Mundo ONU: Declarações de Trump incitam à violência contra os media  

ONU: Declarações de Trump incitam à violência contra os media  

O alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos considerou hoje que os constantes comentários depreciativos do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação aos 'media' e aos jornalistas constituem uma incitação à violência.
ONU: Declarações de Trump incitam à violência contra os media  
Reuters
Lusa 30 de agosto de 2017 às 14:17

"Ao referir que uma grande parte dos jornalistas são pessoas muito más e desonestas (...) não será necessário puxar muito pela imaginação para saber o que poderá acontecer aos jornalistas", afirmou Zeid Ra'ad Al Hussein, numa conferência de imprensa realizada hoje em Genebra (Suíça).

 

O diplomata jordano considerou que esta situação é particularmente perturbadora, uma vez que ocorre num país que é encarado tradicionalmente como um modelo de democracia.

 

"É muito preocupante porque se isto acontece nos Estados Unidos, imaginem o que pode acontecer em outros países, onde existe um menor reconhecimento do papel da imprensa na sociedade", referiu.

 

O alto-comissário recordou que também expressou preocupação, por diversas ocasiões, em relação aos comentários proferidos por Donald Trump "sobre as mulheres, os mexicanos ou a conduta pública de uma pessoa com deficiência".

 

"O Presidente repetiu os ataques contra três das mais respeitadas organizações de comunicação social do mundo, referindo-se a elas como mentirosas e, mais recentemente, como pessoas desonestas, o que é tremendamente prejudicial", lamentou o representante das Nações Unidas, mencionando ainda a gravidade de comentários que foram feitos directamente a jornalistas.

 

"E vamos assumir que um jornalista de um desses meios de comunicação social é atacado. O Presidente não terá responsabilidade por isso?", questionou o próprio alto-comissário.

 

Zeid Ra'ad Al Hussein advertiu ainda que as controversas opiniões de Donald Trump sobre o sector dos 'media' poderão espalhar-se de forma perigosa e relembrou o caso concreto do Camboja, onde os comentários feitos pelo Presidente dos Estados Unidos foram utilizados como argumento para encerrar vários órgãos de comunicação social.

 




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