O risco na Grécia é "real": Os bancos podem colapsar com a fuga de depósitos
15 Maio 2012, 07:43 por Diogo Cavaleiro | diogocavaleiro@negocios.pt
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O aviso é do presidente da Grécia e foi feito aos líderes dos principais partidos helénicos no encontro de domingo. A mesma reunião em que disse que as diferenças dos partidos são "insignificantes" quando comparadas com a dívida que estes têm para com a nação.
Os bancos da Grécia podem ter pelo caminho um possível colapso, alertou o presidente Karolos Papoulias, na reunião em que juntou, no domingo, os líderes dos partidos que estão a tentar formar um governo no país.

Se os investidores continuarem a retirar os depósitos dos bancos, devido à instabilidade política que se continua a sentir mais de uma semana depois das eleições, os bancos podem enfrentar o perigo de quebra, indicou Papoulias, num documento ontem divulgado pelo site da presidência helénica e citado pela agência Bloomberg.

A “fuga” dos depósitos não é uma nova questão, já que têm vindo a cair desde o início da crise nos países periféricos, à excepção de Portugal. Em Fevereiro, por exemplo, a diminuição dos depósitos bancários face a Junho de 2009 era de 28% na Grécia. A desconfiança face à solvência dos bancos leva a que os depositantes retirem o seu dinheiro para colocarem noutras entidades que lhes confiram maior confiança. Em Fevereiro, a colocação de depósitos na Alemanha era uma das soluções.

Com a instabilidade política decorrente da ausência de um governo após as eleições de 6 de Maio, o desaparecimento de depósitos das famílias helénicas poderá ter-se agravado, segundo o que é dito por Karolos Papoulias. O risco é "real", afirmou, segundo a Bloomberg.

O argumento foi um dos utilizados no encontro em que reuniu os líderes do Nova Democracia, do Pasok e do Esquerda Democrática, as forças políticas que se têm encontrado para tentar constituir uma solução governativa, mas que não têm conseguido chegar a um consenso.

As diferenças entre os partidos são “pequenas e insignificantes” quando comparadas com a dívida que têm para com Grécia, disse também o presidente helénico aos dirigentes partidários, de acordo com o documento citado pela Bloomberg. O presidente tem tentado reunir esforços para formar um governo que juntar os partidos mais votados nas eleições, um sufrágio em que nenhuma força conseguiu um mandato estável para formar governo sem coligação.

Na reunião de domingo e de ontem, o presidente não juntou todos os líderes com assento parlamentar. Hoje, haverá um novo encontro às 14h (12h de Lisboa) em que irá juntar todas as forças com assento no parlamento helénico à excepção dos ultranacionalistas da Aurora Dourada. Em cima da mesa está a possibilidade de formar um governo de tecnocratas.
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