Impostos Offshores: “Relatório da IGF ainda lança mais dúvidas e deixa tudo em aberto”, diz sindicato

Offshores: “Relatório da IGF ainda lança mais dúvidas e deixa tudo em aberto”, diz sindicato

Paulo Ralha, presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos insiste em que terá havido intervenção humana no caso das transferências para offshores que escaparam ao controlo do Fisco. Relatório da IGF, diz, “deixa de fora o que é crucial”.
Offshores:  “Relatório da IGF ainda lança mais dúvidas e deixa tudo em aberto”, diz sindicato
Filomena Lança 28 de junho de 2017 às 11:22

"Este relatório não só não esclarece, como ainda lança mais dúvidas e demonstra uma grande incapacidade na realização de perícias, não sustentando a conclusão de que não existiu intervenção humana." Paulo Ralha, presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos, mantém, assim, a sua tese: o caso das transferências para offshores que escaparam ao controlo do Fisco está longe de ser consequência apenas de um erro informático e teve mão humana.

 

A Inspeção-geral de Finanças (IGF), incumbida de realizar uma auditoria ao que aconteceu, foi conhecido esta terça-feira e conclui que houve uma "alteração do comportamento da aplicação" informática que recebia as declarações enviadas ao fisco pelos bancos, a informar sobre os valores transferidos para paraísos fiscais, mas que é "extremamente improvável" que tal tenha "resultado de uma intervenção humana deliberada".

 

Este relatório, considera Paulo Ralha, "está feito para responder a todos os deuses e diabos, mas deixa de fora o que é crucial, porque não segue a pista para saber quem apagou os ‘logs’". Com efeito, conclui-se do relatório que "os logs [acessos] relativos ao processamento das declarações modelo 38, que documentariam ao longo dos anos o número de transferências que ficaram por analisar, terão sido sucessivamente ignorados e foram apagados". Em face disso, os peritos informáticos admitem que é "impossível" um "esclarecimento definitivo da razão para alteração de comportamento do software verificada a partir de 2013".

 

"Tudo isto parece um branqueamento", insiste Paulo Ralha. "Tiram uma conclusão que não sustentam. E deixam tudo em aberto. Se os ‘logs’ foram apagados, foi precisamente para apagar o rasto dessa intervenção humana".

 

Paulo Ralha considera que será importante uma intervenção do Ministério Público que esclareça tudo o que se passou.




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mais votado Anónimo 28.06.2017

O Jornal de Negócios que elabore sobre as reformas viradas para as reais condições de mercado que se fazem nas regiões mais desenvolvidas do mundo de modo a esclarecer a importância das mesmas para a prosperidade e o bem-estar das suas populações:
"IRS will cut 7,000 jobs because the majority of people are filing their tax returns online" http://www.dailymail.co.uk/news/article-3811646/IRS-cutting-7-000-jobs-vast-majority-people-file-tax-returns-online-meaning-fewer-people-needed-process-paper-forms.html
"Inland Revenue to cut 1500 jobs between 2018 and 2021" www.stuff.co.nz/business/industries/78231571/inland-revenue-to-cut-1500-jobs-between-2018-and-2021
"Australian Taxation Office axes 4400 jobs in 19 months" (April 9, 2015 http://www.canberratimes.com.au/national/public-service/australian-taxation-office-axes-4400-jobs-in-19-months-20150409-1mhhgq.html)

comentários mais recentes
1230cf 28.06.2017

Srs. do Jornal de Negócios e da Comunicação Social em geral,
Sempre que está em causa matéria da AT e/ou impostos é o Sr. do sindicato que responde? é o sindicato que representa as posições da AT/Fiscalidade/Impostos ?
Se acham que sim, perguntem-lhe porque razão o meu IRS entregue em 26 abril, validado centralmente em 1 de maio e sem divergências , ainda não se encontra liquidado. Não foi este senhor que andou a fazer coro , dizendo que era tudo mais rápido ? não andou anunciar os 23 dias de media para reembolsos ? Ah, são médias e o prazo legal termina em 31 de agosto.
PS: Se estiverem disponíveis respondo, já , indicando o NIF. Aguardo.

Anónimo 28.06.2017

Tudo o que tenha a ver com máfia fiscal e fiscalista, máfia legal e legalista e máfia sindical e sindicalista que vive da labiríntica máquina burocrática medieval que emana do poder político-legal, fede. São os lóbis mais nefastos que geram iniquidade e pobreza ao mesmo tempo que erguem barreiras ao progresso e avanço económico, social e tecnológico. Pragas dos tempos modernos que se infiltram nos governos, nas assembleias legislativas e na Administração Pública, florescendo enquanto secam tudo à sua volta.

Anónimo 28.06.2017

Em países que se deixaram capturar por uma cultura desonesta, onde o mais desonesto vence, e provinciana, pouco atenta à realidade global e à modernidade tal como ela lhes chega do mundo mais desenvolvido, com leis atrasadas, estupidamente redigidas e permissivas a todos os abusos e abusadores, o sindicalismo e o capitalismo de compadrio são capazes de pôr o ofertante de factor trabalho, bens ou serviços com zero procura de mercado na economia, chamemos-lhe o vendedor de areia no deserto, a viver tão ou mais confortavelmente do que o ofertante de factor trabalho, bens ou serviços com muita procura de mercado nessa mesma economia, chamemos-lhe o vendedor de água no deserto. E é claro, uma economia assim cheia de distorções, frontalmente anti-mercado, atrasa-se e empobrece.

Anónimo 28.06.2017

Um pequeno exemplo concreto. Num par de anos, no mandato final do Governo Obama, o IRS dos EUA reduziu o número de colaboradores em 14 mil elementos assalariados. Na Nova Zelândia, país muito mais pequeno e menos populoso, estão a despedir 2000 funcionários tributários - quase metade dos colaboradores do fisco local, o IRD, e a automatizar num processo que denominaram de Business Transformation. O Reino Unido está a reduzir efectivos, a automatizar e a eliminar espaços físicos da sua máquina fiscal em todo o território. A Austrália está a fazer outsourcing de serviços do fisco junto de países estrangeiros low-cost como as Filipinas, de modo a automatizar profundamente todo o sistema e depois despedir localmente os recém criados excedentários que se tornarão totalmente desnecessários. Portugal, mais tarde ou mais cedo, ficando seguramente ainda mais pobre e atrasado no primeiro caso, ou potencialmente mais rico e desenvolvido no segundo, terá de fazer o mesmo.

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