro que os neo-liberais vão usar a extrema direita para o pânico mas isso já não funciona como em 26

Anónimo Há 3 semanas

Quando estive emigrado na República Federal da Alemanha, eu como os meus país, sempre notamos que os Alemães tinham pudor e vergonha em falar na 2ª Guerra Mundial. Era um assunto que evitavam falar. Hoje, 09.2017 elegeram 90 deputados extrema-direita, 3ª força política, muita coisa mudou para pior.

Anónimo Há 3 semanas

Vitória de Merkel com um amargo sabor a derrota... aguardem.

Anónimo Há 3 semanas

Geringonça alemã: SPD + FDP + Verdes + Die Linke = Maioria absoluta ...
É que os titulos a dizerem que A. Merkel ganhou as eleições são equivalentes aos de que P. Coelho ganhou em 2015.
A probabilidade dessa geringonça é no entanto quase 0 sendo que tambem o M. Schulz não é o A. Costa.

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