África Moçambique supera Venezuela e passa a ter os juros da dívida mais altos no mundo

Moçambique supera Venezuela e passa a ter os juros da dívida mais altos no mundo

Os juros da dívida pública de Moçambique passaram a ser os mais altos do mundo esta semana, com 25,1 por cento ao ano, ultrapassando a Venezuela no lugar de país mais arriscado para investir no mundo.
Moçambique supera Venezuela e passa a ter os juros da dívida mais altos no mundo
Reuters
Lusa 02 de Novembro de 2016 às 11:01

De acordo com a evolução dos juros que os investidores exigem para transaccionar os títulos da dívida pública emitida em dólares, desde segunda-feira que o valor dos 'eurobonds' com maturidade em 2023 ultrapassaram a média dos juros das emissões de dívida da Venezuela.

 

Moçambique tornou-se, assim, o país mais arriscado para os investidores financeiros, de acordo com a evolução dos juros da dívida, um dos mais conhecidos indicadores da percepção do mercado sobre a segurança dos investimentos financeiros feitos num país.

 

O gráfico que mostra a evolução dos juros revela uma fortíssima subida desde a semana passada, quando o Ministério das Finanças fez uma apresentação aos investidores em Londres, na qual admitia a incapacidade para servir a dívida pública, nomeadamente a tranche de cerca de 38 milhões de dólares das obrigações da Empresa Moçambicana de Atum (Ematum), que foram convertidos em títulos de dívida soberana em abril.

 

Logo após a reestruturação da dívida da Ematum, foram conhecidas novas dívidas de empresas estatais, garantidas pelo Governo entre 2013 e 2014, e que tinham sido ocultadas nas contas públicas, levando à suspensão do apoio a Moçambique do FMI e dos principais parceiros internacionais.

 

Na apresentação, ao longo de 20 páginas, o Ministério da Economia e Finanças evidencia a incapacidade de pagamento das dívidas das empresas que realizaram empréstimos escondidos, assume que a dívida pública vai chegar a 130% do PIB este ano, e aproveita para rever em baixa a previsão de crescimento económico para 3,7%, afirmando também sem rodeios que as métricas da dívida são insustentáveis.

 

De acordo com as regras do FMI, não pode ser dada ajuda financeira a um país com 'debt distress', ou seja, com dívida em esforço ou problemática, e para avaliar esta dívida o FMI recorre a cinco indicadores.

 

"Actualmente, Moçambique fura todos os cinco indicadores para avaliar a sustentabilidade da dívida", assume o documento, que propõe, por isso, um conjunto de reuniões com os credores das empresas estatais Mozambique Assett Management e Proindicus.

 

O principal objectivo, agora, é "retomar as relações com o FMI para estabilizar a economia e restaurar a confiança da comunidade internacional", mas o Governo assume que "as discussões só podem recomeçar se Moçambique já não estiver na categoria de país com 'dívida em esforço' [debt distress, no original em inglês], o que implica que as finanças e a dívida pública têm de estar numa trajectória sustentável".

 

Definir a trajectória sustentável, renegociando os termos de pagamento da dívida, é o que o Governo se propõe fazer com os credores, tendo contratado a consultoria financeira e jurídica das britânicas Lazard Frères e White & Case LLP, respectivamente, que a partir de agora serão a face do Governo no contacto com os credores.

 

O prazo desejado por Moçambique passava pelo início das reuniões com credores ainda em Outubro, para depois em Novembro discutir o formato da reestruturação das dívidas, para chegar a um acordo em Dezembro e começar os pagamentos em Janeiro, a tempo de, no princípio do próximo ano, recomeçar as negociações com o FMI sobre um pacote de ajuda financeira.




A sua opinião1
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
A mim não me enganam Há 2 dias

Não ? ia jurar que ainda há um par de meses andava na comunicação social notícias sobre o el-dorado de moçambique ( gás natural, vida dos portugas lá etc etc, e o marcelo a dançar etc etc) - claro que a mim não me enganam - fiz no LICEU SALAZAR o 3º e 4º ano dos liceus e sei bem quem são

pub