Finanças Públicas Mourinho Félix: “Uma dívida de 120% é gerível”

Mourinho Félix: “Uma dívida de 120% é gerível”

O secretário de Estado Adjunto e das Finanças defende, em entrevista ao Jornal Económico, que embora a dívida esteja ainda num nível elevado, é gerível. A almofada financeira é para manter e é possível que ainda este ano seja feito um novo pagamento ao FMI.
Mourinho Félix: “Uma dívida de 120% é gerível”
Miguel Baltazar
Negócios 20 de outubro de 2017 às 11:08

"Claro que seria melhor enfrentar os riscos externos com 60% de dívida do que com 120%. Mas, embora seja um nível elevado, é gerível", afirmou ao Jornal Económico o secretário de Estado adjunto e das Finanças. Mourinho Félix salienta que o Governo prevê uma descida da dívida de oito pontos percentuais em dois anos e admite que "enquanto estivermos acima de 100%, obviamente que há aqui uma vulnerabilidade". Ainda assim, as evoluções positivas deverão levar a "boas notícias a relativamente breve trecho de uma das duas [agências de rating] que faltam".

 

Recorde-se que em Setembro a Standard & Poor’s surpreendeu as expectativas do mercado e subiu o "rating" de Portugal de BB+ para BBB-, retirando a nota do país de "lixo". A 15 de Dezembro será a vez de a Fitch vir também dar o seu veredicto e no início de Janeiro de 2018 conheceremos a decisão da Moody’s, sendo que uma e outra melhoraram já a perspectiva para o "rating" de Portugal de estável para positiva.

 

"Quando as duas agências de rating que mantêm Portugal ainda num nível de investimento especulativo passarem para um nível de investimento, Portugal vai entrar num conjunto de índices de dívida soberana internacional. Vai haver compras às cegas", acredita Mourinho Félix.

 

Apesar das boas perspectivas, e de ser expectável que o país possa beneficiar "de taxas de juro relativamente baixas" durante pelo menos um ano", manter-se-á "a estratégia de ter uma almofada financeira que nos permita viver com desafogo, se houver algum evento que cause perturbação nas taxas" de juro, afirma o secretário de Estado. Já acelerar a redução do défice, diz, seria um erro.

 

Também os pagamentos antecipados ao FMI são para manter e Mourinho Félix diz que, "tendo em conta a execução orçamental, é possível que ainda este ano se possa fazer mais um pagamento. Estamos a avaliar." 




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