Conjuntura Montepio: Economia portuguesa continua a dar sinais positivos

Montepio: Economia portuguesa continua a dar sinais positivos

Entre os dados mais recentes sobre a economia portuguesa, o Montepio destaca as "melhorias no mercado de trabalho e no mercado de crédito". A nota negativa vai para as exportações líquidas que terão dado um pior contributo para o crescimento do PIB no segundo trimestre.
Montepio: Economia portuguesa continua a dar sinais positivos
O contributo das exportações líquidas terá sido negativo no segundo trimestre
Bruno Simão
Nuno Carregueiro 28 de agosto de 2017 às 15:26

Os últimos indicadores que têm sido publicados sobre o andamento da economia portuguesa revelam "leituras tendencialmente positivas", revela o Departamento de Estudos do Montepio, no relatório semanal publicado esta segunda-feira, 28 de Agosto.

 

A equipa de economistas do banco destaca sobretudo as "melhorias no mercado de trabalho e no mercado de crédito", bem como da evolução do défice orçamental.

 

Desemprego em mínimos

No mercado de trabalho o Montepio assinala a nova descida mensal do desemprego registado em Julho, renovando mínimos desde Dezembro de 2008, embora podendo não ser suficiente para implicar uma descida da taxa de desemprego no mês de Julho.

 

Os dados referentes ao mês passado vão ser publicados em breve pelo INE, sendo que em Junho a taxa de desemprego recuou duas décimas para 9%, o que corresponde ao valor mais baixo desde Novembro de 2008.

 

Crédito cai menos

No que diz respeito ao mercado de crédito, o financiamento ao sector privado não financeiro recuou 0,1% em Junho, o que traduz uma queda menos intensa do que no mês passado (-0,3%) e continua "a evidenciar uma tendência de fundo de desagravamento, dado que, desde Agosto de 2014, apresenta apenas nove agravamentos do ritmo de descida", refere o Montepio.

 

O banco destaca que a queda no financiamento às empresas desceu para metade (-0,2% em Junho) e às famílias atenuou para -0,3%, o que representa o menor ritmo de descida desde Abril de 2011. "Não obstante a tendência de alívio observada em alguns segmentos ao longo dos últimos meses, estes dados continuam a evidenciar uma descida do crédito, mantendo-se como um constrangimento para a actividade económica, embora já bem inferior ao que foi no passado", refere o Montepio.

 

Exportações líquidas com contributo negativo

No comércio internacional os dados são menos positivos, já que apesar de o saldo da balança corrente ter melhorado em Junho, o excedente da balança de serviços está a reduzir-se mais do que a melhoria do défice da balança de bens.

 

Assim, "numa óptica de contributo para o crescimento do PIB, os dados foram menos favoráveis", com o Montepio a estimar que "em termos reais, as exportações líquidas de bens e serviços tenham apresentado um contributo negativo para o crescimento do PIB no segundo trimestre". A confirmar-se, será invertida a tendência de forte contributo positivo apresentado no primeiro trimestre deste ano, que foi de 0,8 pontos percentuais.

 

O PIB de Portugal cresceu 2,8% no segundo trimestre deste ano, repetindo o crescimento homólogo verificado nos primeiros três meses do ano.

 

O Montepio melhorou recentemente a sua estimativa para o crescimento da economia portuguesa em 2017, que se situa agora em 2,5%.

 

Défice baixa para 1,5% este ano

Por fim, o Montepio analisa também os dados da execução orçamental dos primeiros sete meses do ano, que "revelam resultados mais favoráveis do que os apresentados um ano antes, contrariando a situação que se observava até ao mês de Junho".

 

O saldo provisório das administrações públicas até Julho é negativo em 3.763 milhões de euros, o que traduz uma melhoria de mais de mil milhões de euros face ao mesmo período do ano passado.

 

As previsões do Montepio apontam para que o défice orçamental deste ano se situe em 1,5% do PIB, em linha com a estimativa do Governo e abaixo do registado em 2016 (défice de 2% do PIB).




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mais votado Anónimo Há 3 semanas

Eu gostaria é que alguem explicasse como raio o defice publico tem vindo a baixar e o ritmo anual de endividamento do Estado tem vindo a subir assustadoramente. Em teoria, a um defice das contas publicas menor corresponderia uma necessidade menor de pedir emprestado mas está a acontecer precisamente o contrário. Desconfio que a explicação é simples, as contas estão todas marteladas para estrangeiro comer.

comentários mais recentes
Que horror, não pode ser Há 3 semanas

Exigimos ser miseráveis e pobrezinhos, que noticia horrível

bucks Há 3 semanas

Se a Alemanha está mal, aqui está melhor? Devem fumar muito canhão...Isto??

Anónimo Há 3 semanas

Eu gostaria é que alguem explicasse como raio o defice publico tem vindo a baixar e o ritmo anual de endividamento do Estado tem vindo a subir assustadoramente. Em teoria, a um defice das contas publicas menor corresponderia uma necessidade menor de pedir emprestado mas está a acontecer precisamente o contrário. Desconfio que a explicação é simples, as contas estão todas marteladas para estrangeiro comer.

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