Economia OCDE pede estímulos orçamentais para relançar crescimento

OCDE pede estímulos orçamentais para relançar crescimento

A OCDE pede uma mudança das políticas de ajustamento e aposta numa injecção global dos países desenvolvidos em investimentos produtivos ou cortes de impostos "danificadores", equivalente a cinco décimas do Produto Interno Bruto (PIB) para relançar o crescimento.       
OCDE pede estímulos orçamentais para relançar crescimento
Bloomberg
Lusa 24 de Novembro de 2016 às 13:13

Nas condições actuais de taxas de juro historicamente baixas, um estímulo desta magnitude para os países que dispõem de "margem orçamental", centrado em infra-estruturas e educação, não aumentaria em termos relativos o peso da dívida pública se se mantivesse durante três ou quatro anos, sublinha a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico). 

 

Num capítulo do relatório semestral de perspectivas económicas, publicado hoje e que será apresentado na próxima segunda-feira, a OCDE calcula que o referido estímulo poderia gerar um crescimento adicional do PIB de entre 0,4 e 0,6 pontos percentuais no primeiro ano. E a largo prazo poderia gerar um crescimento do PIB de até 2% nos países desenvolvidos.

 

O estímulo permitiria que ainda que a dívida subisse em termos absolutos esta diminuísse em termos relativos se se comparasse com um PIB que aumentasse a um ritmo mais rápido, nos Estados Unidos e em menor medida na Europa.

 

A mensagem dirigida aos países mais reticentes até agora desta opção, e em particular a Alemanha, não é essencialmente nova, mas a OCDE deu-lhe mais relevância aproveitando entre outras coisas a eleição nos Estados Unidos de Donald Trump, dado que uma das suas principais promessas é um plano massivo de investimento em infra-estruturas.

 

A OCDE diz a Berlim que, tal como outras economias que cumpriram antecipadamente os planos para equilibrar as suas contas, deveria recorrer mais aos mercados de dívida para aumentar o investimento público.

 

A organização também concorda com o anúncio do Governo britânico, que na quarta-feira disse que se vai endividar esta legislatura mais do que o previsto para enfrentar o impacto do "brexit".

 

Uma das poucas excepções entre os membros da OCDE é o Japão, onde se considera que o efeito de um estímulo orçamental adicional não seria positivo em termos de crescimento económico.

 

O estudo refere que as medidas preconizadas (na educação, infra-estruturas ou cortes de impostos) dependem das necessidades de cada país e sublinha que o resultado será melhor se for acompanhado de reformas estruturais.

 

Também sublinha que uma acção colectiva dos países desenvolvidos teria um impacto superior ao de acções individuais, e calcula que isso poderia representar uma subida do crescimento de 0,2 pontos percentuais em média passado um ano.

 

A OCDE recorda que o crescimento potencial per capita nas grandes economias membros reduziu-se e é em média 1% em 2016, quase menos um ponto percentual do que o registado nas duas décadas que precederam a crise financeira.

 

A organização indica que no contexto das políticas de ajustamento postas em andamento durante a crise a composição dos gastos e dos impostos se tornou menos favorável para a actividade.

 

Em termos gerais, um corte de um ponto percentual do PIB traduziu-se numa redução do investimento público de 0,3 pontos percentuais do PIB.

 

Os autores do documento comentam que ainda que o gasto em investigação se tenha mantido globalmente estável em percentagem do PIB, em termos absolutos desceu em alguns casos, como em Portugal e Espanha.

 

O peso da educação e do investimento recuou na maior parte das economias da OCDE, com "decréscimos massivos" em Espanha, Irlanda e Islândia. 




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