Empresas Metade das empresas vai contratar mais pessoas mas nem uma quer aumentar salários

Metade das empresas vai contratar mais pessoas mas nem uma quer aumentar salários

Um quarto dos gestores de recursos humanos portugueses vê com bons olhos a possibilidade do horário laboral das 35 horas semanais ser replicado no sector privado. Com metade das empresas a pretender recrutar mais pessoas este ano, nem uma prioriza o aumento de salários.
Metade das empresas vai contratar mais pessoas mas nem uma quer aumentar salários
Metade das empresas inquiridas pela Kaizen prevêem contratar mais pessoas mas descartam aumentos salariais dos seus actuais trabalhadores.
Paulo Duarte/Negócios
Rui Neves 28 de julho de 2017 às 15:19

A formação e desenvolvimento dos trabalhadores (35%), a motivação diárias das equipas (24%) e a gestão do talento (22%) estão no topo das prioridades dos gestores de recursos humanos portugueses questionados pelo Kaizen Institute em Portugal, assinalando-se que nem um dos 80 inquiridos considera prioritário aumentar salários.

 

Um congelamento salarial que não surpreende o senior partner do Kaizen Institute Western Europe: "Houve enormes esforços financeiros nas empresas nos últimos anos, como sabemos, devido às contenções que o país viveu, que, inevitavelmente, exigiu também esforços e ajustes da parte de muitas empresas", considera António Costa, em declarações ao Negócios.

 

Como alternativa ao congelamento salarial, defende o mesmo responsável, "as empresas procuraram alternativas para manter as pessoas motivadas e reter talentos, revelando que as empresas demonstram estar focadas em encontrar soluções para os colaboradores",

 

Também de acordo com a 7.ª edição do Barómetro Kaizen de Recursos Humanos, a que o Negócios teve acesso, metade (49%) das empresas participantes neste painel pretende recrutar mais trabalhadores até ao final deste ano, enquanto 8% afirma que haverá reduções dentro da instituição.

 

Para António Costa, o facto de metade das empresas ter a intenção de aumentar o seu quadro de pessoal "é francamente interessante e uma lufada de ar fresco no panorama nacional dos últimos tempos, ajudando a aumentar os níveis de confiança dos portugueses no mercado laboral".

Um dado que, conclui, "alavanca o poder de compra dos portugueses e permite perspectivar com bons olhos a economia do país e desenvolver as economias locais".

 

Eventualidade das 35 horas semanais agrada a um quarto das empresas

Já quando questionadas sobre a eventualidade das 35 horas semanais replicarem-se no sector privado, 49% das empresas afirma "não ser um tema prioritário neste momento", enquanto 24% vê como "um aspecto positivo que promoverá o equilíbrio entre a vida profissional e a pessoal".

 

Cerca de 16% identifica este cenário como "negativo, devido aos custos adicionais com novas contratações", havendo 5% que vê a medida como "positiva e que poderá aumentar a produtividade dos colaboradores".

 

No quadro das iniciativas existentes nas empresas para promover a relação entre as chefias e os colaboradores, 57% dos inquiridos destaca "o acompanhamento frequente da ligação entre os objectivos da equipa/individuais e os objectivos da organização", e 51% considera "existirem momentos normalizados de comunicação".

 

Ainda relativamente a esta temática, 43% do universo questionado sinaliza "a existência de confraternização de comemorações de datas"; 38% identifica "os encontros regulares informais", 32% afirma "existirem actividades de ‘team building’", 19% sublinha "o acompanhamento do plano de carreira e acções e ‘feedback’", enquanto 11% admite "não existirem iniciativas em concreto". 

 

Mais de dois terços das empresas diz-se preparada para a 4.ª revolução industrial

Perante o cenário da substituição de trabalho por máquinas a médio e longo prazo, 68% dos participantes neste barómetro garantiu que "integra já no plano estratégico da empresa a requalificação das competências dos colaboradores".

 

Já 43% dos inquiridos admitiu a contratação de "perfis com competências complementares", 35% prevê "reafectar pessoas a outras áreas já existentes", 27% afirma "não ter actividades planeadas", e 16% afirma que "criará novos departamentos para entrega de novo produto/serviço".

 

Os dados deste barómetro, elaborado pelo Kaizen em parceria com a RH Magazine, revelam também que "o nível de motivação dos trabalhadores tem vindo a aumentar – em 2014 a média era de 11,7 e cresceu para 12,5 em Março de 2016, registando o primeiro decréscimo em Outubro do ano passado para 12,3, voltando agora a subir para uma média de 13,4 valores".

 

Este barómetro foi realizado junto de 80 directores de recursos humanos de empresas públicas e privadas de sectores como a banca, indústria, saúde, logística e retalho e serviços.  

 

"O Barómetro de Recursos Humanos permite-nos analisar o mercado laboral e conhecer com regularidade – fazemos este barómetro duas vezes por ano – de que forma os colaboradores estão mais ou menos motivados e como as direcções de recursos humanos perspectivam as suas equipas a médio prazo, e como se adaptam às mudanças das instituições, da economia e do mercado", sublinha António Costa.




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comentários mais recentes
pertinaz Há 3 semanas

ESTA É POLÍTICA DA ESCUMALHA... BAIXOS SALÁRIOS...!!!

Conclusão Há 3 semanas

Os melhores vão para empresas de montra internacional e por aqui pufffffffffffff

Anónimo Há 3 semanas

Uma vergonha o que as empresas estão a fazer, oportunismo puro, oferecem um salário a valores de 1980... A nova escravatura do século 21, para depois virem dizer que os lucros do 1º semestre foi de milhões.
Portugal tem falta de um governo com espírito empresarial, mas só pensam na politica barata.

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