Economia Os "dez mandamentos" que Atenas tem de cumprir para receber novo empréstimo

Os "dez mandamentos" que Atenas tem de cumprir para receber novo empréstimo

A entrar no quinto ano consecutivo de recessão e com quase um quinto da população no desemprego, o novo plano de austeridade reclamado pela UE e FMI a troco do segundo empréstimo não carrega na tecla dos impostos. Em contrapartida, propõem-se cortes em quase tudo. Sindicatos protestam. Gregos estão hoje, de novo, em greve. Mas a resposta do Governo dificilmente será outra senão "sim".
Eva Gaspar 07 de fevereiro de 2012 às 09:46
Os sindicatos protestam, os gregos estão de novo em greve, mas o Governo de Atenas tem de dar uma resposta final o quanto antes – eventualmente ainda hoje – sobre se aceita o que a imprensa grega rotulou de “dez mandamentos”.

Tratam-se das
condições impostas pelos credores internacionais – União Europeia e Fundo Monetário Internacional – para conceder um segundo pacote de assistência financeira, possivelmente de 130 mil milhões de euros, sem o qual a Grécia não terá meios para ressarcir um empréstimo obrigacionista no valor de 14,5 mil milhões de euros que se vence a 20 de Março. O país pode entrar, então, num processo de incumprimento desordenado que geraria ainda mais incerteza sobre a sua permanência no euro e sobre o futuro da própria união monetária.

O novo empréstimo acresce ao de 110 mil milhões de euros acordado em Maio de 2010. Este “cheque” rapidamente se mostrou insuficiente, com culpas repartidas por Atenas e por quem fez as contas em Bruxelas e Washington. A Grécia não cumpriu as metas de redução do défice, nem deu andamento ao programa de privatizações, em boa medida porque a conjuntura se revelou ainda mais adversa que o previsto, e porque, ao contrário do que assumia a comunidade internacional, os mercados não normalizaram (bem pelo contrário) e o país não teve condições para recomeçar a financiar-se pelos seus meios.

Para voltar a emprestar ao país, UE e FMI exigem agora garantias mais firmes do Governo provisório de unidade nacional de que vai mesmo cumprir o que promete, mas também que as instituições financeiras se envolvam na tentativa de salvar o país da bancarrota, aceitando perdoar pelo menos metade dos créditos. O objectivo mínimo é reduzir o peso da dívida grega dos actuais 160% para 120% do PIB em 2020, sendo este valor (ainda muitíssimo elevado) assumido como o limiar de sustentabilidade. Para isso, a troika exige acordo entre os três partidos da coligação sobre:


"Os dez mandamentos" da troika

1- Redução em pelo menos 20% do salário mínimo (750 euros, pagos 14 meses, é o valor actual).

2- Fim dos 13º e 14º meses pagos no sector privado

3- Redução dos dias de férias pagos

4- Flexibilizar o mercado de trabalho (regras de contratação e despedimento)

5- Redução dos efectivos da função pública: o Governo aceitou ontem despedir 15 mil e diminuir o universo (cerca de 700 mil) em 150 mil até 2015

6- Reduzir despesa na Saúde

7- Reduzir despesa na Defesa

8- Reduzir valor das pensões (em 15%)

9- Reestruturar e recapitalizar a banca

10- Promover a concorrência e acelerar privatizações




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comentários mais recentes
asCetau8ifzb 30.10.2016

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COCAS Há 2 semanas

Já agora uma achega para a resolução Grega. Porque não reduzir os Gregos, talvez assim consigam poupar nos subsídios, na saúde, etc, etc, É claro que à sempre imponderáveis, neste caso podia disparar os funerais ....

Deus Há 2 semanas

O 7º mandamento está errado e é o seguinte:
Não roubarás os desgraçados que foram falidos pela ganância capitalista e as agências de rating gulosas.

A única saída é a designação de um comissário eur Há 2 semanas


A Grécia tem assumido, pela sua postura, tudo aquilo que não deve ser um Estado.

Agora convenceram-se - e estão a chantagear nesse sentido - de que é obrigação dos contribuintes europeus sustentá-los.

Este país está a ser um verdadeiro cancro para todos os outros, pelas consequências perversas que a sua irresponsabilidade tem causado e continua a causar.

Falamos da aldrabice das contas públicas até às centenas de mordomias mirabolantes distribuidas pelo Governo grego anterior, como forma de se eternizar no poder, mordomias que não passam pela cabeça de ninguém, passando pela altíssima corrupção no seio da classe política grega vigente, de tal modo que, se para lá a Europa empresta cem mil milhões, aí pelo menos uns trinta ou quarenta mil milhões se escoam, através de mãos de criminosos de colarinho branco.

Depois, quando se falou no imperativo de ser designado um comissãrio "ad hoc" para controlar a correcta e honesta aplicação dos fundos emprestados, ficaram muito ofendidos, invocando não sei quê que há quebra de "dignidade" nacional, quando a verdadeira dignidade grega foram eles próprios que a pisaram, pela atitude indigna que têm tomado em apresentar como correctas contas públicas que eram uma vigarice.

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