Saúde Ministro da Saúde: Protesto dos enfermeiros é condenável ética e deontologicamente

Ministro da Saúde: Protesto dos enfermeiros é condenável ética e deontologicamente

O ministro da Saúde considerou o protesto dos enfermeiros especialistas como condenável do ponto de vista ético e deontológico, lembrando que o Governo não pode ceder a "exigências intempestivas".
Ministro da Saúde: Protesto dos enfermeiros é condenável ética e deontologicamente
João Cortesão
Lusa 18 de julho de 2017 às 19:02

Sobre a recusa dos enfermeiros de executarem funções especializadas, o que está a paralisar blocos de parto, Adalberto Campos Fernandes disse esta terça-feira à Lusa, no final da comissão parlamentar de Saúde, que "o Governo não pode ceder a atitudes que são, do ponto de vista ético e deontológico, muito criticáveis".

 

Os enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica estão, desde o início do mês, em protesto contra o não pagamento dos seus serviços especializados, assegurando apenas cuidados indiferenciados de enfermagem, o que afecta, nomeadamente, os serviços de obstetrícia.

 

O Ministério da Saúde pediu já um parecer urgente ao conselho consultivo da Procuradoria-geral da República (PGR) sobre a legalidade deste protesto dos enfermeiros, mas até ao momento ainda não o recebeu.

 

"Aguardamos [o parecer] a todo o momento. Mas independentemente do parecer da PGR, o processo negocial e o diálogo com os sindicatos está a decorrer normalmente", afirmou hoje o ministro à agência Lusa.

 

Aliás, o Ministério da Saúde já reconheceu que a compensação financeira aos enfermeiros especialistas é legítima, mas adiou qualquer decisão sobre a matéria para Setembro, explicando que tal medida só pode ser tomada depois de conhecidos os reais impactos das regras de descongelamento de carreiras.

 

"Faço notar que não estamos perante uma greve, que pressupõe a convocação e a fixação de serviços mínimos", frisou Campos Fernandes, recordando que o próprio bastonário da Ordem dos Médicos colocou dúvidas sobre o enquadramento legal do protesto. Para o ministro, "em matéria de assistência urgente os imperativos éticos sobrepõem-se a outro tipo de imperativos".

 

O governante mostra-se confiante no processo negocial que está a decorrer com os sindicatos a propósito dos enfermeiros especialistas, reiterando que o Governo "não pode ceder a movimentos espontâneos, pontuais".

 

"O que lamentamos é que a exigência intempestiva da alteração de uma carreira, que foi anulada por acordo entre o sindicato e o Governo em 2009, seja feita à queima-roupa, em cima do verão, num período em que há férias e ainda por cima sobre um alvo vulnerável da população que são as grávidas", frisou.

 

Apesar de o protesto estar a afectar vários blocos de parto, o ministro da Saúde diz que o SNS tem respondido "num quadro de partilha de meios" e que a segurança clínica tem sido assegurada. "Felizmente a grande parte dos enfermeiros tem tido uma atitude de enormíssima responsabilidade e tem salvaguardado o que é o seu dever ético", acrescentou em declarações à Lusa.

 

A Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, registou hoje "perturbações temporárias" no atendimento de urgência por falta de capacidade de resposta e número insuficiente de profissionais.

 

Num esclarecimento enviado à Lusa hoje ao início da tarde, o Centro Hospitalar de Lisboa Central, que integra a Maternidade Alfredo da Costa (MAC), admitiu que as perturbações na urgência obstétrica se prendem "com a capacidade de resposta e o número de profissionais nas equipas médica e de enfermagem". De acordo com a MAC, a normalidade na urgência deve ser reposta ainda hoje.




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comentários mais recentes
Anónimo Há 4 dias

Estás entaladinho? lá te vais safando com os serviços mínimos. Se fosse aos enfermeiros portugueses, fazia como os enfermeiros finlandeses, e apertava-os até te faltar o ar. E mesmo reconhecendo pela positiva as suas reivindicações vem com ameaças. Políticos de caca. De promessas está o povo cheio

Cantaropartido Há 5 dias

Oh Adalberto vai dar banho ao cão. O protesto dos Enfermeiros faz todo o sentido. Em primeiro lugar porque é a classe profissional mais mal paga dos técnicos superiores. Em segundo porque desempenham funções sobre as quais não recebem. Em terceiro lugar porque a fraqueza da classe é aproveitada por políticos da treta como este Adalberto. Enfermeiro com 30 anos de serviço, Licenciatura, efectivo e ganha mensalmente 1486.00!!!! Adalberto vai ver se o mar está encrespado porque podes estar a ser inundado de estupidez.

invicta Há 5 dias

Se o governo fosse do PSD, esta greve era muito acertada. Como é a geringonça, a greve já não presta. É sempre a mesma coisa: 2 pesos, 2 medidas! E irem caçar gambuzinhos?

É? TU TB ÉS PULHA Há 5 dias

Já q aceitaste ir para o governo d um pulha q exigiu a outro o q não exigiu a si próprio

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