União Europeia O relógio da dívida alemã está a andar para trás

O relógio da dívida alemã está a andar para trás

A disciplina orçamental alemã atingiu um marco importante. Pela primeira vez em mais de 20 anos o valor da dívida está a recuar.
Negócios 04 de janeiro de 2018 às 10:04

A associação de contribuintes alemães tem um relógio onde mostra publicamente como está a evoluir o valor da dívida pública do país. Na prática trata-se mais de um contador (com o nome de Schuldenuhr), que é exibido num grande ecrã à porta da sede da associação.

 

Foi construido em 1995 e, pela primeira vez desde então, está a apontar para uma descida do valor global do endividamento federal. Conta o Financial Times que depois de ter sido reprogramado a 1 de Janeiro para ter em conta as alterações do orçamento para 2018, o relógio está agora a marcar uma descida de 78 euros por segundo no valor da dívida.

 

Um valor que representa um marco na estratégia de disciplina orçamental levada a cabo pelo Governo de Angela Merkel e que contrasta com números bem diferentes num passado não muito distante. Em 2009, no auge da crise financeira, a dívida pública alemã estava a aumentar mais de 4.400 euros por segundo.

 

A ideia de constituir o Schuldenuhr surgiu para lembrar a todos os alemães qual era o custo de não controlar as contas públicas. Em 1995 a dívida alemã era de 12.830 euros por habitante, tendo subido fortemente para os actuais 23.827 euros.

 

A disciplina orçamental implementada pelo Governo de Angela Merkel, com orçamentos equilibrados ou excedentários desde 2014, inverteu a tendência de forte subida no endividamento. Segundo o Financial Times, devido a esta política orçamental o próximo governo alemão (que deverá continuar a ser liderado por Merkel) terá um excedente orçamental de 30 mil milhões de euros em quatro anos, o que está a alimentar o debate sobre se este dinheiro não deverá ser utilizado no reforço do investimento público e/ou corte de impostos.

 

O presidente da associação de contribuintes alemães, Reiner Holznagel, reconhece que a Alemanha está no "bom caminho" em termos de disciplina orçamental, mas não está satisfeito. "Todos estes relatórios sobre excedentes e orçamentos equilibrados fazem os cidadãos acreditar que está tudo bem na frente da dívida. Mas não é esse caso. Nós nem cumprimos o critério de Maastricht [dívida pública abaixo de 60% do PIB]",  afirmou  Holznagel, que apesar de representar os contribuintes, não se mostra favorável à utilização do excedente orçamental apenas na descida de impostos.  

 

A Alemanha tem actualmente uma dívida de 1,973 biliões de euros, que demorará 800 anos a ser paga tendo em conta a evolução actual, assinala o Financial Times.

 

"Necessitamos de um orçamento que reduza a dívida de uma forma ordenada e activa e temos que ter a certeza que todos os estados federais tenham não apenas um orçamento equilibrado, mas estejam também a cortar a dívida", acrescentou Holznagel.

 




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