Saúde Ordem dos Médicos quer acabar com baixas médicas até três dias

Ordem dos Médicos quer acabar com baixas médicas até três dias

A Ordem dos Médicos propôs ao Ministério da Saúde acabar com os atestados médicos de curta duração, até três dias, considerando que a medida pode descongestionar urgências e centros de saúde.
Ordem dos Médicos quer acabar com baixas médicas até três dias
Ricardo Jr.
Lusa 18 de janeiro de 2018 às 07:50
Em entrevista à agência Lusa quando se cumpre, na sexta-feira, um ano da sua eleição como bastonário, Miguel Guimarães entende que os atestados médicos de curta duração "não deviam ser necessários", bastando ao trabalhador responsabilizar-se pela sua situação.

Para evitar abusos, a legislação laboral podia ser adaptada de forma a impedir a repetição consecutiva de justificações de doença sem atestado médico.

"Nós propusemos que se acabassem com os atestados médicos de curta duração. Isto é de uma importância fenomenal", afirmou o bastonário dos médicos, exemplificando com o caso das segundas-feiras, por tradição o dia pior das urgências nos hospitais.

Muitas pessoas sentem-se mal ou doentes durante o fim-de-semana e precisam de faltar ao trabalho na segunda-feira. Recorrem então ao serviço de urgência ou ao centro de saúde para serem observadas e conseguirem um atestado que lhes permita justificar a ausência no trabalho.

"O que acontece quando se vai ao médico pedir um atestado porque se estava com uma dor de cabeça ou indisposição? O médico vai passar o atestado, não tem grande alternativa. Estamos a falar de uma coisa de curta duração e que nem dá tempo para [o médico] investigar qualquer doença que possa existir", exemplificou Miguel Guimarães.

O bastonário refere que outros países já prescindiram de atestados médicos de curta duração e acredita que esta medida retiraria 15% a 20% dos casos nas urgências e nos médicos de família, nomeadamente à segunda-feira.

A Ordem dos Médicos está consciente de que a ideia não envolve apenas o Ministério da Saúde, mas também pelo menos o Ministério do Trabalho.

"Os atestados médicos de curta duração não são bons para a sociedade. Depois, a legislação pode ser adaptada para não permitir abusos. [A medida] ia descongestionar as coisas e ia ser melhor para as pessoas. Muitas vezes as pessoas vão aos serviços quando deviam estar em casa a recuperar, a descansar", argumentou Miguel Guimarães.

A proposta mantém-se em cima da mesa do ministro da Saúde e aguarda apreciação da tutela, bem como eventual avaliação por parte do Ministério do Trabalho.



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mais votado Ciifrão Há 4 semanas

A baixa médica é um desporto nacional que eu devia ter praticado, armei-me em pessoa honesta e levei pancada forte - incluindo da Justiça.
Um assalariado só deve ir trabalhar na posse de todas as suas capacidades, se achar que não, por precaução, deve ir para a fila de espera das urgências fazer um choradinho aos médicos. Foi isto que aprendi depois de ter sido despedido por me queixar ao patrão de um problema físico, até mais grave do que supunha, sem o papelinho do médico, não interessa se com diagnóstico falso ou verdadeiro.

comentários mais recentes
Anónimo Há 4 semanas

Infelizmente muita gente vive bem com as doenças falsas e não falsas das pessoas. Os médicos e enfermeiros aproveitam-se da situação para o seu benefício, porque não é difícil passar uma receita e dar um comprimido a um doente.

Mr.Tuga Há 4 semanas

Totalmente de acordo!

Até porque a baixa não é paga pela empresa.

JCG Há 4 semanas

Creio que sim, embora me pareça que deva ser fixado um certo limite máximo, mensal ou anual, para faltas de até 3 dias com a alegação de doença pelo próprio indivíduo, o qual se e quando ultrapassado passará a exigir atestados médicos.

Camponio da beira Há 4 semanas

Todos sabemos que alguns usam todas as desculpas para não pagar salarios e alguns dos que recebem salarios usam todas as desculpa para não ir trabalhar (principalmente quando o patrão é um gajo fixe e não desconta o dia) Num caso que conheci, 30 % das funcionarias estava permanentemente de baixa.

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