Mundo Nobel da Paz atribuído a campanha para abolir armas nucleares

Nobel da Paz atribuído a campanha para abolir armas nucleares

O prémio Nobel da Paz foi hoje atribuído à Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (ICAN, em inglês), informou o Comité Nobel norueguês.
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Filomena Lança 06 de outubro de 2017 às 10:07

O prémio Nobel da Paz foi hoje atribuído à Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (ICAN, em inglês), informou o Comité Nobel norueguês. 

A ICAN é uma organização não governamental que tem vindo a efectuar um trabalho relevante no sentido de chamar a atenção para as consequências potencialmente catastróficas para a humanidade decorrentes do uso de armas nucleares e de conseguir uma proibição da utilização dessas armas.

"Vivemos num mundo onde o risco de as armas nucleares serem utilizadas é mais elevado do que nunca. Alguns países modernizaram os respectivos arsenais nucleares e o perigo de mais países procurarem tê-los é real, como é o caso da Coreia do Norte", afirmou a presidente do Comité Novel norueguês, Berit Reiss-Andersen no anúncio do laureado.

 

Reiss-Andersen apelou, por isso, às potências nucleares para que encetem "negociações sérias" para eliminar todas as armas atómicas.

 

Na sua página do Facebook, a ICAN reagiu afirmando que "este prémio é uma homenagem aos esforços incansáveis ??de muitos milhões de activistas e cidadãos preocupados em todo o mundo que, desde o início da era atómica, protestaram fortemente contra as armas nucleares, defendendo que estas não servem qualquer propósito legítimo e devem ser completamente banidas".

É também "um tributo aos sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki e às vítimas de explosões de testes nucleares em todo o mundo, cujos testemunhos impressionantes" foram "fundamentais" para se ter conseguido o recente acordo de proibição de armas nucleares.

O acordo em questão foi uma das mais recentes acções da ICAN. Trata-se do primeiro tratado global para proibir as armas nucleares, um acordo considerado histórico e através do qual os 120 estados signatários se comprometem entre outras coisas a não desenvolver, adquirir, armazenar, usar ou ameaçar usar armas nucleares ou outros dispositivos explosivos nucleares. 

 

Apesar de o acordo ter sido assinado nas Nações Unidas, ficaram de fora as principais potências e o tratado teve uma forte oposição por parte dos países com capacidade nuclear, que boicotaram as negociações. A NATO veio mesmo lamentar a adopção do tratado pela ONU, considerando que este "ignora" a complexidade das ameaças à segurança global.

A atribuição do Nobel à Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares surge numa altura de tensão crescente entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte, com este último país a anunciar frequentes ensais nucleares e a ensaiar lançamentos de mísseis balísticos. Por outro lado, também o acordo nuclear com o Irão, assinado em 2015, está por um fio. Esta quinta-feira, 5 de Outubro, o jornal Washington Post escrevia que Donald Trump se prepara para anunciar, na próxima semana que o acordo não está a ser cumprido e que não é do interesse dos EUA, pedindo ao Congresso que actue em conformidade.

Este ano foram propostas 318 personalidades e organizações para receber o prémio. Da lista constavam os "Capacetes Brancos" sírios - apontados como os principais candidatos ao prémio -, o médico Denis Mukwege, do Congo, Raef Badaui, bloguer detido na Arábia Saudita ou o americano Edward Snowden.

 

Em 2016 o Prémio Nobel da Paz foi atribuído ao presidente colombiano, Juan Manuel Santos, por seus esforços para um acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). 


(notícia actualizada às 11:00 com mais informação)

 




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