Mundo OCDE espera que Trump estimule a economia mundial

OCDE espera que Trump estimule a economia mundial

Nas novas previsões divulgadas pela OCDE, o organismo antecipa que a política orçamental da nova Administração americana tenha um impacto positivo na economia mundial, com um estímulo que pode chegar a 0,3 pontos percentuais em 2018.
OCDE espera que Trump estimule a economia mundial
reuters
Nuno Aguiar 28 de Novembro de 2016 às 20:56

Muitas análises pessimistas sobre o futuro da economia norte-americana têm sido publicadas desde que Donald Trump foi eleito Presidente dos Estados Unidos. No entanto, a OCDE está optimista. O organismo que reúne os 34 países mais desenvolvidos do mundo antecipa que, a confirmarem-se algumas das medidas macroeconómicas prometidas durante a campanha eleitoral, pode haver um impacto positivo na actividade americana e mundial.

 

É muito difícil saber exactamente qual será o programa económico que Donald Trump pretende implementar. Ainda assim, será difícil escapar a três grandes linhas de actuação, que marcaram a sua campanha presidencial: descidas substanciais dos impostos directos sobre famílias e empresas, aumento dos gastos com infraestruturas e mais despesa militar.

 

As contas do mais recente Global Economic Outlook, publicado esta manhã, 28 de Janeiro, pela OCDE, parte do princípio que Washington adoptará uma política orçamental mais expansionistas em 2017 e 2018, em concreto: aumento de 0,25% do PIB do consumo público e do investimento público; alterações a impostos que reduzirão em 0,5% do PIB a receita fiscal; redução de impostos sobre as empresas, que representarão menos 0,75% do PIB em receita pública.

 

"Tudo somado, a combinação das medidas orçamentais aumentam o PIB dos EUA em cerca de 0,4 pontos percentuais em 2017 e pouco mais de 0,8 pontos em 2018, O investimento privado aumenta relativamente rápido e em 2018 fica cerca de 5,5% mais alto face ao "baseline"", pode ler-se na publicação. "A descida do desemprego é maior, menos 0,5 pontos até 2018 e sinais de pressão sob os recursos começam a surgir, com a inflação a aumentar 0,1 pontos em 2017 e 0,8 pontos em 2018."


 

O que também deverá avançar é o crescimento das importações e é aqui que está a chave para o impacto do estímulo em todo o mundo. A OCDE antecipa que as compras ao exterior sejam 3% mais elevadas em 2018, o que provocará um "ligeiro contágio positivo" para outras economias, nomeadamente Canadá e México. No total, este estímulo orçamental esperado pela OCDE dará um empurrão ao PIB mundial de 0,1 pontos em 2017 e de 0,3 pontos em 2018, graças a mais trocas comerciais.

Ou seja, sem ele, a economia global avançaria 3,2% e 3,3%, respectivamente (em vez de 3,3% e 3,6%). 
"Sem o estímulo orçamental dos EUA, a projecção de crescimento do PIB em 2018 praticamente não mudaria face a 2017 em muitos dos países", acrescentam os técnicos da OCDE. Ou seja, sem esse impacto, praticamente não haveria aceleração económica nesse período.

 

No entanto, a OCDE avisa que este efeito poderá ser anulado, caso sejam implementadas medidas de restrição do comércio internacional. Um exemplo disso seria um agravamento de tarifas aduaneiras ou algum tipo de guerra de divisas. 



Também não está a ser contabilizado o efeito dissuasor que pode ter um aumento substancial do défice. Ainda assim, nesse capítulo, a OCDE não espera desenvolvimentos dramáticos no curto prazo (próximos dois anos), devido ao impacto positivo da dinamização da actividade económica. A dívida pública americana, por exemplo, até deverá descer ligeiramente até 2018, devido a este estímulo orçamental, conclui a OCDE.

 

Importa contudo sublinhar que existem outros factores que podem influenciar as previsões da OCDE, como: o sector privado não reagir como se espera ao estímulo, temendo que as consequências de longo prazo nas contas públicas tenham de ser compensadas com mais impostos ou menos despesa futura; se o alívio fiscal for mal distribuído – por exemplo, concentrado nas famílias e empresas mais ricas -, poderá resultar em poupança e não em consumo e investimento; uma forte apreciação do dólar retiraria força a este estímulo, assim como uma subida maior do que o previsto dos juros das obrigações americanas. Esses são os riscos negativos, mas também há positivos: o pacote de medidas pode voltar a captar para o mercado de trabalho trabalhadores desencorajados ou o investimento das empresas pode aumentar mais do que se espera.  

De referir também que estas estimativas nada dizem sobre a qualidade das medidas, a sua sustentabilidade ou equidade. Características que muitos duvidam que o plano de Trump tenha. C
omo escrevia o New York Times logo no dia a seguir às eleições americanas, "mesmo para pessoas que não gostam dos cortes de impostos propostos por Trump ou do resto da sua agenda política, se ele conseguir aquilo que quer nos impostos e nos gastos com infraestruturas, será um teste sobre se os défices realmente importam num mundo que tem estado preso há anos numa realidade de crescimento lento".




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