Economia OCDE reconhece que não previu crise provocada pela queda do Lehman Brothers

OCDE reconhece que não previu crise provocada pela queda do Lehman Brothers

O secretário-geral da OCDE, Angel Gurria, reconheceu hoje que não viu chegar a crise provocada pela falência do banco Lehman Brothers há dez anos, apelando ao mundo económico para ouvir as vítimas deste colapso financeiro.
OCDE reconhece que não previu crise provocada pela queda do Lehman Brothers
Bloomberg
Lusa 14 de setembro de 2018 às 13:42

O secretário-geral da OCDE, Angel Gurria, reconheceu hoje que não viu chegar a crise provocada pela falência do banco Lehman Brothers há dez anos, apelando ao mundo económico para ouvir as vítimas deste colapso financeiro.

 

"Em Junho de 2007, no fim do meu primeiro ano em funções, as previsões económicas da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico] asseguravam que a situação económica não estava tão boa desde há anos", afirmou Gurria, que falava numa reunião em Paris consagrada às lições da crise.    

 

Ler essas linhas "é como apunhalar-me a mim mesmo", reconheceu o secretário-geral da OCDE, instituição que na época também se mostrava "optimista em relação ao mercado do crédito imobiliário norte-americano", que estava à beira do colapso.

 

Tirando as lições desta crise, Gurria admitiu que "o pensamento económico dominante e os modelos sobre os quais se baseava não reflectiam a realidade económica nem a vida das pessoas".

 

"É por esta razão que nós não vimos nada a chegar. Enganámo-nos e nós devemos admiti-lo", disse o secretário-geral, um dos poucos líderes económicos na época do colapso do Lehman Brothers a fazer 'mea culpa'.

 

Durante a sua intervenção neste encontro, "O que aprendemos dez anos depois da queda do Lehman Brothers" na sede da OCDE, em Paris, Gurria pediu para ouvir os que ficaram para trás devido à crise, uma mensagem que tem vindo a repetir há vários anos.

 

"Podemos começar por não ignorar os sentimentos das pessoas que foram deixadas de lado, para ouvir o que as pessoas têm para nos dizer", assegurou.




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