Europa Merkel terá escolhido adjunto para substituto de Schäuble nas Finanças

Merkel terá escolhido adjunto para substituto de Schäuble nas Finanças

Segundo avança o jornal Sueddeutsche Zeitung, o até aqui chefe de gabinete da chanceler alemã será o ministro interino das Finanças em substituição de Schäuble que aos 75 anos irá presidir ao Bundestag.
Merkel terá escolhido adjunto para substituto de Schäuble nas Finanças
Reuters
David Santiago 29 de setembro de 2017 às 20:33

Peter Altmaier, 59 anos de idade e membro da CDU de Angela Merkel, é o nome do próximo responsável pelas Finanças da Alemanha, segundo avançou esta sexta-feira, 29 de Setembro, o jornal alemão Sueddeutsche Zeitung com base em fontes governamentais.

 

De acordo com notícia desta publicação, citada pela agência Reuters, o até aqui chefe de gabinete da chanceler alemã, Angela Merkel, será o ministro das Finanças, de forma interina, até que seja formado o próximo governo alemão.

 

Esta decisão decorre da necessidade de substituir Wolfgang Schäuble, que ao fim de oito anos a tutelar a pasta das Finanças da maior economia europeia vai assumir a presidência da câmara baixa do parlamento germânico.

 

Altmaier é um político conservador e um homem próximo da chanceler, devendo assumir interinamente o cargo já depois de 24 de Outubro, data agendada para a primeira sessão do Bundestag saído das eleições federais do passado domingo, pelo que, seguramente, a eleição de Wolfgang Schäuble não acontecerá antes desse dia.

 

Depois de na terça-feira ter sido adiantada a possibilidade de Schäuble deixar de ser ministro para assumir a liderança do Bundestag, no dia seguinte foi confirmada a notícia de que o antigo líder da CDU aceitara liderar o parlamento resultante das eleições do último domingo.

 

Tendo em conta que o quarto governo de Angela Merkel terá de ser forjado com uma inédita aliança com liberais (FDP) e Verdes – o SPD rejeita voltar a coligar-se com a chanceler depois de os social-democratas terem obtido o pior resultado de sempre – Schäuble tornou-se um entrave à concretização da chamada coligação Jamaica (as cores da CDU, FDP e Verdes correspondem às da bandeira jamaicana).

 

Isto porque os liberais exigem para si a importante pasta das Finanças, uma vez que o FDP considera que quando governou com Angela Merkel (2009-2013) foi penalizado por não ter imposto a agenda de redução da carga fiscal sobre as empresas.

 

A permanência de Altmaier como ministro interino das Finanças é difícil de prever e dependerá da duração das negociações com vista à formação de uma coligação governativa com apoio maioritário no Bundestag. Depois das eleições de 2013 foram necessários três meses para ser formada a aliança CDU/CSU-SPD, que governou a Alemanha nos últimos quatro anos.

 

Todavia, as divergências programáticas entre liberais e Verdes, designadamente em relação às políticas de integração europeia em questões sensíveis como a Zona Euro e a Segurança e Defesa, tenderão a dificultar um processo já habitualmente moroso. Esta semana o próprio chefe de gabinete de Merkel sugeriu que as negociações para o futuro governo poderão demorar mais tempo do que há quatro anos.

 

Dada a intenção do FDP em assumir as Finanças, Wolfgang Schäuble, 75 anos, foi encarado na aliança democrata-cristã CDU/CSU como a personalidade ideal para presidir aos trabalhos da câmara baixa do parlamento alemão, um trabalho que se antevê mais complexo do que o do seu antecessor dada a fragmentação parlamentar (nunca o Bundestag teve seis forças representadas).

 

A chegada da extrema-direita (AfD) reforça a perspectiva de maior confronto parlamentar e adensa a necessidade de uma figura transversalmente respeitada para presidir aos trabalhos. Schäuble é visto como a pessoa indicada. Logo após serem conhecidos os resultados eleitorais, ainda no domingo, Merkel estabeleceu como uma das prioridades para o próximo mandato a necessidade de contenção da ameaça apresentada pelo AfD.  




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