Empresas Mira Amaral: “EDP é obviamente uma empresa do regime, como foi o BES”

Mira Amaral: “EDP é obviamente uma empresa do regime, como foi o BES”

O ministro da Energia nos governos de Cavaco Silva, que sempre alertou para o nível excessivo de rendas que o Estado paga à EDP, lamenta que o “engenho” que Mexia teve sobre Passos Coelho torne agora difícil resolver o problema.
Mira Amaral: “EDP é obviamente uma empresa do regime, como foi o BES”
Mira Amaral é um dos maiores críticos das rendas que Estado paga à EDP.
Negócios 17 de junho de 2017 às 16:53

"Como foram, numa fase, o BCP, o BES e a CGD, a EDP é, obviamente, uma empresa do regime", acusa Mira Amaral, antigo ministro da Indústria e Energia entre 1987 e 1995, nos governos de Cavaco Silva, em entrevista ao Dinheiro Vivo.

 

Questionado sobre se considera que o Estado tem estado capturado pela EDP, Mira Amaral diz que a teoria da captura se aplica às chamadas "empresas do regime", entre as quais integra a eléctrica liderada por António Mexia, "porque existe entre elas e o poder político uma cumplicidade que explica muito do que se tem passado", argumentou o antigo governante.    

 

O actual "chairman" da capital de risco da Busy Angels acusa Passos Coelho de não ter arriscado muito no ataque às rendas excessivas da EDP, como exigia a troika, fraquejando perante o poder de Mexia. "A gestão de topo da EDP teve a arte e o engenho de acenar este argumento às Finanças: ‘Vocês não cortem as rendas da EDP, que assim vale mais na privatização’. E eu sei o que a casa gasta nas Finanças", ironizou Mira Amaral.

 

Apesar de admitir que, "depois, pressionado pela saída de Henrique Gomes [então secretário de Estado da Energia]", fez alguns cortes nas rendas, considera que faltou a Passos a coragem de afrontar o novo dono da empresa.

 

"Fazê-los [os cortes] quando os chineses já eram accionistas legítimos da EDP é bem mais difícil do que se tivesse sido antes", nota, frisando que "foi esse o engenho que a gestão de topo da EDP teve sobre o governo".

 

As declarações de Mira Amaral ao Dinheiro Vivo surgem numa altura em que há uma investigação do Ministério Público sobre as chamadas rendas excessivas (que tem o nome pomposo de CMEC - Custos para a Manutenção do Equilíbrio Contratual) pagas pelo estado à EDP, que levou já à constituição como arguidos de uma série de actuais e antigos gestores da EDP e da REN, entre ao quais António Mexia, presidente da eléctrica controlada pelos chineses da China Three Gorges (CTG). 




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mais votado Anónimo 18.06.2017

Como é que se paga todo o excedentarismo e sobrepagamento em organizações como as da banca de retalho, do sector energético ou da administração pública? Com recurso a artimanhas como rendas abusivas, subsídios, isenções discricionárias, proteccionismo mafioso e portanto, com recurso à criação de um mercado, do laboral aos de bens e serviços, completamente distorcido. Quem perde são os consumidores, os inovadores, os empreendedores, os investidores e os contribuintes.

comentários mais recentes
Mr.Tuga 19.06.2017

Nem parece que andou "por lá"....
Tipico tugalitico: quando lá estão no tacho ou poleiro, caladinhos! Quando se reformam viram comentadores de tv, radio e jornaleiros e até lançam livros a denunciar...

Anónimo 18.06.2017

Um ministro que Cavaco não soube aproveitar, podem não gostar do Homem mas de que os tem no sitio, tem-nos.

Ciifrão 18.06.2017

O Mira Amaral tem esta fixação pela EDP, gosta de falar mal porque outros interesses o movem, o nuclear como toda a gente sabe.

Anónimo 18.06.2017

Nacionalizar ou estatizar o que supostamente seria admissível de ser nacionalizado ou estatizado numa óptica de serviço público e interesse nacional e incorporado no Sector Empresarial do Estado, como utilities, serviço postal, transportadora de bandeira, banco estatal, arsenal ou empresa de telecomunicações, é problemático em Portugal porque o Estado é mau gestor e segundo a versão oficial desse mesmo Estado, e seus sindicatos, se convencionou que não existe, existiu ou alguma vez existirá excedentarismo porque o mirabolante mote diz que não existem forças de mercado do sector público para dentro e por isso não se pode reestruturar uma organização portuguesa com recurso a despedimentos ou desalocação de oneroso factor produtivo trabalho que seja desnecessário e injustificável à luz dos mais básicos e elementares princípios da boa gestão lean, da racionalidade económica, do avanço tecnológico e das condições de oferta e procura reais existentes em dado momento ou período de tempo.

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