Ambiente Ministro diz que racionar água é "hipótese teórica"

Ministro diz que racionar água é "hipótese teórica"

O ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, admitiu hoje que o racionamento de água, devido à seca, é "uma hipótese teórica", mas não faz qualquer sentido pensar nessa medida agora, porque está "no fim da linha".
Ministro diz que racionar água é "hipótese teórica"
Miguel Baltazar
Lusa 21 de novembro de 2017 às 12:14
"As medidas de racionamento [de água] estão no fim do fim da linha e não faz nenhum sentido pensar nelas agora. Estamos a fazer tudo para que a água nunca falte, em conjunto com as autarquias, e o que é fundamental é as pessoas pouparem água", disse o ministro, em Évora.

Questionado pelos jornalistas sobre a entrevista do secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, publicada hoje no jornal i, em que admite o racionamento de água à noite, João Pedro Matos Fernandes disse tratar-se de uma "hipótese teórica".

O secretário de Estado, na entrevista, de acordo com o ministro, "admite a vaga possibilidade" desse racionamento de água, "durante algumas horas" por dia, em "algumas autarquias onde a água está mesmo quase, quase a faltar" e "em situações muito específicas".

A suspensão da água durante a noite é "uma hipótese teórica. Não é esse o nosso caminho", afirmou, esclarecendo também, caso a medida tenha de avançar, "não é o Governo que raciona".

"A decisão é sempre da autarquia" e trata-se de uma decisão que o Governo tem "quase a certeza" que não vai ser necessária, frisou o ministro, que falava aos jornalistas à margem da sessão de abertura da edição deste ano do Encontro Nacional de Entidades Gestoras de Água e Saneamento (ENEG), que hoje arrancou na cidade alentejana.

As medidas de racionamento, alertou o ministro, referindo que o secretário de Estado também alude a este ponto na entrevista, "conduzem, normalmente, a má gestão".

"Quando se fala em racionamento, a tendência natural das pessoas", em casa, é de, "encher todos os recipientes onde podem guardar água", mas, "quando no dia a seguir abrem a torneira e descobrem que há água, o que é que fazem? Esvaziam esses mesmos recipientes", afirmou, para exemplificar que essas medidas só devem ser adoptadas em último caso.

O Governo tem "repetido reiteradamente a mensagem de que é preciso poupar água" e "compromete-se que a água não vai faltar na torneira dos portugueses", insistiu.

Mas, para tal, avisou, é necessário "um grande apoio dos portugueses para pouparem água", desde "o comum dos cidadãos" até aos "industriais, entidades públicas, grandes consumidores de água".

As autarquias, que, na "quase totalidade das vezes", são quem gere a água que chega a casa dos habitantes, devem adoptar, "cada vez mais", "um conjunto de medidas para além da poupança pura e simples" desse recurso.

"Pode reflectir-se em lavar menos vezes as ruas" e "em encerrar as fontes ornamentais em que a água não é reciclada", indicou, como exemplo, retomando as declarações do secretário de Estado, que refere hoje "mais um conjunto de sugestões".

A campanha de sensibilização para a poupança de água lançada pelo Governo, realçou o ministro, também não deve ser entendida como uma medida dirigida "só ao imediato".

"A tendência que está aí e que todos vemos, das alterações climáticas, não nos obriga a poupar água só hoje, obriga-nos" também "a ter outros hábitos para, no futuro, consumir menos água", avisou.



A sua opinião7
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado JCG Há 2 semanas

Este fulano, que tem um ar patusco e uma voz que parece um sapo, não se tem calado nos últimos tempos fazendo afirmações completamente gratuitas.
Vamos lá encarar as coisas com alguma objectividade:
1ª é preciso captar e apresar mais água quando chover;
2ª é preciso desenvolver políticas de redução do consumo de água, incluindo alterações do padrão alimentar; Ao que parece, criar vacas para produzir leite e vitelos consome água que se farta. O pessoal que beba mais chá e menos leite e coma mais porco, peru ou frango e menos vitela;
3ª Havendo tanta água aqui mesmo ao lado - tanto mar - e tanto sol, não é possível pôr os 2 elementos a trabalhar para produzir água potável, ou seja, usar o calor do sol para dessanilizar água do mar?

comentários mais recentes
Anónimo Há 2 semanas

Os responsáveis do meu município pensam como o ministro.Não existe qualquer medida para poupar água nem sensibilização da população.Hoje só numa rua vi 3 carros a serem lavados com mangueira. É frequente ver-se lavagem de passeios com mangueiras.Pelos vistos a água aqui é infinita

Mr.Tuga Há 2 semanas

Nos países "ditos" 3º MUNDO a actuação em casos semelhantes é extraordinariamente MELHOR!!!
Estas afirmações legitimam o comportamento dos SEBENTOS TROGLODITAS. São espelho deste sitio ATRASADO e na cauda OCDE!
É o como afirmar: "penas pesadas para incendiários são hipótese teórica".

Mr.Tuga Há 2 semanas

Ou seja, está NÓDOA do "ambiente", em vez de passar a mensagem de gestão prudente e utilização racional da água que em alguns sítios nem sequer existe nas torneiras, passa a mensagem DESLEIXO E FACILISTISMO! Resumindo: é gastar a GRANDE que não vai haver cortes! É só uma "hipótese". VERGONHA!

Mr.Tuga Há 2 semanas

CREDO ?!?
Esta NULIDADE é M.AMBIENTE !?!? Num pais sério seria demitido JÁ !!!
O pais atravessa a maior seca da sua historia. Mas para este Sr.Gajo a "racionalização" deste PRECIOSO E ESCASSO recurso é "teoria".... Como sempre a espera da CALAMIDADE! Depois vai pedinchar e estender mão a UE...

ver mais comentários
Saber mais e Alertas
pub