Mundo O mistério dos salários que quase não crescem

O mistério dos salários que quase não crescem

O desemprego está a cair em quase todo o mundo. Mas os salários não estão a subir muito em lado nenhum.
O mistério dos salários que quase não crescem
Bruno Simão
Bloomberg 16 de março de 2017 às 15:58

De York, Reino Unido, a Montreal, Canadá, e de Osaka, Japão, a Seattle, EUA, este é um momento muito bom para procurar emprego em muitos países desenvolvidos.

 

As taxas de desemprego de países do G-7 (Grupo das sete economias mais desenvolvidas do mundo) como o Canadá, os EUA, o Reino Unido, o Japão e a Alemanha estão se a aproximar-se ou estão até mesmo ligeiramente abaixo do que as autoridades descrevem como um mercado de trabalho no limite.

 

Mas os salários no mundo inteiro têm aumentado muito pouco. Para as economias desenvolvidas isso significa que o poderoso ciclo onde o crescimento da remuneração fortalece a procura, depois o investimento empresarial e, finalmente, aumenta o poder de compra, está a ser difícil de alcançar.

 

"É um mistério", disse Torsten Slok, economista-chefe internacional do Deutsche Bank. "Não estamos a ver quase nenhum crescimento salarial."

 

Explicação fraca

Resolver este quebra-cabeça é importante porque ele lança incerteza sobre a saúde dos mercados de trabalho do mundo e sobre a direcção da política monetária. Os bancos centrais, que supostamente ajustam as suas políticas monetárias à inflação, podem fazer uma ajustamento muito rápido e muito depressa se concluírem que o aumento do emprego possa significar que a inflação está próxima.  Ou, se se concentrarem nos aumentos fracos de salários, podem acabar por deixar as taxas muito baixas por muito tempo, alimentando bolhas de activos.

 

Até agora as autoridades económicas atribuíram a escassez de aumentos salariais à pouca actividade económica. Mas essa explicação está a começar a parecer fraca.

 

Nos EUA, o número de trabalhadores presos, involuntariamente, a empregos "part-time" voltou aos mínimos de 2008. No Japão, cujas autoridades querem mais inflação, a escassez de mão-de-obra em sectores como alojamento e cuidado de idosos não está a impulsionar os salários. No Canadá, a taxa de desemprego caiu para o valor mais baixo desde a recessão, mas os salários avançam ao ritmo mais lento em mais de uma década e não estão a acompanhar a inflação.

 

Os EUA criaram 235.000 empregos no mês passado e a taxa de desemprego era de 4,7%, perto do nível de 4,8% considerado pela Reserva Federal como representativo da utilização máxima dos recursos da força de trabalho. A média salarial por hora aumentou 2,8% nominalmente no período de 12 meses, uma taxa parecida com os ganhos registados nos últimos 12 meses. O índice de preços ao consumidor subiu 2,5% em Janeiro, portanto, em termos reais, os aumentos salariais estão baixos.

 

Outra possível explicação é que a Grande Recessão deixou uma cicatriz profunda tanto na mão-de-obra quanto no sector e fixou as expectativas de remuneração numa trajectória mais baixa.

 

"As expectativas de inflação consolidaram-se excessivamente bem e, em relação a isso, as exigências salariais têm sido muito moderadas", disse Nathan Sheets, do Peterson Institute for International Economics em Washington. "Isso é um legado do ambiente de baixa inflação, desinflacionário e até mesmo deflacionário que temos tido nos últimos anos."

 




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mais votado Anónimo Há 2 semanas

Em Portugal ainda poderiam vir a crescer um bocadinho, mas isso nunca será possível sem primeiro flexibilizarem o mercado laboral e dinamizarem o mercado de capitais. A economia portuguesa vive atolada num miserável não mercado. A verdade é essa.

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bazanga Há 1 semana

Fácil de explicar. Durante tempo suficiente as empresas tiveram desculpas para não subir os salários (mesmo as que não precisavam). Agora, continuam com o mesmo discurso enquanto enchem os bolsos de forma muito desproporcional entre o administrador e o trabalhador de rendimento mais baixo na empresa.

Anónimo Há 1 semana

A orientação dos donos do mundo é: Nivelamento por baixo.

Anónimo Há 2 semanas

Não há mistério nenhum. As margens das empresas foram esmagadas com a concorrência de paises onde se trabalha por um prato de arroz, a precaridade é cada vez maior e as pessoas estão cada vez mais endividadas. Logo as empresas não conseguem pagar mais e as pessoas não arriscam a mudar ou pedir mais

JCG Há 2 semanas

O do Mexias da EDP pareceu que cresceu e bastante.

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