Conjuntura Moody’s: Orçamento pode complicar consolidação futura

Moody’s: Orçamento pode complicar consolidação futura

Em causa, de acordo com a agência de notação financeira, está o compromisso com despesas plurianuais levado a cabo na proposta do Governo para o ano que vem. A agência prevê uma subida do défice para 2% em 2018, o dobro da meta do Governo.
Moody’s: Orçamento pode complicar consolidação futura
Bloomberg
Paulo Zacarias Gomes 20 de outubro de 2017 às 14:15
A agência de notação Moody’s considera que a proposta de Orçamento do Estado para 2018 pode dificultar a consolidação nos próximos anos, dados os compromissos de despesa para vários anos que estão incluído no documento.

"A postura de flexibilização do orçamento pode criar desafios à consolidação orçamental nos próximos anos. Por exemplo, compromissos de gastos plurianuais em simultâneo com reduções de de impostos vão acrescentar rigidez a futuros orçamentos. No médio a longo prazo, isto poderá acrescentar pressão nas contas públicas, em particular se o crescimento for menor que o esperado," refere a nota divulgada esta sexta-feira, 20 de Outubro.

No Orçamento, o governo assume compromissos orçamentais para 2019 pelo menos em três áreas: a descida de IRS de 2018 cujo efeito nas receitas se sentirá em parte em 2019 (num valor que pode prejudicar a receita em 200 milhões de euros); o aumento extraordinário de pensões que ocorrerá em Agosto de 2018, implicando um aumento de despesa ainda maior em 2019 (ano que que serão pagas o ano inteiro, podendo acrecentar qualquer coisa como 40 milhões de euros à despesa); e o descongelamento gradual das carreiras, que este ano custa cerca de 211 milhões de euros em termos líquidos, podendo acrescentar outro tanto em 2019. 

"Apesar de um número de medidas orçamentais dispendiosas, a perspectiva de crescimento favorável apoiará uma tendência decrescente da dívida no horizonte das previsões. Dito isto, o orçamento poderá complicar a consolidação futura, dados os seus compromissos de despesa de curto prazo," acrescenta.

No documento, em que a agência analisa a proposta orçamental, a Moody’s refere que o esboço orçamental inclui uma quantidade de medidas dispendiosas do lado da receita e da despesa, como o descongelamento das carreiras na Função Pública, a actualização das pensões, as reformas antecipadas para carreiras longas e o aumento da despesa com prestações sociais.

"As medidas de despesa significam um total de 427 milhões de euros, que excedem largamente as medidas de aumento de receita de cerca de 55 milhões de euros," escreve a agência de rating. 

A Moody’s assume ter previsões mais conservadoras que as do Governo de António Costa para o défice, em particular por desconfiar das promessas de redução de despesa dificeis de concretizar, como a redução com do peso da factura salarial do Estado, de 11,1% do PIB para 10,8% do PIB, o congelamento de consumos intermédios, e de outras medidas previstas no exercício de revisão de despesa.

Mas a agência também está mais pessimista quanto ao dinamismo da economia, e logo da receita fiscal e contributiva, antecipando um crescimento de 1,7% em 2018 (contra 2,2% previstos pelo Governo), o que traduz um abrandamento face aos 2,5% que antecipa para este ano.

Contas feitas a todos estes factores a empresa de notação de risco apresenta previsões de défice significativamente diferentes das do Governo: 1,8% este ano (contra os 1,4% antecipados por Mário Centeno), que se agravam para 2% do PIB em 2018, o dobro da meta do Executivo.

Ainda assim, a Moody's prevê que a trajectória da dívida desça a partir deste ano, ainda que a um ritmo ligeiramente mais lento que o previsto na proposta orçamental - sensivelmente acima dos 124% contra 123,5% previstos pelo Governo.

(notícia actualizada às 14:26 com mais informação)



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mais votado Anónimo Há 4 semanas

Pedidos à CGA para a reforma no inicio do ano ainda continuam a aguardar despacho. Vergonha. Há outra Troika escondida em Portugal. Tudo vale para a meta do défice!!! Senhores jornalistas investiguem, se está tudo assim tão bem?

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pertinaz Há 3 semanas

MAS COMO...???... O DESGOVERNO TEM TUDO SOB CONTROLE... ATÉ A COMUNICAÇÃO SOCIAL...!!!

Anónimo Há 4 semanas

Por favor não estraguem o Regabofe deste desgoverno.

AMANHÃ UPA UPA UPA : BCP = 0.30 Há 4 semanas

MAS 2 feira já não brincam porque hoje ás 21h00 a DBRS vai voltar a subir os RATINGS de PORTUGAL e do MILENIUM BCP e também para a semana o BCE vai subir os juros e não mais irão parar de subir

Anónimo Há 4 semanas

"que se lixem as empresas de ratting". Assim dizia Centeno, Costa, Catarina e Jerónimo. Agora é que vamos ver quem os tem no sitio. "Palavra dada é palavra honrada"

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