Américas México tem um ás na manga para negociar NAFTA com os EUA

México tem um ás na manga para negociar NAFTA com os EUA

Luis Videgaray está numa posição aparentemente impossível de invejar.
México tem um ás na manga para negociar NAFTA com os EUA
Reuters
Bloomberg 26 de janeiro de 2017 às 21:35

O ministro dos Negócios Estrangeiros mexicano chegou na noite de terça-feira a Washington com a missão de renegociar o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA, na sigla em inglês) com um governo Trump que apostou grande parte de sua reputação na promessa de reformar o acordo comercial e transferir empregos do México de volta aos EUA. Considerando o quanto o México beneficiou com o pacto assinado em 1994 - o excedente comercial anual do país com os EUA supera 60 mil milhões de dólares - a sensação geral é que Videgaray não tem muito peso nas negociações e que acima de tudo cederá terreno para os seus colegas americanos.

 

Mas Videgaray pode ser um negociador formidável. No México, o economista de 48 anos formado no MIT é visto há tempos como o mestre da estratégia por trás da chegada do presidente Enrique Peña Nieto ao poder. Também estabeleceu um relacionamento forte com Trump, que o descreveu como um "homem maravilhoso", e com o genro e assessor sénior de Trump, Jared Kushner. Além disso, pode ter na manga uma carta que tem sido ignorada: a segurança.

 

Se o México deixar de cooperar com os EUA no combate ao tráfico de drogas ou no contra-terrorismo, poderá paralisar uma administração que fez da segurança fronteiriça outra das suas maiores prioridades, tendo até escolhido apresentar o plano de construir um novo muro precisamente quando o contingente mexicano estava a começar a trabalhar em Washington.

 

Videgaray insinuou sua estratégia na segunda-feira, quando disse ao canal de televisão Televisa que "esta não pode ser uma negociação em que só se discute o comércio".

 

"Há muitas áreas em que os EUA precisam da cooperação do México, como a segurança e a imigração", disse.

 

Reuniões

 

Videgaray reuniu-te com o assessor de Segurança Nacional dos EUA, Michael Flynn, no primeiro dia de sua viagem de dois dias e tinha agendada uma reunião com Kushner nesta quinta-feira, segundo um assessor da Casa Branca que pediu anonimato. O Ministério das Relações Exteriores do México afirmou que também espera que o assessor comercial dos EUA, Peter Navarro, e o chefe de gabinete de Trump, Reince Priebus, estejam envolvidos nas negociações. Videgaray é acompanhado pelo ministro da Economia, Ildefonso Guajardo.

 

Excepto os comentários sobre segurança feitos por Videgaray na segunda-feira, as autoridades mexicanas nada falaram sobre os seus planos de negociação, e assim continuaram após o primeiro dia de reuniões em Washington. Anteriormente, insinuaram que estão preparadas para ampliar o acordo de modo a incluir sectores como o comércio online e a energia.

 

Trump poderia exigir mudanças que aumentem a proporção de veículos fabricados nos EUA, seja com tarifas ou com normas que exijam que uma maior parte das peças provenha da América do Norte. Peña Nieto e Videgaray foram inflexíveis em que a América do Norte deve continuar isenta de impostos, e os planos de Trump poderiam colocar em risco um sector automóvel que acelerou nos últimos anos no México.

 

"Ele é uma pessoa que não desiste", disse Duncan Wood, director do Mexico Institute no Woodrow Wilson International Center for Scholars em Washington. "Tem um intelecto extraordinário que não deveria ser desconsiderado."

 




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