Conjuntura OCDE já acha que Portugal cresce mais de 2% este ano

OCDE já acha que Portugal cresce mais de 2% este ano

Em seis meses a OCDE mudou substancialmente a sua opinião sobre o rumo da economia portuguesa, esperando agora um crescimento de 2,1% em 2017 e uma desaceleração em 2018. Prevê também que o Governo seja capaz de cumprir a meta de défice deste ano.
OCDE já acha que Portugal cresce mais de 2% este ano
Bruno Simão/Negócios
Nuno Aguiar 07 de junho de 2017 às 09:30

No final de Novembro do ano passado, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) previa que a economia portuguesa crescesse apenas 1,2% em 2017. Agora, no seu mais recente Economic Outlook, a OCDE vê o PIB nacional avançar 2,1% este ano. Um valor mais optimista do que o do Governo.

 

"Prevê-se que o crescimento económico seja fortalecido para perto de 2% em 2017, antes de desacelerar ligeiramente em 2018", pode ler-se no documento, publicado esta manhã pelo organismo que reúne as economias mais desenvolvidas do mundo. O crédito vai para as vendas ao exterior. "As exportações continuarão a apoiar o crescimento, beneficiando de reformas estruturais de anos anteriores. Ainda assim, a procura interna não deverá recuperar fortemente, devido ao elevado endividamento do sector privado."

 

A OCDE não explica o motivo para esta revisão, mas podemos encontrar parte da justificação nos números. Há seis meses, a OCDE estimava um crescimento económico de 1,2% em 2016, mas um final do ano mais forte do que se esperava atirou-o para 1,4%. Este maior dinamismo na recta final de 2016 contagiou o arranque de 2017. No primeiro trimestre do ano, o PIB avançou 2,8%, o ritmo mais rápido em dez anos, e a expectativa é que possa acelerar ainda mais no segundo trimestre. Quase todas as instituições têm revisto em alta as suas projecções para a totalidade do ano.

 

Existe maior optimismo sobre a frente externa, mas é na vertente doméstica que se registam maiores mudanças. A procura interna, que a OCDE previa que avançasse 1%, afinal vai crescer mais do dobro (2,1%). A responsabilidade é tanto do consumo das famílias, como do investimento. A previsão de variação do primeiro saltou de 1,2% para 2%, enquanto o investimento merece muito mais optimismo, com a estimativa da OCDE a disparar de 0,7% para 6,5%. Quanto ao consumo público, em vez de uma subida ligeira, deverá cair.

 

Na relação com o exterior, tanto as exportações como as importações de bens e serviços merecem agora estimativas de variações mais fortes por parte da OCDE. De 3,7% e 3,6% para 5,5% e 5,2%, respectivamente. Isso permite também melhorar ligeiramente o contributo da procura externa líquida.

 

No mercado de trabalho, a OCDE também está ainda mais optimista, vendo a taxa de desemprego cair para 9,7% este ano (a anterior previsão era 10,1%).

A OCDE acredita também mais nos esforços do Governo para controlar as contas públicas. As suas previsões anteriores concluíam que o défice de 2016 ficaria em 2,5% e em 2017 cairia para 2,1%. Agora que sabemos que o saldo orçamental do ano passado ficou afinal nos 2%, os técnicos da OCDE já esperam que este ano fique em 1,5%. A mesma previsão do Governo.

A desaceleração vem aí na mesma

 

Ainda assim, a OCDE continua a identificar travões ao crescimento da economia. "Embora o crescimento do consumo seja suportado por aumento dos salários e da confiança, o investimento privado será parcialmente penalizado pela continuação da necessidade de desalavancagem de algumas empresas. As exportações continuarão a crescer fortemente, dada a contínua melhoria na competitividade dos custos", refere a instituição.

No entanto, para o futuro, a OCDE espera um arrefecimento da actividade económica em Portugal. De um crescimento de 2,1% este ano, os técnicos da organização prevêem que abrande para 1,6% em 2018. Porém, também neste caso, observa-se uma revisão em alta da previsão - a anterior estimativa da OCDE era um crescimento de 1,3% em 2018.

Better but not good enough OECD Economic Outlook presentation June 2017 from OECD, Economics Department

A OCDE publicou novas previsões para a economia. Nuno Aguiar, jornalista do Negócios, resumiu, em directo do Facebook, os novos números para Portugal.

 

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comentários mais recentes
ó josue Há 2 semanas

Então a OCDE é só comunistas? Farto de BURROS

acha? Há 2 semanas

ahahhahahaha Carrega Centeno.

GabrielOrfaoGoncalves Há 2 semanas

E quanto é que a dívida pública vai crescer?

Se a dívida, em %, CRESCER TANTO COMO a economia (por exemplo, ambas crescem 2%) então o rácio dívida/riqueza (PIB) mantém-se como está no momento actual (a dívida é 130% do PIB), não aumentando nem diminuindo: continuaremos então a pagar cerca de 8 mil milhões de euros só em juros da dívida. Ou seja, 800 euros por português, em média. O equivalente a 16 submarinos. Por ano!

E se a dívida, em %, CRESCER MAIS DO QUE a economia do País (por exemplo, a dívida cresce 2,1% e a economia cresce 1,8%) então o rácio dívida/PIB agrava-se (a dívida, em % do PIB, aumentará). Centeno está em condições de assegurar que isso não acontece??

Para diminuirmos a carga fiscal que hoje é necessária para arrecadar receitas para pagar todas as despesas públicas e mais os juros da dívida é preciso que seja a economia a crescer mais do que a dívida, e não o oposto. Mas como é que tal é possível se a carga fiscal asfixia a economia? Onde poderá o Estado cortar?

Anónimo Há 2 semanas

O Marcelo já disse que era para crescer 3.2%, qual é a novidade?

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