Europa Missão naval europeia provoca mais mortes por afogamento no Mediterrâneo

Missão naval europeia provoca mais mortes por afogamento no Mediterrâneo

Um relatório elaborado pelo Parlamento do Reino Unido concluiu que a operação naval Sophia, que tem como objectivo travar o tráfico humano no Mediterrâneo, tem contribuído para um aumento de mortes por afogamento na bacia mediterrânica.
Missão naval europeia provoca mais mortes por afogamento no Mediterrâneo
Reuters
David Santiago 12 de julho de 2017 às 12:41

A missão naval Sophia lançada pela União Europeia (UE) - em Agosto de 2015 - não está a cumprir o objectivo para o qual foi criada. É esta a conclusão de um relatório do Parlamento do Reino Unido que sustenta que em vez de travar o volume de tráfico de seres humanos no Mediterrâneo, esta operação naval está a contribuir para o aumento de afogamentos ao largo da bacia mediterrânica.

 

O relatório divulgado esta quarta-feira, 12 de Julho, pela Câmara dos Lordes sustenta que o afundamento de embarcações usadas por traficantes tem levado os mesmos a recorrer a barcos ainda menos seguros, "resultando em mais mortes no mar", segundo cita o site especializado em assuntos europeus EUobserver.

A operação Sophia foi lançada na sequência do naufrágio, em Julho de 2015, ao largo do mar líbio, já próximo da ilha italiana de Lampedusa, que provocou mais de 700 mortes.

 

De 2015 até ao momento, esta missão naval já retirou do mar 420 embarcações e deteve 109 contrabandistas e traficantes de seres humanos. E somente desde Janeiro último, escreve o EUobserver, morreram 2.206 migrantes na tentativa de chegar da Líbia a Itália.

 

Ainda assim nem todas as conclusões deste relatório são negativas para a missão Sophia, que desde a entrada em execução já terá salvo a vida a 30 mil pessoas. Contudo, realça o relatório, esta operação falhou o cumprimento do principal objectivo definido, o de desactivar as redes de tráfico de pessoas.

 

Os deputados britânicos identificam um erro de abordagem, notando que o tráfico de seres humanos tem início em terra e não no mar, pelo que defendem que a UE concentre esforços na prevenção.

O mandato definido para a missão Sophia faz referência a "esforços sistemáticos para identificar, capturar e eliminar" embarcações e activos que apoiem ou sejam suspeitos de apoiar acções de tráfico de migrantes.




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