Finanças Públicas OPA ao BPI e aumento de capital do BCP melhoram contas externas de Portugal

OPA ao BPI e aumento de capital do BCP melhoram contas externas de Portugal

Nos dois primeiros meses do ano a economia portuguesa gerou um excedente externo de 211 milhões de euros, contra um défice no mesmo período do ano passado, uma melhoria que se deve em parte ao investimento de estrangeiros na banca portuguesa.
OPA ao BPI e aumento de capital do BCP melhoram contas externas de Portugal
Sara Matos/Negócios
Nuno Carregueiro 20 de abril de 2017 às 13:05

A OPA ao BPI e o aumento de capital do Banco Comercial Português foram concretizados em Fevereiro, sendo que as duas operações tiveram um impacto significativo nas contas externas portuguesas, já que representaram um acréscimo significativo do investimento estrangeiro na banca portuguesa.

 

O saldo conjunto das balanças corrente e de capital, que mede a relação de Portugal com o exterior, foi positivo em 211 milhões de euros nos dois primeiros meses deste ano, o que representa uma melhoria de 569 milhões de euros face ao mesmo período do ano passado (défice de 358 milhões de euros).

 

Os dados foram revelados esta quinta-feira, 20 de Abril, pelo Banco de Portugal e reflectem a melhoria de quase todas as componentes das contas externas, com excepção para a balança de bens, já que as importações cresceram de forma mais significativa do que as exportações.


A melhoria do saldo da balança financeira (passou de um défice de 726 milhões de euros nos dois primeiros meses de 2016 para um excedente de 572 milhões de euros no mesmo período deste ano) é a principal justificação para a melhoria das contas externas de Portugal.

 

E para esta evolução da balança financeira foi determinante "o aumento do investimento de não residentes em bancos residentes", refere o Banco de Portugal.

 

Fevereiro foi o mês em que foi concluída a OPA do Caixabank sobre o BPI, operação que resultou num investimento de 644,5 milhões de euros do banco espanhol na instituição financeira portuguesa.

 

No mesmo mês o BCP também concretizou uma operação que resultou no reforço do investimento estrangeiro na banca portuguesa. O aumento de capital de 1,33 mil milhões de euros foi subscrito sobretudo por investidores estrangeiros, com destaque para os chineses da Fosun e angolanos da Sonangol.

 

Este investimento de investidores estrangeiros na banca portuguesa permitiu compensar uma outra operação que teve um efeito contrário nas contas externas portuguesas. Em Fevereiro "registou-se uma amortização antecipada do empréstimo contraído no âmbito do Programa de Assistência Económica e Financeira junto do FMI, o que contribuiu para o aumento de activos líquidos sobre o exterior das administrações públicas", explica o Banco de Portugal.

 

Turismo mantém contributo positivo

 

Não foi apenas o comportamento da balança financeira a determinar a melhoria das contas externas portuguesas. O Banco de Portugal destaca o excedente da rubrica "Viagens e turismo", que aumentou 106 milhões de euros, para 757 milhões de euros.

 

O contributo positivo no turismo não foi contudo suficiente para compensar a evolução negativa de outras rubricas da balança de bens e serviços, que registou um défice de 134 milhões de euros, o que compara com um excedente de 66 milhões de euros no mesmo período do ano passado.

 

Esta evolução é explicada pela balança de bens (défice de 1.483 milhões de euros), já que nos dois primeiros meses do ano as exportações de mercadorias cresceram 13,8%, o que se situou abaixo das importações (15,4%).

 

Nos serviços a tendência foi a mesma, com as exportações (14%) a crescerem menos do que as importações (15,9%), embora o excedente da balança de serviços tenha melhorado para 1.349 milhões de euros.

 

No total, as exportações (de bens e serviços) aumentaram 14%, abaixo do crescimento de 16% registado nas importações.

 

No que diz respeito à balança de rendimento primário, o défice reduziu-se a quase metade (passou de 578 para 278 milhões de euros), "influenciado pela redução dos dividendos pagos ao exterior". Já o saldo da balança de rendimento secundário aumentou 448 milhões de euros, "justificado pela variação das transferências correntes recebidas, e pela diminuição da contribuição financeira paga à União Europeia".

Balança de pagamentos

A balança de pagamentos regista as transacções que ocorrem num determinado período de tempo entre residentes e não residentes numa determinada economia. Essas transacções são de natureza muito diversa encontrando-se classificadas em três categorias principais:


- balança corrente, que regista a exportação e importação de bens e serviços e os pagamentos e recebimentos associados a rendimento primário (ex: juros e dividendos) e a rendimento secundário (ex: transferências correntes);

- balança de capital, que regista as transferências de capital (ex: perdão de dívida e fundos comunitários) e as transacções sobre activos não financeiros não produzidos (ex. licenças de CO2 e passes de jogadores);

- balança financeira, que engloba as transacções relacionadas com o investimento, nomeadamente investimento directo, investimento de carteira, derivados financeiros, outro investimento e activos de reserva.

Fonte: Banco de Portugal




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mais votado Anónimo 20.04.2017

Quer seja na banca ou no restante sector público oficial ou oficioso, a base do problema tem sido sempre a mesma: excedentarismo. O excedentarismo é a sobrealocação de factor produtivo trabalho sem procura real na economia, que, por vezes associado ao fenómeno do sobrepagamento (pagamento acima do preço de mercado), torna os Estados, as economias e as sociedades em Estados insustentáveis, economias pouco competitivas e sociedades iníquas. Chama-se por isso a isto uma crise de equidade e sustentabilidade. Assim ocorrem as chamadas "fuga de cérebros" e "fuga de capitais", claro. Os postos de trabalho ficam ocupados para a vida por quem não sabe produzir ou criar valor algum e ainda lhes dão progressões automáticas quando o que devia ser automático era a própria realização de tarefas que justificam a existência do posto de trabalho excedentário.

comentários mais recentes
Anónimo 20.04.2017

Mas onde é que está escrito que os colaboradores assalariados da banca não são elegíveis para requerer o RSI junto do Instituto da Segurança Social após uma bem planeada reestruturação que elimine ou reduza o excedentarismo detectado? Para os da Função Pública está escrito na constituição, temos que os gramar quando são excedentários, mas para os da banca onde é que isso está escrito? É que mesmo estando em Portugal, para esses casos, se atentarmos ao pormenor legislativo não parece existir base legal que sustente que esta classe de bandidos nos possa andar a roubar da forma que o tem feito.

Anónimo 20.04.2017

Quer seja na banca ou no restante sector público oficial ou oficioso, a base do problema tem sido sempre a mesma: excedentarismo. O excedentarismo é a sobrealocação de factor produtivo trabalho sem procura real na economia, que, por vezes associado ao fenómeno do sobrepagamento (pagamento acima do preço de mercado), torna os Estados, as economias e as sociedades em Estados insustentáveis, economias pouco competitivas e sociedades iníquas. Chama-se por isso a isto uma crise de equidade e sustentabilidade. Assim ocorrem as chamadas "fuga de cérebros" e "fuga de capitais", claro. Os postos de trabalho ficam ocupados para a vida por quem não sabe produzir ou criar valor algum e ainda lhes dão progressões automáticas quando o que devia ser automático era a própria realização de tarefas que justificam a existência do posto de trabalho excedentário.

Anónimo 20.04.2017

Esta Rica..... Banca a ser levada ao colinho pelas esquerdas, quem os viu e quem os vê.....

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