Mundo OCDE quer governos a gastar mais para estimular economia

OCDE quer governos a gastar mais para estimular economia

A economia mundial continua presa na armadilha do baixo crescimento. Este ano deverá crescer 2,9%, menos do que os 3,1% de 2015, espera a OCDE. Esta é a altura para os governos colocarem estímulos no terreno. Portugal tem das situações orçamentais mais frágeis, mas seria o que aguentaria mais anos de investimento sem prejudicar a dívida no longo prazo.
OCDE quer governos a gastar mais para estimular economia
Nuno Aguiar 28 de Novembro de 2016 às 11:28

As conclusões da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) são apresentadas esta manhã em Paris e mostram que os técnicos da instituição não mudaram a sua estimativa face a Junho: o PIB mundial deve crescer menos de 3% este ano. Valores muito baixos. Ainda assim, a OCDE está mais optimista para algumas regiões. Zona Euro, Reino Unido e Japão deverão crescer mais 0,2 pontos percentuais do que a OCDE esperava há cinco meses. Os Estados Unidos, mais 0,1 pontos.

 

Catherine Mann, economista-chefe da OCDE, explica que, por todo o mundo, o investimento privado está numa situação débil, o investimento público desacelerou e o comércio internacional colapsou, o que significa que limitou os ganhos no emprego, produtividade e salários. Ou seja, as famílias não estão a viver melhor. Ao mesmo tempo, menos reformas estruturais e "incoerência nas políticas" arrefeceram o dinamismo das empresas e enfraqueceram o sistema financeiro.

 

Os EUA deverão crescer 1,5% este ano e 2,3% no próximo. A Zona Euro, 1,7% este ano e 1,6% no próximo. A economia britânica deverá avançar 2%.

 

Qual é a solução para as colocar em patamares mais robustos? Para a OCDE, o orçamento tem de desempenhar um papel mais central. "Iniciativas orçamentais poderiam catalisar a actividade económica privada e estimular a economia global para uma taxa de crescimento um pouco mais elevada, à volta de 3,5% até 2018", escreve Catherine Mann. "Uma actuação orçamental colectiva levada a cabo por todos os países, incluindo uma posição orçamental mais expansionista em muitos países na Europa, suportaria o crescimento doméstico e mundial, mesmo para aquelas economias que, devido a circunstâncias específicas, precisam de fazer consolidação orçamental ou ter uma posição mais neutra."

 

A OCDE reconhece que alguns críticos serão rápidos a apontar que as contas públicas não conseguem suportar este tipo de estratégia de crescimento. Contudo, aponta a economista-chefe, "depois de cinco anos de consolidação orçamental intensa, os rácios de dívida na maioria das economias avançadas estabilizaram". "Já estamos para lá do tempo para nos focarmos em expandir o denominador - crescimento do PIB", acrescenta.

 

E esta pode também ser a conjuntura certa para o fazer, com taxas de juro em níveis muito baixos. A OCDE calcula que, em média, os países poderiam adoptar medidas financiadas com mais défice durante três ou quatro anos sem que isso afectasse os rácios de dívida no longo prazo. Curiosamente, Portugal - cuja situação orçamental ainda é frágil devido a uma dívida pública elevada - está entre os países que mais tempo "aguentariam" este estímulo. Durante cinco anos, o Governo poderia gastar mais 0,5% do PIB em investimento público, sem que isso comprometesse a sua dívida. Isto é, no longo prazo, os ganhos na economia compensariam o agravamento do endividamento. Irlanda e Reino Unido são aquelas que o conseguiriam durante mais tempo (mais de seis anos), Coreia do Sul e Nova Zelândia menos (perto de um ano).

 

"A chave é implementar as iniciativas orçamentais certas, que apoiam a procura no curto prazo e a oferta no longo e são direccionadas não só para os desafios de crescimento como para as preocupações de equidade", sublinha Mann. Leia-se, os ganhos com a globalização e os avanços tecnológicos devem distribuídos de forma mais equilibrada.

 

Entre as iniciativas recomendadas pela OCDE estão, por um lado, investimentos em educação e investigação e desenvolvimento. Por outro, mais gastos com infra-estruturas públicas. O seu impacto seria maior se as medidas fossem adoptadas por um grande número de países e se forem acompanhadas por reformas estruturais.

 

"Ao utilizar a janela de oportunidade criada pela política monetária e concretizar medidas orçamentais e estruturais deve aumentar as expectativas de crescimento e gerar o estímulo necessário para a economia global escapar da armadilha do crescimento baixo", conclui Mann.

 

 




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