Conjuntura OCDE espera que crescimento em Portugal continue deprimido até 2018

OCDE espera que crescimento em Portugal continue deprimido até 2018

Pode demorar até que Portugal volte a atingir valores de crescimento elevados. Pelo menos é essa a perspectiva da OCDE, que não vê o PIB a avançar mais de 1,3% até 2018. No centro dos problemas está o investimento.
OCDE espera que crescimento em Portugal continue deprimido até 2018
Miguel Baltazar
Nuno Aguiar 28 de Novembro de 2016 às 10:02

Os números foram publicados esta manhã, na nova edição do Global Economic Outlook, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Segundo as suas mais recentes estimativas, Portugal crescerá apenas 1,2% este ano e em 2017, com uma ligeira aceleração para 1,3% em 2018.

 

"Está projectado que o crescimento do PIB continue deprimido, à volta de 1,25% em 2017 e 2018. Elevada alavancagem das empresas e um sector bancário e um sector bancário frágil vão travar o investimento privado e o desemprego ainda alto vai restringir o crescimento do consumo", pode ler-se na publicação do organismo que reúne os 34 países mais desenvolvidos do mundo. "Como a lentidão da economia persistirá, a inflação continuará baixa. Estimular o investimento e a produtividade são as chaves para melhorar o bem-estar e o crescimento."

 

Esta projecção significa que nos últimos cinco meses a OCDE não mudou muito a sua opinião sobre a direcção da economia portuguesa. Em Junho, estimava 1,2% para este ano e 1,3% para 2017.

 

Embora o turismo e alguma indústria estejam a promover as exportações, a diminuição da procura com origem em países fora da União Europeia e a quebra no mercado de energia têm impedido que as vendas ao exterior contribuam mais para o crescimento. Ao mesmo tempo, mercado de trabalho observou desenvolvimentos positivos, mas o desemprego estrutural continua elevado.

 

No entanto, o centro dos problemas parece ser o investimento, tanto o público como o privado. É a fraca evolução deste indicador, explica a OCDE, que justifica grande parte das dificuldades de crescimento. Os técnicos da organização vêem o crescimento a cair 2% este ano, avançando 0,7% no próximo.

 

"O investimento privado e público estão a um nível historicamente fraco. Um sector empresarial altamente alavancado e elevada incerteza estão a travar o investimento empresarial, que é crucial para suportar o crescimento das exportações", refere a OCDE. Além disso, o crédito malparado está a afastar os bancos do financiamento de novos projectos.

 

Do lado do Estado, a OCDE sublinha que o investimento público foi "apertado", de forma a cumprir as metas de défice e que o aumento planeado para 2017 é "bem-vindo", permitindo "apoiar o crescimento sem prejudicar a situação orçamental".

 

Para o futuro, a OCDE recomenda que sejam removidos alguns dos obstáculos ao investimento, nomeadamente no que diz respeito a fontes alternativas de financiamento - o sistema fiscal favorece mais endividamento junto do banco do que entrada no capital das empresas. Sugere também a revisão da regulação da utilização dos terrenos, com menos poderes discricionários para os municípios, melhorar a eficiência do sistema judicial na gestão de falências e aliviar as barreiras à entrada de algumas profissões. Talvez mais importante, seria decisivo encontrar uma forma de tirar do balanço dos bancos algum do malparado, uma possibilidade sobre a qual muito se tem especulado na Europa, mas ainda sem uma solução concreta.

 

Para ajudar a produtividade, as qualificações dos trabalhadores devem ser apoiadas, por exemplo através de mais iniciativas para a escolarização dos mais velhos - como as Novas Oportunidades - ou uma vertente vocacional "mais eficiente". A OCDE espera um desemprego médio de 11% este ano e 10,1% nos próximos dois.

 

Conquistas frágeis nas contas públicas

 

Quanto às contas públicas, a organização com sede em Paris avisa que o facto de a dívida pública estar ainda muito elevada, faz com que a consolidação dos últimos anos, incluindo o excedente primário, sejam ainda "frágeis". Isso faz com que o Governo tenha menos liberdade para simplesmente gastar mais, ficando limitado a mudar a composição da despesa e da receita. Como já foi referido, onde a OCDE não aconselha a poupar é no investimento público, preferindo uma redução da despesa corrente, especialmente com salários dos funcionários públicos. Fazer uma revisão dos gastos do Estado, como o Governo planeia fazer, também "pode levar levar a ganhos de eficiência".

 

Do lado da receita, a OCDE mostra-se satisfeita com a estratégia do Governo de trocar impostos directos por indirectos - por exemplo, menos sobretaxa e mais imposto sobre combustíveis -, uma vez que isso ajuda a "remover distorções". Eliminar isenções e taxas reduzidas permitiria também arrecadar mais receita.

 




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mais votado Anónimo Há 1 semana


O PAÍS DAS MARAVILHAS II (O REGRESSO)

A FP e seus pensionistas viveram (e ainda vivem) no país das maravilhas durante as últimas décadas...

e recusam-se a voltar à dura realidade em que os restantes portugueses sempre viveram!

comentários mais recentes
Anónimo Há 1 semana


Comemorações Oficiais

FP . CGA – 40 ANOS A ROUBAR OS TRABALHADORES E PENSIONISTAS DO PRIVADO


70% da despesa do estado é composta por salários e pensões da FP.

Ou seja, a maioria dos cortes terá que incidir sobre a maior fatia da despesa.

Qual é a dúvida?

pertinaz Há 1 semana

VAMOS A CAMINHO DO ABISMO

A ESQUERDALHA CANALHA SÓ DESAMPARA A LOJA QUANDO TIVER SAQUEADO TUDO

O ÚLTIMO QUE FECHE A PORTA

Anónimo Há 1 semana

Qual foi o último ano em que a economia cresceu mais de 2% ? 1999 ! Se já há 17 anos que não há investimento porque é que havia de aparecer agora ? Só se fosse o diabo do Coelho a trazê-lo.

Anónimo Há 1 semana

A casota das pensoes ja anda ha anos pelas horas da amargura,e agora com um velho arrancado da imobilidade ficou mesmo a feicao do espartalhao.Era de esperar que quem trabalha iria pagar os bem reformados,aconteceu o imprevisto:a agua passar por cima da ponte.NAo tem por onde se lhe pegue gerigonca

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