Monti volta a opor-se à Alemanha e pede mais acção do BCE
01 Agosto 2012, 17:22 por Diogo Cavaleiro | diogocavaleiro@negocios.pt
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O primeiro-ministro italiano pretende tirar partido da afirmação de que Mario Draghi vai fazer tudo o que for necessário para preservar a Zona Euro. Por isso, continua a pedir uma licença bancária aos fundos de resgate europeus. A Finlândia e a Alemanha mostram-se contra.
O mesmo dia, duas declarações opostas: uma da Alemanha, outra de Itália. No mesmo dia em que o governo de Angela Merkel veio dizer que pedir uma licença bancária para os fundos de resgate da Zona Euro não era o caminho certo, Mario Monti veio defender que tal pedido é positivo.

“Acho que isto iria ajudar, e penso que vai, no devido tempo, acabar por ocorrer”, afirmou o primeiro-ministro italiano, após uma reunião com o congénere finlandês Juyrki Katainen, em declarações recolhidas pela agência Bloomberg.

Ao adquirir uma licença bancária, o futuro fundo de resgate permanente, o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), poderia financiar-se directamente no Banco Central Europeu (BCE) aliviando os receios de que não fosse capaz de cobrir as necessidades com eventuais resgates.

Monti defendeu, segundo a Bloomberg, que esta licença poderá acalmar os mercados, que demoram a “reconhecer os esforços e os resultados alcançados por Itália e por outros países”. Ao seu lado, estava o primeiro-ministro finlandês que, tal como os responsáveis alemães, não se mostra favorável a esta licença bancária ao MEE. “Temos sido bastante críticos destas operações no mercado secundário pelos fundos de resgate já que não acreditamos que seja a forma certa de usar dinheiro”, afirmou Katainen.

A declaração de Monti, em Helsínquia, acontece no mesmo dia em que o ministro da economia da Alemanha, Philip Rösler, indicou que o governo alemã pensa que “licença bancária não pode ser o caminho” a seguir.

Ao mesmo temo, foi hoje publicada uma entrevista do presidente do banco central alemão, o Bundesbank, em que Jens Weidmann argumentou que o BCE não deve “ultrapassar o limite” do seu mandato, ou seja, indicou que a autoridade monetária se deve remeter a preocupar com a inflação e não em combater a crise da dívida.

Licença bancária: uma discussão intensificada por Nowotny

A discussão em torno da licença bancária ao fundo de resgate europeu ganhou força com Ewald Nowotny, membro do conselho de governadores do BCE, que assinalou argumentos a favor da medida que iria permitir ao MEE comprar dívida pública no mercado secundário.

A compra de dívida no mercado secundário teria, como consequência provável, a redução das rendibilidades pedidas pelos investidores para trocar obrigações. Neste momento, as obrigações de Itália e Espanha estão a ser trocadas pelos investidores por elevadas taxas de juro implícitas. As taxas pedidas no mercado secundário são um indicador para as taxas que os investidores vão depois pedir no mercado primário, onde o Estado vai directamente ao mercado vender dívida. E as maiores taxas de juro implícitas nesse mercado primário representam maiores custos de financiamento para os países. O que dificulta o equilíbrio orçamental dos países, já de si bastante endividados.

Ao adquirir uma licença bancária, o MEE poderia comprar obrigações no mercado secundário e, ao mesmo tempo, pedir novos empréstimos ao BCE, de modo a obter mais recursos e comprar mais obrigações. O que, dizem os seus defensores, iria reduzir as taxas de juro implícitas.

A declaração de Mario Draghi, ao mostrar-se pronto a fazer tudo o que for necessário para manter a Zona Euro, trouxe especulação de que seria mesmo atribuída uma licença bancária ao MEE.

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