Segurança Social Número de pensionistas do Estado caiu pela primeira vez desde 1969

Número de pensionistas do Estado caiu pela primeira vez desde 1969

No ano passado, aposentaram-se do Estado apenas 8.727 pessoas, o número mais baixo desde 1993. O valor médio das novas pensões recuou pelo terceiro ano seguido. Está abaixo dos mil euros.
Número de pensionistas do Estado caiu pela primeira vez desde 1969
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Marta Moitinho Oliveira 08 de junho de 2017 às 12:29
O número de novas aposentações no Estado foi de "apenas 8.727" pessoas no ano passado, o valor mais baixo desde 1993, permitindo assim uma redução histórica no universo de pensionistas da Caixa Geral de Aposentações (CGA). Pela primeira vez desde 1969 este universo reduziu-se. Os novos pensionistas do Estado têm também pensões mais baixas, revela o Conselho de Finanças Públicas (CFP) num relatório sobre Segurança Social e CGA publicado esta quinta-feira, 7 de Junho.

Segundo o CFP, "a diminuição da despesa com pensões e abonos da responsabilidade da CGA em 2016 é explicada pela redução do número de aposentados e do valor médio das novas pensões". 

A despesa com pensões recuou 11 milhões de euros, "porque o impacto decorrente da reposição da actualização de pensões do regime de protecção social convergente em 2016 foi mais do que compensado" por um conjunto de outros factores. 

O CFP identifica três:
  • "O número de aposentados diminuiu pela primeira vez desde 1969: menos 3.655 aposentados face ao final de 2015, altura em que já se tinha registado um aumento anual pouco expressivo (+3.563) em comparação com o ocorrido na década anterior (+11.444 por ano, em termos médios)";
  • "O número de novos aposentados excluindo pensionistas de sobrevivência foi o mais baixo desde 1993: apenas 8.727 novos pensionistas, reflectindo uma redução de 7.471, ainda mais acentuada que a registada no ano anterior (-7102)";
  • "O valor médio das novas pensões de aposentação diminuiu pelo terceiro ano consecutivo: em 2013 foi de 1.302 euros, tendo reduzido para 1.246 euros em 2014, para 1.112 euros em 2015 e para 936 euros em 2016".
Esta redução do valor médio das novas pensões do Estado significa que em três anos, quem saiu do Estado para a reforma foi com uma pensão 28% inferior.

O organismo liderado por Teodora Cardoso explica que a redução histórica do número de aposentados da CGA resulta de um conjunto de medidas em vigor e que foram implementadas nos últimos anos, tais como o aumento da idade legal de reforma que tem vindo a aumentar, o facto de em 2016 o Governo ter reforçado a penalização das pensões antecipadas, "por via da reformulação do cálculo do factor de sustentabilidade".

Apesar da menor pressão do lado da despesa, a redução do número de subscritores (os trabalhadores que fazem descontos) estimada em 2%, manteve um desequilíbrio entre os dois universos (os que representam despesa e os que representam receita).

Apesar da queda do número médio de subscritores, as receitas com contribuições cresceram 2,6%, o que terá resultado do efeito da reposição salarial na Função Pública, efectuada de forma progressiva ao longo de 2016. 

Ainda assim, a CGA fechou o ano de 2016 com um excedente de 87 milhões de euros, graças ao aumento da receita de 0,7%, acima do crescimento da despesa de 0,1%.     


(Notícia actualizada com mais informação)



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mais votado GabrielOrfaoGoncalves 08.06.2017

«Esta redução do valor médio das novas pensões do Estado significa que em três anos, quem saiu do Estado para a reforma foi com uma pensão 28% inferior.»

Isto era mais do que previsível. Agora ide ler o acórdão do Tribunal Constitucional e os argumentos (?) que lá estão contra o corte de pensões em pagamento. É inacreditável. O Tribunal desconsiderou completamente o efeito da oferta e da procura: perante várias novas gerações menos endinheiradas por efeito da crise, aqueles que se reformaram no "tempo das vacas gordas" gozam de um poder de compra muito superior ao das outras gerações, quer por via do diferente valor das pensões, quer porque, perante pensões cada vez mais baixas (deve ser este o "virar da austeridade" de António Costa), os preços afinaram com uma procura menos endinheirada. O período da crise foi um excelente momento para, com a queda abrupta de preços no imobiliário, os ricos da CGA terem feito aquisições de imóveis. Conheci vários casos. É isto o socialismo do TC...

comentários mais recentes
policia e gnr velhinhos 60 anos reformados S/corte 08.06.2017

nós levamos limpinho 1.700€ de pensão e basta ter a instrução basica
E MAXIMO 36 DE DESCONTOS
OS TUGAS MANSOS E TENASO QUE TRABALHEM ATE AOS 66 ANOS E 4 MESES

policia e gnr velhinhos 60 anos reformados S/corte 08.06.2017

E NÓS NÃO SOMOS GENTE ?!

VIVA LEI APOSENTAÇÃO TEMPO DO FASCISMO

ESTA DO MINISTRO DIZER K NÃO HA REFORMADOS AOS 60 ANOS, ATE PARECE QUE SOMOS ESTRANGEIROS DA SIRIA

Marta Guimaraes 08.06.2017

Ó surpreso!
Cala a boca retornado ressabiado. Para lixo já chega o que escreves no Observador com o nick victor guerra.

Anónimo 08.06.2017

A melhor maneira de poupar sem perder qualidade do serviço, é investindo em capital com elevada incorporação de tecnologia que poupe em factor trabalho e eleve a produtividade para outro patamar. Os nórdicos sabem disso, os britânicos sabem disso, os norte-americanos sabem disso, os australianos e neozelandeses sabem disso. Em Portugal isso é impossível porque a legislação afirma que não se pode despedir excedentários. Paga Zé.

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