Saúde Ministro da Saúde reconhece que falhará objectivo de redução de procura das urgências

Ministro da Saúde reconhece que falhará objectivo de redução de procura das urgências

Adalberto Campos Fernandes admitiu que a meta de redução de procura das urgências definida para este ano pelo Governo não será atingida. Por outro lado, o ministro da Saúde anunciou que o Hospital Pulido Valente terá 44 novas camas.
Ministro da Saúde reconhece que falhará objectivo de redução de procura das urgências
Miguel Baltazar
Lusa 02 de Novembro de 2016 às 17:36
O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, admitiu esta quarta-feira, 2 de Novembro, que não vai concretizar o objectivo de redução da procura de urgências hospitalares que tinha definido para este ano.

"Parece certo que não vamos diminuir como queríamos. Apesar de uma muito maior oferta de médicos de família, há uma tipologia de procura [das urgências hospitalares], que tem de ser estudada, talvez aumentando a resolutividade dos cuidados de saúde primários, dando respostas na hora", afirmou Adalberto Campos Fernandes.

Na semana passada, o jornal Público noticiava que, nos primeiros oito meses deste ano, se fizeram 4,3 milhões de atendimentos nas urgências, mais 200 mil do que no período homólogo do ano passado. Um aumento de 4,8% que contraria a redução de 3,7% prevista pelo Ministério da Saúde (menos 225 mil) até ao fim deste ano.

"Apesar de tudo a boa notícia é que, até Agosto, com mais 200 mil urgências registadas, o sistema respondeu sem nenhum tipo de ruptura. Estamos surpreendidos e não estamos satisfeitos", declarou o ministro da Saúde aos jornalistas, à margem da assinatura de um protocolo com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Adalberto Campos Fernandes julga que há uma fracção da procura das urgências hospitalares que não está dependente do aumento ou não de médicos de família, sendo antes uma procura para que o doente resolva mais depressa determinada necessidade.

Pulido Valente vai ter 44 novas camas de cuidados continuados 

O Hospital Pulido Valente, em Lisboa, vai ter 44 novas camas de cuidados continuados, um projecto em parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, isto de acordo com o protocolo assinado esta quarta-feira.

O ministro da Saúde reconhece que Lisboa e Vale do Tejo é a região mais carenciada na área dos cuidados continuados e espera chegar ao fim da legislatura com 80% das necessidades de camas já satisfeitas.

"As necessidades de Lisboa e Vale do Tejo estão estimadas em 2.300 camas. Com este passo apenas nos aproximamos das 1.400. É de facto uma zona muito carenciada, o que tem depois repercussão nos índices de procura dos hospitais e na demora média", afirmou o ministro aos jornalistas no final da assinatura do protocolo entre o Ministério da Saúde e a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa para a instalação da unidade de cuidados continuados.

Numa primeira fase, o Pulido Valente terá 44 camas de cuidados continuados, mas numa fase posterior pode chegar às 80, que integrarão a Rede Nacional dos Cuidados Continuados.

Também numa parceria com a Santa Casa, o antigo Hospital Militar da Estrela vai ter em funcionamento mais de 80 camas de cuidados continuados.

As obras para a instalação das novas camas de cuidados continuados no Pulido Valente vão ficar a cargo da Santa Casa e têm um custo estimado de 3,5 milhões de euros, segundo o provedor Pedro Santana Lopes, que adianta que esse investimento será depois contabilizado na redução da renda que deve ser paga ao Centro Hospitalar de Lisboa Norte.

As camas de cuidados continuados serão uma das valência do Parque de Saúde Pulido Valente -- o segundo parque de saúde de Lisboa -, que terá também duas novas unidades de saúde familiar, bem como mais consultas de especialidade e acréscimo de meios complementares de diagnóstico.



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