Finanças Públicas Número de países com crises de dívida pública subiu de 22 para 27 em 2016

Número de países com crises de dívida pública subiu de 22 para 27 em 2016

O número de países com crises de dívida subiu de 22 para 27 em 2016, e há mais 80 em risco de entrarem em crise, incluindo vários lusófonos, segundo dados da Campanha para o Jubileu da Dívida (CJD).
Número de países com crises de dívida pública subiu de 22 para 27 em 2016
Bruno Simão
Lusa 16 de maio de 2017 às 00:56

Os números, divulgados por esta organização não governamental (ONG) britânica dedicada a "libertar os povos da dívida" mostram que "há 27 países em todo o mundo a atravessar uma crise de dívida" pública, incluindo os lusófonos Moçambique e Portugal. Além destes, há "mais 80 em risco de evoluírem para esse estado".

 

Entre os países que estão em risco de entrar em crise está São Tomé e Príncipe, sendo que o Brasil arrisca uma crise de dívida privada e Angola e Cabo Verde estão em risco de sofrerem uma crise de dívida pública ou privada, segundo a CJD.

 

"Há demasiados países em esforço por causa de níveis insustentáveis do serviço da dívida, e isso tem um custo para os serviços públicos e para o cumprimento das mais básicas necessidades humanas", disse o economista da CJD Tim Jones, citado no relatório.

 

"Em vez de resolverem estes problemas, instituições como o Fundo Monetário Internacional perpetuam estes problemas porque emprestam mais dinheiro a países em crise, resgatando financeiramente credores irresponsáveis, enquanto as pessoas sofrem", acrescentou o economista, defendendo que estes "devem ser obrigados a reduzir a dívida".

 

Os dados, disponíveis na página da CJD, mostram que "o mundo está mal preparado para uma nova vaga de crises da dívida", sublinha o economista, apresentando duas razões.

 

Primeiro, "por causa do falhanço na criação de um processo justo e transparente de reestruturação da dívida para as dívidas públicas", e depois porque "faltaram acções para fortalecer a regulação dos empréstimos bancários e os controlos nos movimentos financeiros transfronteiriços".

 

A CJD já em Março tinha alertado para a necessidade de uma nova abordagem ao problema da dívida pública em Moçambique, colocando aliás este tema em destaque no seu site.

 

"A única saída sustentável para a crise económica de Moçambique é aplicar uma muito maior transparência e responsabilidade nos empréstimos, garantir que qualquer ajustamento recai sobre aqueles que têm capacidade para pagar, e que Moçambique não fica apanhado numa dívida insustentável", lê-se num documento enviado em março à diretora-executiva do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde.

 

A missiva, impulsionada pela CJD mas assinado por dezenas de organizações moçambicanas e internacionais, defende um "conjunto de medidas que devem ser todas implementadas antes de o FMI retomar os empréstimos ao Governo de Moçambique", e que incluem, entre outras, a realização de uma auditoria e de uma análise de viabilidade económica das empresas públicas Proindicus, Ematum e MAM.

 

O objectivo geral do pedido feito ao FMI é que esta entidade obrigue a que sejam tomadas medidas que ataquem não apenas o montante da dívida que Moçambique deve pagar, mas antes que force um conjunto de medidas que garantam que uma situação semelhante não possa volta a acontecer.

 

Além da criação de uma lei que "responsabilize de facto os políticos pelas suas acções", o grupo defende ainda a proteção dos mais desfavorecidos e um compromisso sobre a manutenção da despesa pública destinada a programas sociais, "incluindo educação, saúde, água e agricultura".

 

O combate à corrupção através de medidas concretas, a renegociação dos megaprojectos no que diz respeito aos impostos a pagar pelas empresas, e a garantia de que os impostos não serão aumentados são outras das propostas deste grupo, que propõe também uma nova reestruturação da dívida moçambicana.


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comentários mais recentes
A Razao pra isso?.... Perguntem ao Cuelho! Há 6 dias

Perguntem ao chefe Cuelho, ao xperto Montepreto, ao Bacaro,a insuperavel e insuspeita swpeira Mary LOO,
aos merceeiros do costume ou ao inefavel Carreira q esta troupe, muito competente, ha muito decretou: A CULPA FOI DO SOCRATES!

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