Economia New York Times: Portugueses são os mais "complacentes" com austeridade

New York Times: Portugueses são os mais "complacentes" com austeridade

A população portuguesa é a mais "complacente" entre os diversos países da "zona de austeridade" na Europa, "pouco protestando" contra os cortes orçamentais ou aumentos de impostos, escreve hoje o "New York Times".
Lusa 08 de Junho de 2012 às 18:57
Numa reportagem feita em Portugal, com chamada à primeira página do influente diário norte-americano, o jornalista Scott Sayare relata encontros com pequenos comerciantes, com uma empresa de mobiliário a atravessar dificuldades, a Tema Home, e com o sociólogo António Barreto, entre outros.

"A avaliação de cabeça fria" feita por um pequeno comerciante de que "as coisas podiam estar piores" é "um sumário fiel da abordagem [de Portugal] à crise do euro", escreve Sayare.

Na Grécia, a austeridade "na mesma linha" da vivida em Portugal "desencadeou o caos e a fúria nas ruas de Atenas e levou à escalada do extremismo político".

Ainda assim, "a maioria das pessoas na zona de austeridade - que inclui Irlanda, Grécia e Portugal -- parece aceitar o fardo. Mesmo os irlandeses, que esporadicamente se rebelaram contra o seu governo, aprovaram o tratado fiscal da União Europeia por uma margem saudável".

"Talvez em nenhum outro lado, contudo, as pessoas estão tão submissas como em Portugal. Mês após mês, o governo implementou cortes orçamentais, aumentos de impostos e leis laborais mais flexíveis exigidas pelos seus credores internacionais, com poucos protestos dos portugueses", escreve o jornalista do "New York Times".

O sociólogo António Barreto afirmou ao diário norte-americano que "esta geração não quer perder o que tem, adoptando um misto de "complacência e sabedoria".

Apesar da avaliação positiva do Fundo Monetário Internacional no cumprimento do programa de ajuda externa, refere o jornal, a "paciência" dos portugueses será testada nos próximos anos, com a contínua subida do peso da dívida pública em relação ao PIB e taxas de juro nos mercados em dois dígitos.

Com uma circulação média diária de 1,6 milhões de exemplares, o "New York Times" é o terceiro diário mais lido nos Estados Unidos, atrás do "Wall Street Journal" e "USA Today".



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Anónimo 11.06.2012

e depois a melhor segurança social para qualquer português sempre foi a sua própria família. Qual Estado qual quê!!

Para além disso, se não fosse esta crise não estariamos todos a fazer o balanço da nossa economia e das medidas políticas tomadas nestes últimos 20 anos.

Acredito que os Portugueses vão sair desta crise a saber mais sobre a economia da nação, a organização e os poderes das diferentes estruturas do Estado e sobre as boas políticas. E quando a tormenta amainar ninguém vai querer o modelo de desenvolvimento económico e social que nos andaram a vender.

Anónimo 11.06.2012

e depois a melhor segurança social para qualquer português sempre foi a sua própria família. Qual Estado qual quê!!

Para além disso, se não fosse esta crise não estariamos todos a fazer o balanço da nossa economia e das medidas políticas tomadas nestes últimos 20 anos.

Acredito que os Portugueses vão sair desta crise a saber mais sobre a economia da nação, a organização e os poderes das diferentes estruturas do Estado e sobre as boas políticas. E quando a tormenta amainar ninguém vai querer o modelo de desenvolvimento económico e social que nos andaram a vender.

Olho Vivo 10.06.2012


Quem supuser que o povo português profundo é como uma mula de carga que tudo suporta impunemente, está perigosamente enganado ...

Os portugueses são um povo com características muito próprias e ímpares.

Parece receberem todos os sacrifícios e vexames que lhes são impostos com uma aceitação totalmente resignada.

Porém, isso é apenas aparente !

Este mesmo povo, que Rafael Bordalo Pinheiro plasmou metaforicamente na figura humilde do Zé Povinho, assim como em várias outras gravuras, em que o reproduziu com uma albarda às costas e toda a corja de nobres inúteis e parasitas montada sobre ele, esse mesmo povo põe, quando menos se espera, limites às violências de várias ordem que sobre ele são exercidas e de um modo desabrido, muito desabrido.

Esse ("bom") povo português foi o mesmo que, durante os primeiros tempos da República, como resultado do parasitismo de que fora alvo, por parte de uma nobreza arruinada, mas petulante e inútil, se revoltou e cometeu as maiores barbaridades.

Esse mesmo ("bom") português foi o mesmo que, durante a guerra civil entre miguelistas e liberais, levou a cabo enormes atrocidades, de filhos em relação a pais, de pais em relação a filhos e de irmãos em relação a irmãos, desde que se situassem em campos opostos.

Cautela, pois, porque este povo não é tão pacífico como parece !

Parece ser insensível às afrontas que lhe fazem e suportar tudo estoicamente sem bulir, mas tudo aquilo que lhe fazem e que lhe ofende a dignidade não se esfuma, mas fica registado, só até que a tampa da panela não suporte mais fervura.

Então salta tudo cá para fora com um ímpeto irreconhecível e até de um modo que poderá parecer desproporcionado, em relação aos agravos do próximo passado.


Vegan 10.06.2012

O problema é q agora o país foi de tal forma saqueado pelas elites, e tão isolado pela Europa que não resta nada a ganhar...a n ser as dívidas...a não ser q uma revolução faça perdoar a dívida externa, tal como foi perdoada, parcialmente, na Grécia....

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