Orçamento do Estado O Orçamento de Centeno foi a exame e recebeu 11,4 valores

O Orçamento de Centeno foi a exame e recebeu 11,4 valores

As avaliações ao Orçamento do Estado para 2018 dividem-se por linhas ideológicas, um espelho daquilo que parece ser também a opinião dos portugueses. Entusiasmo moderado à esquerda com as reversões e desconfiança mais à direita.
O Orçamento de Centeno foi a exame e recebeu 11,4 valores
Miguel Baltazar/Negócios
Não se pode agradar a gregos e a troianos. É possível que este ditado tenha passado pela cabeça de Mário Centeno nos últimos dias, ao ver a reacção ao orçamento que desenhou e que foi aprovado ontem no Parlamento. Da direita vêm críticas à falta de ambição na redução da dívida e à ausência de uma reforma do Estado; da esquerda chegam elogios contidos aos progressos na recuperação de salários e outros direitos perdidos nos anos da crise.

Este fosso de percepção está também traduzido na avaliação feita pelos economistas e especialistas convidados pelo Negócios a dar uma nota ao OE 2018. Contas feitas, o documento acaba por merecer 11,4 valores. Um suficiente, que é tornado mais robusto pelo "muito bom" dado por uma das economistas, que elogia precisamente o exercício de equilíbrio de Centeno.


Nos últimos dois anos, o Governo ultrapassou algumas das desconfianças iniciais em relação à sua capacidade para controlar as contas públicas e colocar a economia a crescer, mas isso não significa que a avaliação do seu trabalho se tenha tornado consensual.

As opiniões sobre o Orçamento do Estado parecem depender do quadrante ideológico a que pertence o inquirido. O painel escolhido pelo Negócios mostra isso mesmo, agindo como um reflexo da sociedade. Ainda há poucos dias, uma sondagem da Aximage concluía que a maioria dos portugueses achava que as famílias teriam mais dinheiro no bolso graças às medidas do OE 2018. Contudo, quando se avalia a composição das respostas, observa-se uma relação clara com a intenção de voto nas legislativas de 2015. A esmagadora maioria dos que votaram PS acham que o OE dará mais dinheiro às famílias (71%). Quem votou BE e CDU também (69% e 66%). Mas aqueles que colocaram a cruz no PSD e no CDS estão significativamente mais cépticos (32% e 28%).

No painel de especialistas verifica-se uma distribuição semelhante. Quem se posiciona à direita dá notas mais negativas. Aqueles que estão mais alinhados à esquerda dão notas positivas, com destaque para o 17 de Francisca Guedes de Oliveira, que colaborou na elaboração do cenário macroeconómico do PS.

À esquerda, os elogios concentram-se na devolução de rendimentos, que este orçamento continua a desenvolver, seja através de reforço de prestações sociais, como de alívio de impostos. Porém, criticam o facto de o OE não ir mais longe no apoio aos serviços públicos e na "dignificação do trabalho".

Entre aqueles que chumbam o exercício de Centeno, as críticas divergem no défice - Bagão Félix elogia a meta de 1,1%, Miranda Sarmento critica a falta de ambição na consolidação estrutural - mas convergem na falta de ambição na redução da dívida pública.





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