Economia Os três erros mais comuns quando se usa Keynes

Os três erros mais comuns quando se usa Keynes

John Maynard Keynes é um dos economistas mais citados do mundo, mas nem sempre de forma fiel ao que de facto pensava. O Negócios desafiou Robert Skidelsky, seu biógrafo, a avançar as ideias que erradamente ouve associadas ao economista britânico.
Os três erros mais comuns quando se usa Keynes
Rui Peres Jorge 06 de Outubro de 2016 às 22:30
1 - Défices permanentes são bons

Após uns segundos a reflectir, Robert Skidelsky começa pela ideia que mais vezes viu erradamente associada a Keynes: "um erro comum é considerar que ele acreditava que os governos deveriam ter défices orçamentais permanentes, quando na verdade ele defende um saldo corrente excedentário. Sempre", responde, recusando qualquer associação entre keynesianismo e irresponsabilidade orçamental.

E explica: "Keynes partiu o orçamento em componentes, com défices bons, e outros que devem sempre compensados por impostos". Nas crises faz sentido usar o investimento "para equilibrar a economia, mas o défice corrente deve apontar sempre para um excedente, de forma a permitir o pagamento da dívida ou para compensar os outros défices".

2 - Alívio quantitativo funciona sempre bem

O grande activismo dos bancos centrais nos últimos anos culminou em medidas de política monetária de grande potência como o alívio quantitativo [grandes compras de dívida pública]. Keynes é muitas vezes evocado como defendendo este caminho, mas Skidelsky aconselha cautela. "As pessoas interpretam mal Keynes quando afirmam que, como grande apoiante da política monetária, ele apoiaria o alívio quantitativo" actual. 

"Keynes apoiava medidas deste tipo para travar uma recessão e disse-o em 1941, concordando com Friedman e outros. Mas se depois da estabilização se ficar num posição de sub-emprego, como agora, então Keynes entende que a política monetária não será eficaz", e que os bancos centrais injectarão muito dinheiro que "não chega a ser despesa".

3 - A incerteza resulta de falta de informação

Um terceiro erro apontado por Skidelsky nasce no plano teórico. "Keynes acreditava que a vida económica era intrinsecamente incerta e que nós pura e simplesmente não sabíamos o que se iria passar em 15 ou 20 anos". Ora, esta não é a forma como os chamados novos-keynesianos (uma corrente do pensamento económico influenciada por Keynes, admitindo alguma utilidade à política orçamental) vêem a questão, acabando por induzir uma perspectiva errada sobre o pensamento original do economista.

"Os novos-keynesianos ignoram grande parte do que Keynes escreveu sobre incerteza e confiança. Acreditam que pode haver informação perfeita à qual se pode chegar gradualmente, e sobre a qual se podem atribuir probabilidades. Essa não era de todo a perspectiva de Keynes", sublinha Skidelsky.





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mais votado Anónimo Há 3 semanas


SALÁRIO MÉDIO DOS PROFESSORES PORTUGUESES É O 3.º MAIS ALTO DA EUROPA, EM 2015 (antes da reposição dos salários da FP).

"No caso dos docentes com salários mais altos, em que o rendimento dos docentes é superior ao PIB per capita, Portugal aparece em destaque como o terceiro com salários mais elevados da Europa: Bosnia Herzegovina (327%), Chipre (282%) e Portugal (245%)."

Relatório da Eurydice.

comentários mais recentes
Anónimo Há 3 semanas


A MALTA DA FP E CGA QUER PÔR O PAÍS NA BANCARROTA... OUTRA VEZ.

PARA A ESQUERDA, os trabalhadores do privado servem apenas para pagar cada vez mais impostos, para sustentar as benesses e os privilégios da FP e da CGA.

Os salários dos trabalhadores do privado desceram imenso nos últimos anos... enquanto no público vão igualar o seu máximo de sempre, já este mês de outubro.

Anónimo Há 3 semanas


SALÁRIO MÉDIO DOS PROFESSORES PORTUGUESES É O 3.º MAIS ALTO DA EUROPA, EM 2015 (antes da reposição dos salários da FP).

"No caso dos docentes com salários mais altos, em que o rendimento dos docentes é superior ao PIB per capita, Portugal aparece em destaque como o terceiro com salários mais elevados da Europa: Bosnia Herzegovina (327%), Chipre (282%) e Portugal (245%)."

Relatório da Eurydice.

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