Economia "Não fiquem à espera de receber, vão à luta"

"Não fiquem à espera de receber, vão à luta"

O sucesso da Associação Leque tem sido encontrar novas fontes de receitas para tornar a sua instituição auto-sustentável no caminho de transformar o mundo mais inclusivo.
"Não fiquem à espera de receber, vão à luta"
Ana Torres Pereira 30 de novembro de 2012 às 11:00

Há um "Leque" de necessidades para transformar o mundo num espaço mais inclusivo. Celmira Macedo agarrou o desafio e criou a associação há três anos e já ajudou mais de 200 famílias com necessidades especiais. "Estamos na linha da frente em relação a outras IPSS [Instituições Particulares de Solidariedade Social], porque trabalhamos desde o primeiro dia em rede e em parceria, aproveitando os recursos da sociedade", contou ao Negócios, a líder da Associação Leque.

A ideia de criar a Leque surgiu em 2005, quando Celmira Macedo concluiu a sua tese de doutoramento sobre pessoas com necessidades especiais. "Deparei-me com várias conclusões: só havia um cuidador para cada 500 crianças, não havia gabinete de apoio às famílias e não havia formação para pais". Com este cenário, a primeira preocupação de Celmira Macedo foi investir precisamente na formação.

Três meses depois, a investigadora e professora juntou-se a alguns pais para criar o que é hoje a Associação Leque. "Em 2010 tínhamos a valência de formação parental e abrimos o primeiro centro de atendimento do Norte, para 30 pessoas", contou a mesma responsável.

Desde o primeiro dia, a palavra de ordem foi a auto-sustentabilidade como forma de sobrevivência. A Leque ainda não conta com ajuda da Segurança Social, mas Celmira Macedo admite que "assim que o acordo com a Segurança Social for assinado, metade dos nossos problemas terminam". A falta de enquadramento legal da associação e a falta de legislação tem obrigado a uma análise mais morosa, mas a presidente da Leque espera que "em breve" esse acordo seja selado.

Ainda sem o apoio do Estado, esta IPSS tem-se candidatado a prémios, tentado angariar donativos e gerar novas receitas para continuar a atingir o seu objectivo da sustentabilidade.

Celmira Macedo sabe que no Terceiro Sector a "palavra lucro é tabu", mas a presidente da Leque evidencia que "o lucro serve para auto-alimentar a instituição".

A pensar na sua sustentabilidade, a Leque está a preparar o lançamento de uma empresa social, "uma ideia inovadora neste sector" destinada ao fabrico de brinquedos e outros materiais. "A empresa de brinquedos irá avançar em parceria com a EDP e o Montepio e vamos abrir às pessoas da comunidade e da sociedade", detalhou a responsável. Neste momento, já está em curso o projecto piloto e a empresa deverá abrir portas no final de 2013. "Queremos gerar mais receitas com projectos inovadores", acrescentou.

Com o prémio que recebeu da EDP e da Fundação António da Mota, a Leque está a preparar a abertura de um lar residencial e de um centro de lazer.

A Leque conta com oito pessoas, dois contratados e a restante equipa em regime permanente de voluntariado. Além disso, a associação conta com mais 12 pessoas voluntárias e uma bolsa anual de 60 voluntários. E a meta é crescer. Celmira Macedo está convicta que o projecto Leque é replicável pelo País. "Vamos abrir em Vinhais, em Murça e em Mirandela e se "alguém quiser um Leque, nós vamos para lá, porque queremos alargar o Leque".

Para as restantes IPSS, Celmira Macedo deixa um conselho: "não fiquem à espera de receber, é preciso ter ideias inovadoras e criar empresas de negócios sociais. Vão à luta", apela.

 

 

Bilhete de Identidade

Onde?

A Associação Leque nasceu no Norte, mais precisamente na Alfândega da Fé. O objectivo é criar mais "Leques" no País.

O quê?

"Um leque de soluções para um leque de problemas" é o lema da associação que pretende ajudar pais, amigos e crianças com necessidades especiais.

Quantos?

A Leque conta com oito pessoas, duas contratadas e as restantes voluntárias permanentes. Isto, para além de 12 voluntários e uma bolsa com outros 60 voluntários.

Novos projectos

Empresa solidária de brinquedos e centro de lazer.


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comentários mais recentes
Anónimo 01.12.2012

Fantástico o trabalho da Celmira Macedo! Parabéns!

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